Direito de resposta: “O Bispo disse que estou mentindo, mas não estou”, afirma ex-coroinha

 

Após entender ter sido citada em publicações do Bispo de FW, Tayná de Oyá, que move processo contra o religioso por abuso sexual, manifesta-se por meio de nota. Confira: 

Eu, Lucas Faligurski, venho pela presente expor meu direito de resposta e expor a verdade, tendo em vista as afirmações que foram veiculadas pelo Sr. Antônio Carlos Rossi Keller em vários meios de comunicação e que atacam diretamente a mim e minha imagem.

Devo expor que as acusações feitas contra mim são totalmente inverídicas, pois jamais caluniei, menti ou fiz denúncias falsas contra Antônio Carlos Rossi Keller, antes pelo contrário, fui vítima de abusos sexuais por ele praticados e por anos me mantive em silêncio até que resolvi expor os fatos e pedir providências, pois não tinha o devido amparo na época do ocorrido e por largo período sofri em silêncio.

Pelos desígnios de Deus pessoas de bem me ouviram e tiveram coragem para me auxiliar, expor minha situação e pedir providências às autoridades.

 Importante salientar que minha vida sempre foi muito sofrida e cheia de tragédias, a começar pela perda precoce de minha mãe, que faleceu quando eu tinha apenas cinco aos de idade, o que me causou enorme fragilidade emocional e um grande vazio existencial, principalmente por meu pai ser totalmente ausente e não ter me dado qualquer tipo de auxílio.

Em decorrência destas situações busquei refúgio na Igreja Católica, pois sempre tive devoção e fui lá atuante, tendo buscado na fé a minha redenção e o amparo pelas minhas perdas. Fui coroinha e cerimonialista e atuei por anos na Igreja, tendo atuação devotada e com muita fé, o que me deu pouco de alento em face de minhas perdas irreparáveis.

Contudo, minha vida passou a ser um inferno quando sofri violência sexual praticada por Antônio Carlos Rossi Keller, que usou de minhas fraquezas, de minha inocência, das minhas perdas, minha vulnerabilidade e de seu cargo de bispo para obter a minha inocência e satisfazer seus desejos espúrios. Os fatos ocorreram ainda quando eu detinha 13 anos e se estenderam por meses, pois eu fique refém daquela situação.

A foto acima demonstra como eu era naquela época, apenas um jovem menino sem a mínima noção do perigo que estava correndo e sem uma família para me proteger. Não pude fazer muitas escolhas na minha vida, fui tolhido deste direito pelas atitudes ilícitas e pelos desejos espúrios daquele que me violentou.

A minha escolha, maior ato de coragem que tive, foi dar um basta naquela situação e me afastar, mas isso quase custou minha liberdade e minha vida, pois quando tomei esta atitude de libertação do julgo do meu agressor, ele e seus seguidores tentaram me internar para que eu não falasse nada, mas graças a Deus, a um bom juiz e a um médico comprometido, meu caso foi analisado e uma perícia constatou que tudo que me acusavam não era verdade, de modo que a tentativa violenta de darem um fim em mim não teve sucesso.

Por conta de todos esses atos acabei me afastando da Igreja, perdi minha fé e fiquei à deriva no mundo, pois meu norte ainda era a Igreja, mas lá sofri a maior violência que uma pessoa pode sofrer, embora os fatos tenha sido praticados por pessoas que não representam os princípios da instituição. Todavia, busquei em outra religião minha fé e minha espiritualidade, mas nunca deixei ou deixarei de crer em Deus, que está acima de tudo e de todos.

Dito isso, devo esclarecer que tudo o que falo é a mais profunda verdade e o Ministério Público abriu uma investigação, ouviu muitas pessoas e coletou muitas provas, de modo que o digno promotor entendeu por denunciar meu algoz, pois viu que não sou mentiroso, mas uma vítima.

Por anos sofri em silêncio e quando a justiça começou a ser feita e veio a público, passei a sofrer ataques covardes de quem me violentou, pois Antônio Carlos Rossi Keller veio a público com uso dos meios de comunicação que domina e passou a atuar para dilapidar minha imagem como se eu fosse o próprio agressor sexual ou uma pessoa que não merece o mínimo de respeito como ser humano.

