Histórico

Na ânsia da construção de um meio alternativo de comunicação no município de Frederico Westphalen, um representativo grupo de pessoas da comunidade idealizou e articulou, durante muito tempo, a viabilidade e a possibilidade de criação de uma rádio comunitária. Este projeto, de longa data, começou a ser concretizado em 22 de março de 2003 com a fundação da Associação Frederiquense de Radiodifusão Comunitária. Seria uma entidade sem fins lucrativos, que tentaria a implantação do tão sonhado veículo. Foram adquiridos alguns aparelhos que contaram com investimentos particulares dos próprios associados. Estes aparelhos, tímidos e limitados tecnicamente, puderam pôr no ar, pela primeira vez, em 15 de maio de 2003, um novo veículo de comunicação no município. Por força de assembleia geral da associação, que na época contava com 84 associados, a emissora recebeu o nome de Rádio Comunitária e passou a operar na freqüência de 87.9 FM (freqüência que a legislação concedia a todas as rádios comunitárias).

Quatorze pessoas iniciaram seus trabalhos radiofônicos na emissora, todas inexperientes e em busca de oferecer uma nova alternativa aos ouvintes. Durante um mês a rádio atuou em caráter experimental. Depois, a partir de junho, permanecia no ar das 6 às 19 horas. Com o decorrer do tempo, de acordo com a viabilidade do projeto, passou, em 2004, a estar no ar 18 horas por dia, das 6 às 24h.

A proposta da rádio comunitária, comum a todas as emissoras com estas características, sempre foi socializar a comunicação e ser um espaço aberto de difusão de ideias, elementos culturais, tradição e hábitos sociais da comunidade, além de ser prestadora de serviços de utilidade pública e divulgação de informações. Os comunicadores, na sua grande maioria, são pessoas ligadas a movimentos comunitários e sociais, sem grande experiência na área. A estratégia é identificar o locutor e suas peculiaridades às características dos ouvintes. E para isso a programação é muito eclética, a fim de atender a todo tipo de público.

A Rádio Comunitária de Frederico Westphalen foi uma das precursoras deste modelo de mídia na região do Médio Alto Uruguai do Estado, sendo seguida por diversas outras dos municípios vizinhos. Durante toda a sua história ela sofreu com as represálias dos meios de comunicação comerciais e tradicionais da região, tendo em vista que representava, segundo eles, uma ameaça para a sua audiência, o que tenderia a diminuir seus vantajosos lucros.

As rádios comunitárias, assim como a de Frederico Westphalen, nunca pretenderam competir com as emissoras convencionais. Querem mesmo é oferecer às comunidades conteúdos de cunho cultural, educativo e popular que as outras não têm se interessado em privilegiar. Em sua dinâmica vem servindo de espaço para o aprendizado da cidadania, ao proporcionar mecanismos para participação da população nas várias etapas do processo de comunicação, tais como na gestão dos veículos e no planejamento e produção de programas.

A presidente da associação, mantenedora da emissora, é Édna Jaqueline Dallagnol, que, juntamente com outras 10 pessoas, compõe a diretoria. A coordenação da emissora ainda é composta por vários setores, tais como as diretorias de programação, cultural, esportiva e jornalística. O atual quadro de sócios é composto por mais de 100 pessoas, que se reúnem periodicamente para decidir os rumos da emissora. Cada sócio colabora mensalmente com uma taxa para as despesas da rádio. A associação é composta por pessoas e entidades de diversos setores sociais e está aberta a novos associados em qualquer tempo.

