Racismo: loja da Zara em Fortaleza teria código para alertar sobre a entrada de negros, diz delegado

No domingo, 19, a delegada Ana Paula Barroso, diretora-adjunta do Departamento de Proteção aos Grupos Vulneráveis (DPGV) da Polícia Civil do Ceará, denunciou ter sido alvo de crime de racismo na loja Zara, localizada no shopping Iguatemi, em Fortaleza, após ser barrada ao tentar entrar na loja no domingo.
Em relato, a delegada contou que entrou na loja Zara com uma sacola de outra loja e tomava sorvete quando foi abordada pelo gerente do estabelecimento, que tentou afastá-la justificando que seria uma norma de segurança. A delegada Ana Paula então perguntou se era pelo sorvete. Em seguida, ela questionou um segurança do shopping sobre o ocorrido, e ele acionou o chefe de segurança do local, que a reconheceu como delegada.
Neste momento, a mulher adentrou na loja com o chefe da segurança, que indagou o funcionário sobre o que havia acontecido. “Ele foi logo dizendo que não tinha preconceito e que tinha amigos negros, gays e lésbicas”, contou a delegada Ana Claudia. Para a profissional, a fala só reafirma o preconceito.

COLETIVA
Em coletiva de imprensa realizada pela Policia Civil do Ceará (PC-CE) nesta terça-feira, 19, o delegado geral da Polícia Civil, Sérgio Pereira, declarou que a loja Zara possui um protocolo para tratar seus clientes. No momento em que alguém entra na Loja, algumas pessoas podem chamar atenção dos empregados do local. De acordo com o delegado, a orientação é “vigiar” a movimentação de pessoas “de cor e mal vestidas”.
O suspeito indiciado é Bruno Filipe Simões, 32 anos, gerente da loja. Segundo o delegado Sérgio Pereira, o acusado ao perceber a aproximação da vítima, se dirige até ela e tenta colocá-la para fora do estabelecimento. O delegado diz que o acusado alegou razões de segurança e não por motivos sanitários. “Em nenhum momento ele questionou o sorvete ou orientou a vítima em relação a questões sanitárias. A vítima estava fazendo uso de máscara. Baixou a máscara para fazer o consumo do soverte”, pontua.
“Algumas testemunhas que trabalhavam na loja (Zara) eram orientadas a identificar as pessoas que ingressavam no estabelecimento, que tinham estereótipos que não estavam dentro do padrão do estabelecimento”, afirma o delegado. Ele destaca que a seleção das pessoas era feita exclusivamente pela aparência.
“Existia um código da loja: “Zara Zerou”. A partir daquele momento a pessoa não era mais tratada como cliente, mas como uma pessoa nociva ao atendimento normal da loja. A partir dali, as pessoas estavam sob vigilância. Geralmente eram pessoas consideradas mal vestidas, dentro do padrão deles, ou pessoas de cor”, explica o delegado Sérgio Pereira.

O QUE DIZ A ZARA
Em nota enviada ao O POVO, a Zara diz que não teve acesso ao relatório da Polícia sobre o caso, mas que irá colaborar com as investigações. A empresa afirma a atuação da loja “se fundamenta na aplicação dos protocolos de proteção à saúde, já que o decreto governamental em vigor estabelece a obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes públicos”.

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