Fui e continuo sendo vítima e sei que o comportamento de quem me agrediu é típico de quem comete violência sexual, pois tenta desmerecer a vítima e lhe atacar pessoalmente, o que faz para tentar afastar de si a culpa por seus atos ilícitos e lançar naquele que violentou as máculas dos seus próprios atos e os desvios de seu caráter.

Não posso ficar silente em face de tanta covardia, não posso me calar quando a voz do ímpio derrama aos quatro ventos inverdades sobre mim, tentando fazer crer que a vítima é a vilã, não posso mais tolerar isso. Minha voz vem em parte nessa nota, onde exerço, mesmo que de modo resumido, minha defesa em face das agressões covardes que sofri e estou sofrendo, mas que são usadas pelo meu algoz contra min, pois agora ele vem a público para tentar denegrir a minha imagem e a me reduzir como ser humano.

Portanto, jamais menti ou faltei com a verdade, muito menos fiz falsas acusações, sou uma vítima de atos atrozes que me tiraram muito e me suprimiram escolhas e momentos felizes, mas jamais desisti de mostrar o que sofri e sigo com convicção de que a justiça será feita, pois a verdade é minha guia e Deus nunca me abandonará. 

Antônio Carlos afirma que estou mentindo, mas não estou, pois falo a verdade e tudo que digo tenho provas, aliás o próprio Ministério Público conferiu tudo, coletou muitas provas e efetuou a denúncia. Assim, eu desafio Antônio Carlos Rossi Keller a provar que estou mentindo, bem como o desafio a retirar o sigilo do processo, para que todos possam ver as provas e verem o que de fato ocorreu. Não adianta se esconder atrás do segredo de justiça, pois a verdade não pode ser escondida.

Também fui acusado de ter interesses financeiros, mas isso não é verdade, pois vivo dignamente com o fruto do meu trabalho árduo. De outro passo, Antônio Carlos seguramente tem interesse financeiro na Igreja, pois troca de carro quase que anualmente, vive uma vida de luxo em sua residência, paga presentes caros para quem lhe interessa, tem uma vida luxuosa com viagens e regalias, tudo pago com o dinheiro dos fiéis, então isso demonstra que tem interesse financeiro na Igreja Católica, pois vive uma vida de luxos, vaidades e ostentação às custas da fé alheia.

Devo repetir que somente quero a justiça e a reparação do mal que sofri, o que busco defendo a verdade e com confiança na Justiça, que saberá analisar o vasto conjunto de provas que irá garantir um processo justo, onde a os fatos e provas confirmam a verdade.

Fui acusado de ter interesse em afastar católicos da Igreja, mas isso não tem o mínimo fundamento, pois defendo que cada pessoa exercite sua espiritualidade e sua religiosidade de modo independente e de acordo com suas crenças, sem que seja perseguido ou discriminado por suas escolhas. Eu dediquei anos de minha vida à Igreja Católica pois sempre a respeitei, mas algumas pessoas que se dizem pastores não têm respeito pelos seres humanos, de modo que d lá fui obrigado a me retirar em face da violência sexual e dos atentados contra mim praticados. Encontrei amparo em outra religião, que me aceitou e me deu suporte, onde tive acolhimento e onde pude acalmar minha alma atormentada pela violência que sofri.

Quem está afastando os fiéis da Igreja é o próprio Antônio Carlos Rossi Keller, o que fez e continua fazendo com seus atos questionáveis e ilícitos na condução da Diocese e pelo que fez e está fazendo comigo, pois seus ataques a minha pessoa são a prova irrefutável de sua culpa, pois não consegue de forma alguma explicar o que fez e seu silêncio em seu depoimento desmente o que diz na imprensa, mas demonstra que não consegue se defender dentro de um processo justo, onde ele não pode ditar as regras ou usar seu poder para ter benefícios.

Quando sofri abuso eu era a criança que está retratada na foto acima, foi essa criança que ele cravou suas garras e ceifou a inocência, mas sobretudo ele usou de minhas vulnerabilidades e carências para satisfazer suas vontades mais obscuras e ilegais, retirando de mim muitas escolhas.

