
Abuso sexual infantil: Números aumentam a cada ano em Frederico Westphalen
As políticas públicas de combate ao abuso sexual infantil não estão sendo suficientes para que o número de casos diminua no Brasil. Os dados alarmantes mostram que a cada ano os índices crescem, e substituem a alegria da infância pelo medo, afinal a minoria denuncia.
Na maioria dos casos, cerca de 34,4%, o abusador mantém algum grau de parentesco com a vítima, o que acarreta ainda mais o trauma psicológico, e impede a denúncia por medo de retaliação. Nestes casos, apenas 2% chegam a ser denunciados, e ainda há um número mais preocupante: 49% das crianças que sofrem abusos dentro de suas casas têm entre dois e cinco anos de idade.
A coordenadora do curso de Psicologia da Universidade Regional Integrada, campus Frederico Westphalen (URI/FW), Eliane Cadoná, destaca que as crianças, em meio ao seu processo de formação biopsicossocial, nem sempre são capazes de dar-se conta e distinguir atos de violência de outras formas de relação, o que pode deixá-las ainda mais vulneráveis à violência sexual:
Eliane também alerta acerca dos possíveis comportamentos que crianças vítimas de abuso sexual podem apresentar:
As consequências de um possível abuso podem se apresentar de diversas formas na vida de uma criança e prosseguir na fase adulta desta vítima. Eliane explica que quando o abuso não é combatido adequadamente, uma das mais graves consequências é a naturalização da prática e a internalização, por parte da vítima, de um modo de ser muito próximo ao do seu agressor:
Por ser um crime que acontece na maioria das vezes dentro do ambiente familiar, em muitos casos, a criança não conta e o sofrimento se estende por anos ou, ainda, por toda a vida. Em 2015 e 2016, 37 mil casos de violência sexual foram denunciados por meio do Disque 100, que no Brasil, é um meio seguro e confiável de realizar denúncias referentes à violência infantil.
Todo mês, uma nova denúncia em FW
Segundo o último censo demográfico, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de crianças e adolescentes representa 9,05% do total de moradores de Frederico Westphalen, que atualmente tem cerca de 30 mil habitantes.
Segundo informações obtidas por meio do Conselho Tutelar, cinco casos suspeitos de abuso sexual infantil foram registrados no ano de 2016 em Frederico Westphalen, e em 2017 o número é ainda maior. Neste ano já foram registrados sete ocorrências deste tipo de abuso, quase um por mês.
A conselheira tutelar, Terezinha Santos, relata que estes números são muito alarmantes, principalmente se levarmos em conta o tamanho do município:
O Conselho tutelar de Frederico Westphalen presta importante serviço para o combate de abusos no município. Terezinha fala sobre a atuação dos profissionais mediante estas situações:
A conselheira também destaca o que os números confirmam, muitas famílias sabem que o crime acontece, porém exitam em denunciar:
Além do Conselho Tutelar, o Ministério Público também é um agente de combate à esse tipo de crime, no entanto, procurado pela reportagem, o MP preferiu não se manifestar sobre o assunto.
É preciso romper o pacto de silêncio
Denunciar é a única saída para que estes ciclos de violência sejam rompidos. Além do Disque 100 que atende demandas de todo o país, as denúncias podem ser feitas na Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso ou por meio do Conselho Tutelar. Quando existe a suspeita de que alguma criança ou adolescente vem sofrendo abuso sexual, também cabe a denúncia, pois os órgãos competentes iniciam um processo de investigação.
Denúncias anônimas também podem ser feitas e após o registro, a delegacia ou o conselho fica responsável por encaminhar a criança ao atendimento em um Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). No local, o auxílio será estendido para toda a família.
Acreditar nas crianças quando trouxerem determinadas questões também é muito importante. Converse, investigue e questione. Não é necessário ter certeza ou ter testemunhado o fato para realizar a denúncia. Muitas vezes é por meio do silêncio que a vítima clama por socorro.
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