Atualmente a emissora possui 17 comunicadores e 3 secretárias no seu quadro de funcionários permanente. Na sua grande maioria, os funcionários são profissionais liberais, estudantes, professores e que fazem da emissora seu segundo emprego, mas não a colocam como preocupação secundária. São eles: Ademir Telles (diretor de programação e apresentador), Angelo Lorini (jornalista), Kelly Rodrigues, Nathália Moskva e Eliane Galhardo (secretárias), Eduarda Wilhelm e Sabrina Ritter (auxiliares de jornalismo), Evandro Miotto (representante comercial), Leonides José Voitack (funcionário público e jornalista), Velci Alves da Silva (funcionário público), Ricardo Cocco (professor), Sérgio Luis Musynski (professor), Lucas Trevisan (professor de dança), Luiz Carlos Nunes (lojista), Walmir Scapin (comerciário), Vitor Hugo da Silva (empresário), Mateus Zardin (acadêmico de jornalismo), Rodrigo D’avila (acadêmico de jornalismo), Eveline Drescher (acadêmica de jornalismo), Carine Zandoná Badke (acadêmica de jornalismo) e Jonatas da Mora (comunicador) e Daniel Bernardo.

A emissora iniciou seus trabalhos no Edifício Profissional Center, no Centro da cidade, na sala 801, espaço reduzido, com apenas dois estúdios e uma sala para recepção. Em 2006, mudou-se para as salas 803 e 804 do mesmo edifício, num espaço mais amplo e aconchegante, tanto para os trabalhadores quanto para os visitantes. Agora o espaço da rádio conta com dois estúdios (um principal para a apresentação da programação e outro para gravação e edição própria de programas e das mensagens dos apoiadores culturais) mais amplos e equipados, além das salas de diretoria, reuniões, jornalismo e recepção.

O alcance da emissora abrange o município de Frederico Westphalen, num total de 30 mil pessoas aproximadamente. Alguns locais de outros municípios sintonizam a rádio, mas esta não é a tônica comum. Em 2005 o prefixo de freqüência da emissora mudou para 97.9, em virtude da dificuldade de as rádios comunitárias da região operarem com o mesmo prefixo. Em 2015, a frequência voltou a operar em 87.9. A partir de 2006 a rádio disponibilizou sua programação ao vivo para a Internet, o que elevou ainda mais o conceito da qualidade e do profissionalismo que a emissora vem conquistando junto à comunidade. Para ouvir a rádio pela Internet é só acessar o site www.comunitaria.com.br.

A emissora se mantém no ar com a colaboração das mensalidades dos associados e dos apoios culturais das empresas do município. A programação “comercial” dá destaque às pequenas empresas locais. Barateando em muito os custos da vinculação dos apoios culturais, a rádio possibilita o marketing de pequenos estabelecimentos de comércio e serviços. No entanto, ao lado dos pequenos apoiadores que encontram na emissora uma oportunidade de verem seu serviço vinculado na mídia, a rádio conta com o apoio de empresas de nível e atuação nacional, não diferenciando ou discriminando nenhuma, independentemente de seu percentual de apoio ou importância social.

A Rádio Comunitária tem uma história que se destaca por sua extrema proximidade com a comunidade em que está inserida. Desde a fundação sua maior preocupação sempre foi valorizar todos os eventos e iniciativas que envolvem a comunidade do município, independentemente da amplitude do acontecimento. Esta valorização deu à rádio importância, credibilidade e transparência junto ao povo. A maior preocupação é dar ênfase aos aspectos sociais e informativos do evento em questão. E para isso a emissora conta com uma equipe externa que se reveza nas responsabilidades, trabalhos que, muitas vezes, são voluntários e sem remuneração.

A emissora evidencia uma preocupação constante com a qualidade técnica e humana das transmissões externas e das coberturas de eventos, bem como das campanhas idealizadas por ela. Como a rádio não possui unidade móvel de transmissão, inicialmente a cobertura de eventos era feita por telefone ou através da montagem de um link. A montagem e o transporte eram muito onerosos e dificultavam as transmissões. Desde 2005, as transmissões, quando acontecem na área urbana, são feitas através de uma Linha Especial de Transmissão (LTR). As transmissões no interior continuam sendo realizadas por telefone celular, pelo fato de algumas comunidades não terem linhas telefônicas fixas. Mesmo assim, isto não é empecilho para que a rádio realize sua cobertura do evento na comunidade.