Tudo que passei me ensinou muito, mesmo que com custos muito altos e sob grande violência, mas com minha pouca experiência posso dizer que há pessoas más nesse mundo e que os pais devem cuidar de seus filhos e se houve qualquer boato de abuso na Igreja, que tenham atenção redobrada, pois muitas dessas pessoas más estão disfarçadas de pastores para poderem abusar das ovelhas mais frágeis.

No entanto, há muitas pessoas boas no mundo e é por causa delas que as atrocidades que sofri são amenizadas e consigo viver e fazer o bem para quem precisa, além de acreditar nas pessoas e aguardar serenamente a justiça.

Deixo minha defesa nessas palavras e digo a quem passou pelo que passei: “Denunciem, busquem ajuda, pois mesmo nos momentos mais escuros sempre haverá uma luz que nos guiará, sejam fortes e busquem ajuda”.

Confira também a nota do Bispo de Frederico Westphalen, Antonio Keller, divulgada no dia 20 de dezembro de 2021: 

Diante das inverídicas notícias vinculadas por algumas pessoas e por alguns órgãos de informação, interessados em semear escândalos, calúnias e difamações contra minha pessoa, venho a público esclarecer o que se segue.

Há cerca de três anos tive conhecimento de que um grupo de sete padres diocesanos e um reduzido grupo de leigos, apresentaram à Nunciatura Apostólica denúncias graves contra a minha pessoa, envolvendo acusações de abuso de menores, mau gerenciamento econômico, incapacidade pastoral e outros itens.

Da mesma forma, o referido grupo apresentou queixa-crime ao Ministério Público de Porto Alegre, com as mesmas graves acusações. Imediatamente o Ministério Público abriu uma investigação para a averiguação dos fatos.

No âmbito eclesiástico, foi efetuada uma investigação prévia, em que foram ouvidas dezenas de testemunhas. A investigação, sob a responsabilidade da Nunciatura Apostólica, foi encaminhada para a Congregação para a Doutrina da Fé, conforme a legislação canônica em vigor. Como hoje é praxe, frente à enorme pressão social em relação a este tema, foi aberto um Processo canônico Penal por via Administrativa em meu desfavor.  

A Congregação para a Doutrina da Fé, como é previsto, indicou um Juiz e dois Assessores canônicos para a instrução do Processo Penal por via Administrativa. Após as audiências, que arrolaram dezenas de pessoas: sacerdotes, seminaristas, leigos, religiosos, com data de 5 de maio de 2019, recebi o Decreto assinado pelo Exmo. e Revmo. Sr. Juiz Eclesiástico, nomeado pela Congregação para a Doutrina da Fé de Roma, a sentença final do Processo, sendo a de absoluta absolvição.

Alguns meses após encerrado o Processo canônico com a minha cabal absolvição, a Congregação para os Bispos de Roma determinou uma “Visita Fraterna” para a averiguação das demais denúncias em meu desfavor, tendo sido nomeado um Visitador e um Notário. O Visitador efetuou uma completa verificação da economia da Diocese, da reputação do bispo diocesano junto às Paróquias e junto aos fiéis da Diocese, bem como se entrevistou com todos os padres da Diocese, incluindo aqueles que apresentaram as denúncias. Segundo fontes seguras que não posso citar, o resultado da Visita, que não é dado ao conhecimento nem do bispo investigado nem de quem apresentou as denúncias, não só não encontrou nenhuma categoria de problema diante das acusações apresentadas, mas constatou a absoluta normalidade da vida diocesana, dando algumas indicações práticas de melhorias para a mesma. Da mesma forma, nada foi constatado de condenável no que se refere à moral e aos costumes do bispo diocesano. Todos sabem que estas visitas, no caso de se encontrar algum problema sério, resultam, entre outras possibilidades, na imediata necessária renúncia e na substituição do bispo investigado.

