Ensinar, aprender e avaliar, são termos que sempre integraram a rotina escolar, no entanto alguns equívocos e erros praticados nesse contexto vem atrapalhando em larga escala a qualidade do ensino e prejudicando a aprendizagem dos alunos. Foi em torno dessa temática “aprendizagem e avaliação” que se deu a palestra na manhã de hoje, dia 16, no Curso de Formação de Professores da Rede Municipal de Ensino, ministrada pela Psicopedagoga, Professora Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Iara Caierão.
O sistema de avaliações sempre esteve presente nas escolas, mas na maioria das vezes não desempenhando devidamente o seu papel, pois é preciso que os profissionais da educação estejam cientes de que os alunos são diferentes, de que o seu conhecimento e as suas habilidades não partem do mesmo ponto, por isso apenas um tipo de avaliação não é o mais adequado para concluir se um aluno está apto ou não a ‘passar’ de ano.
Ao enfatizar o processo de avaliação, a Professora Iara destacou os estudos do renomado pensador russo do século XX, Lev Vygotsky, onde sinaliza que ao realizar uma avaliação devem-se considerar os seguintes aspectos: o que o aluno faz com autonomia, o que o aluno faz com ajuda, e o que o aluno não faz ainda; com destaque a palavra ‘ainda’, pois todos têm a capacidade de aprender, no entanto em alguns casos isso demanda um pouco mais tempo.
“O fato de ter uma prova com desempenho menor não significa que o aluno não saiba, se trata de um conteúdo específico, é preciso ter presente o que essa criança e esse jovem faz com autonomia, e eu sublinho a palavra autonomia, pois é melhor que ele saiba menos conteúdos, mas que ele saiba que ele tem o domínio da leitura, da compreensão, porque leitura e compreensão na verdade são instrumentos essenciais para todas as aprendizagens”, enfatiza a professora. Relacionado a essa situação, Iara contou uma de suas experiências, onde foi pedido a um aluno do ensino primário em fase de alfabetização, que lesse a palavra ‘salada’ escrita no quadro, e o aluno leu ‘repolho’, o que poderia ser uma situação cômica e denotar uma deficiência de aprendizagem do aluno, na verdade significa que além de ler, esse aluno conseguiu interpretar a palavra e trazê-la para a sua realidade, onde repolho certamente era a salada que ele conhecia.
A professora ressaltou ainda que avaliações parciais, limitadas, que não abrangem todas as habilidades do aluno, acabam por desestimular a criança, podendo sufocar grandes talentos que ela possa ter, mas que não ficam explícitos em um único modo de avaliar. “Se a escola não trouxer um incentivo ao aluno, não estimular e paralelo àquilo que ele não sabe, mostrar o que ele conquistou, mostrar o que ele já vem fazendo, se a escola não tiver esse papel, ela poderá fazer o papel inverso, em vez de motivar, incentivar, construir talentos, ela poderá destruir, sufocar ou matar talentos”, conclui Iara.
Vale lembrar que o processo de aprendizagem não cabe somente à escola, mas é de suma importância que a família como um todo se faça presente, e mostre que de fato se importa com a vida escolar e conhecimento que o aluno está adquirindo cada dia. Acompanhar as tarefas de casa, motivar a leitura, estimular a imaginação e ler para a criança, são pequenos gestos que fazem toda a diferença, pois ela irá perceber que aquilo é essencial e a participação da família será um pilar marcante na vida escolar. “Os familiares tem um papel fundamental no desempenho dessa criança, favorecendo a estimulação, em fazer essa criança perceber que é capaz, na medida em que ela se esforçar, e que o esforço faz parte da conquista e do sucesso. Destacando que não cabe apenas a escola o processo cognitivo, o processo de aprendizagem, se os pais não fizerem a sua parte a escola não pode fazer milagres”, explica a Psicopedagoga com propriedade no assunto.
Outro aspecto relevante enfatizado pela palestrante é o fato de que a escola deve respeitar a origem étnica do estudante, de modo a não discriminar características que são inerentes à cultura da pessoa, pois isso poderá se constituir não apenas em exclusão, mas até mesmo em bullying. “É importante respeitar e mostrar gradativamente para essa criança, que existe uma língua culta, ok, mas uma pronúncia, um sotaque carregado, por exemplo, não se constitui num erro, ele se constitui numa marca cultural, e as marcas culturais, não há porque serem ignoradas ou não admitidas na escola. A marca da pós-modernidade é a diversidade, e se a escola não respeitar isso, ela está deixando de cumprir a sua função. Se a escola não for um espaço de inclusão, de aceitação e de convivência na diversidade, então não é uma escola”, pontua a professora.
A palestra ministrada nesta manhã agregou novos conhecimentos a todos os professores presentes, apresentando várias situações com as quais os profissionais se deparam muitas vezes na rotina escolar. “Esse conhecimento que ela nos trouxe, vem a ajudar na nossa prática do dia a dia, a prática que os nosso professores enfrentam e que muitas vezes eles não sabem contextualizar, não sabem como ajudar o seu aluno da melhor forma”, comenta a Secretária Municipal da Educação e Cultura, Sidene Buzatto.
A vice-diretora da Escola Irmã Odila Lehnen, Lisandra Preuss, também fala sobre o quanto a palestra contribuiu na sua carreia como profissional da educação. “O que foi falado aqui teve muita relação com a prática que efetuamos nas escolas, porque ao longo da nossa prática pedagógica nos deparamos com vários problemas aqui mencionados e muitas vezes não soubemos a quem recorrer, de que forma conduzir o nosso trabalho pedagógico”, expõe a vice-diretora.
Assim, é preciso que se tenha ciência de que o processo de aprendizagem, da vida escolar como um todo, depende de um esforço coletivo, que deve ocorrer por parte do aluno, da escola, e, de não menos importância, da família.
ASCOM Prefeitura de FW