Pepe Mujica participa de evento sobre Democracia na América Latina em Curitiba

Mais de 4 mil pessoas prestigiaram o Seminário “Democracia na América Latina” promovido pelo laboratório de Cultura Digital da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em Curitiba nesta quarta-feira, 26. O ex-presidente do Uruguai e atual senador,  José “Pepe” Mujica, foi a atração principal do evento. Mujica ficou mundialmente conhecido pela sua luta contra a ditadura militar no Uruguai quando foi preso político por 14 anos, pelas pautas progressistas que implantou em seu governo e por seu modo de vida simples que inclui a utilização de seu famoso fusca azul para o trabalho. Mujica é uma das figuras inspiradoras das lutas sociais na América Latina e no Mundo.

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Mujica conquistou simpatizantes também por andar de Fusca (Foto: Divulgação)

Durante suas explanações no evento, defendeu que não é possível falar em democracia na atualidade sem que sejam resolvidas as profundas desigualdades da América Latina. O ex-presidente uruguaio, que governou o país entre os anos de 2010 e 2015, palestrou durante 40 minutos e afirmou que a democracia nunca terá fim, que a mesma não é perfeita, mas que não é possível se conformar com a atual: cheia de desigualdades.

Pepe foi interrompido em diversos momentos, ora com aplausos, ora com gritos exaltados da plateia que gritava “Fora Beto Richa” governador do Paraná do PSDB e “Fora Temer”:

Ainda durante sua fala, Pepe Mujica afirmou que a democracia é uma luta constante, um produto da consciência organizada dos homens na esperança de um mundo melhor. O papel de todos deve ser lutar por um mundo melhor, pelo amor e pela vida. Para ele, a civilização trata a vida como mercadoria, como um produto. Falando diretamente para a plateia, Mujica destacou que a sociedade fria está transformando os indivíduos em compradores, pagadores de contas, compradores de felicidade e que a sociedade de mercado quer transformar nosso tempo de vida em uma mercadoria. A luta, portanto, não é só por democracia, mas por uma outra civilização, concluiu:

Mujica participou do evento acompanhado por sua mulher, a também senadora uruguaia Lucia Topolanski, além de diversos políticos, dentre eles, o senador paranaense, Roberto Requião do PMDB.

Foto: Ricardo Cocco/Rádio Comunitária

Foto: Ricardo Cocco/Rádio Comunitária

Em seu discurso, Pepe Mujica disse não fazer apologia à pobreza, mas que a vida não pode ser apenas trabalho. É direito do homem ter tempo para viver e ser livre. Criticou a civilização do consumo afirmando que é uma ilusão colocar o consumo como um objetivo de vida. Para ele não se pode ir ao supermercado comprar cinco anos de vida, deixando o questionamento para todos os presentes: “Que tempo temos para amar?”

Por fim, afirmou que a humanidade nunca teve tantos recursos, mas é preciso distribuí-los melhor. Que desenvolvimento econômico só se justifica se vier acompanhado de felicidade ao homem. Segundo ele, a sociedade não deve esperar uma terra prometida ou um milagre, mas deve construir no dia a dia uma democracia que garanta o respeito, a tolerância e a convivência com as diferenças. A luta pela democracia deve construir uma sociedade para a felicidade, pois a vida não é um produto do mercado e nenhum valor pode ser maior que a vida. Mujica ressaltou que o motor principal da civilização não é o negócio, um produto do mercado. A vida humana e a democracia não são um produto do mercado:

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Senador Roberto Requião

Em entrevista à Rádio Comunitária, o senador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), falou que o ex-presidente, Pepe Mujica, é um exemplo de comportamento político, ético e decência para a América Latina, uma estrela da democracia. O senador destacou também a importância da resistência popular para barrar os retrocessos sociais que, segundo ele, vem sendo implantados no Brasil pelo governo interino de Michel Temer:

Ao ser questionado sobre o que podemos esperar para o futuro do Brasil frente ao atual cenário político, econômico e os constantes ataques a democracia, Requião afirmou que acredita que o Brasil com Michel Temer está na conta mão da história do mundo:

 

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