Nestes dez anos de existência, registram-se transmissões e coberturas memoráveis, tanto pela qualidade e organização quanto pelo tempo de cobertura. A programação dinâmica e maleável facilita a abertura de espaços para atividades da comunidade e em horários diferenciados. Nesta história de coberturas, podem-se destacar as transmissões dos desfiles de 7 de setembro (inclusive com concursos culturais nas escolas), festas e desfiles do Carnaval e do aniversário do município, sorteios e programações das empresas no Sabadão dos Negócios e vestibulares das universidades locais. Vale ressaltar, igualmente, a cobertura da emissora nos rodeios crioulos, inclusive com a montagem de estúdio em 2006 num galpão na sede campeira do CTG (promotor do evento). A Expofred também ganha destaque na programação da emissora. Em 2005 a rádio inovou levando seu estúdio para o Parque de Exposições, onde estava sendo realizada a feira, gerando toda a sua programação diária do local do evento, entrevistando populares, expositores, organizadores e artistas. A emissora também prioriza as discussões políticas e, em 2005, realizou a transmissão de todas as sessões da Câmara de Vereadores do município, possibilitando à comunidade acompanhar seus representantes no Legislativo sem precisar se deslocar ao local das sessões.

O esporte local sempre foi muito valorizado pela emissora. No dia 25 de abril de 2004 uma equipe esportiva iniciou suas atividades. A equipe transmite jogos ao vivo deslocando-se até as comunidades sem nenhum ônus para os clubes, apenas contando com o apoio de empresas do município que também são incentivadoras do esporte. Com nove anos de existência e centenas de transmissões na bagagem, a equipe ainda leva ao ar, nas segundas, quartas e sextas-feiras, das 12:45 às 13:15, o programa Toque de Bola. A equipe já transmitiu integralmente edições da Copa União, Campeonatos Integração (inclusive realizando duas festas para a escolha dos Melhores da Competição), Campeonatos de Veteranos,  Taça RBS (acompanhando as equipes que representavam Frederico Westphalen), Campeonato Regional de Futsal, além de festas esportivas em muitas comunidades do interior e finais do Municipalito de Futsal e do Campeonato entre Bairros. A equipe esportiva da Comunitária conta com a parceria de outros meios de comunicação, como o jornal O Alto Uruguai, para dar, além de visibilidade para seu trabalho, destaque regional para os desportistas do município. Em todas as transmissões são escolhidos craques das partidas, que depois irão estampar as páginas esportivas dos jornais.

Destaque para o trabalho na Fundação do União Frederiquense de Futebol em 2010. Clube que a equipe esportiva acompanha em todos os jogos pelo estado, chegando a percorrer mais de 5.000 km por ano.

A rádio já promoveu quatro Natais da Comunitária, com a arrecadação de roupas, alimentos e brinquedos, que foram distribuídos aos mais necessitados da comunidade. As doações foram feitas mediante cadastros junto à prefeitura e por intermédio da participação das crianças, através de cartas destinadas à emissora.

As parcerias com instituições representativas locais são uma tônica na Comunitária. Várias delas possuem programas transmitidos pela emissora, entre as quais instituições religiosas, políticas e de diversos setores civis. Estas parcerias possibilitam a discussão de diversos temas de interesse da comunidade.

A emissora preocupa-se também com o jornalismo informativo e debatedor e para isso possui uma equipe de jornalistas responsáveis pelas notícias gerais e principalmente da comunidade, dando destaque ainda aos serviços de utilidade pública.

Dentro da programação, comunicamos a todo momento notícias relevantes ao nosso público-alvo. Há, também, todas as manhãs, informações da Brigada Militar, SAMU e Corpo de Bombeiros, enfatizando as ocorrências das últimas horas, e informações das loterias.

O ouvinte tem um espaço especial na programação. A rádio abre espaço para a participação de ouvintes de forma indireta ou direta pelo telefone. A programação musical recebe contribuições constantes. Em muitos momentos há o sorteio de brindes e promoções, que conta com uma maciça participação. Todos os que ligam para a emissora têm seus nomes divulgados na programação, o que dá credibilidade aos sorteios dos brindes. As pessoas participam pedindo músicas, mandando abraços e/ou homenagens. Em alguns programas, toda a sequência musical é escolhida pelos ouvintes, tamanha é a alegria da comunidade em poder participar e ser atendida.