Cabe dizer que dos sete sacerdotes envolvidos neste triste episódio, quatro retrataram-se das acusações, afirmando terem sido pressionados em assinar o documento de acusação contra o bispo diocesano. Outros três, com alguns destes leigos que me acusaram, continuam até o presente a tentar conspurcar a vida e o ministério do bispo diocesano, bem como a vida de toda a Diocese, levando estas acusações às redes sociais, buscando dar-lhes visibilidade. Um desses senhores, hoje já não mais sacerdote, há meses tenta também obter indenizações trabalhistas e outros pseudodireitos, na Justiça criminal e cível, todos eles já refutados.

No âmbito civil, a investigação (não há processo até o momento) arrastou-se por mais de 2 anos (onde está a garantia do direito de um investigado ter, em breve tempo, uma definição decisória?), da mesma forma arrolando dezenas de testemunhas sob segredo de Justiça. Contudo, alguns desses caluniadores continuam a usar as redes sociais para espalhar a ideia de que o bispo diocesano é um criminoso, inclusive postando trechos de “documentos” que envolvem a moral do bispo diocesano, evidentemente com conteúdo acusatório. Os documentos que atestam a lisura, a honra e a boa fama do bispo diocesano não são publicados. É importante dizer que a investigação que deveria correr, por determinação judicial sob segredo de Justiça, teve criminosamente este segredo violado em diversas ocasiões, já que estes senhores e senhoras não encontram problema algum em divulgar estas falácias, até mesmo com documentos oficiais do Ministério Público de Porto Alegre, que estão sob sigilo judicial. As mesmas pessoas também ainda espalham entre os incautos notícias de que eu estaria submetido a prisão domiciliar, ao uso de tornozeleira eletrônica e até mesmo já teria sido preso.

Em duas oportunidades o EXMO. e DD. Juiz de Direito da 3ª Vara da Comarca de Frederico Westphalen pronunciou-se rejeitando integralmente a denúncia oferecida pelo Exmo. Sr. Promotor de Justiça contra a minha pessoa.  

Posteriormente, dentro desta ação de verdadeira perseguição que tenho sofrido, tive ciência de diversos processos cíveis e criminais que foram abertos contra mim e contra a pessoa do Chanceler da Cúria Diocesana, todos eles com ridículas acusações de perseguições contra estes padres, danos à saúde dos mesmos etc. Com verdadeira ânsia de espalhar estas inverdades, estes senhores apelaram para a imprensa sensacionalista que encetou uma verdadeira “caça às bruxas” no território da Diocese, interpelando inúmeras pessoas com a finalidade de obter novos elementos para poderem acusar o bispo diocesano. É preciso dizer que não conseguiram absolutamente nada contra a minha pessoa. Apresentam-se como vítimas da prepotência episcopal, mas, na verdade, são lobos e hienas vorazes que sistematicamente buscam destruir a honra e a boa fama do bispo diocesano com inverdades espalhadas aos quatro ventos. É sempre importante perguntar-se o porquê da insistência destes senhores em divulgar aquilo que dizem ser a verdade, deixando de lado a manifestação daquilo que a Justiça, tanto eclesiástica como civil, já decidiu em meu favor. Ou seja, a pretensão destes senhores continua a ser aquela que desde o início têm manifestado como objetivo: a saída do bispo da Diocese. Não lhes interessa a verdade dos fatos. Interessa-lhes impor suas vontades, utilizando-se até mesmo de meios ilícitos para isto acontecer, visto que por meios lícitos nada se comprovou contra minha pessoa.  

Assim sendo, esta Nota de Esclarecimento visa apresentar a realidade de quem há mais de três anos sofre uma perseguição pilotada por elementos que pretendem destruir o meu bom nome e a minha boa fama, movidos por intenções e por razões que envolvem interesses financeiros, ideologias políticas que não aceitam ser confrontadas por uma visão eclesial apartidária e que pretendem atrelar a Igreja Diocesana de Frederico Westphalen a um ideário político e práticas pastorais mescladas com princípios que contradizem a fé católica, envolvem certos princípios viciados da compreensão do que é a vida sacerdotal, na forma como a Igreja a entende e a promove, enfim, envolvem mesmo alguns que vivem e se alimentam de lançar calúnias contra os outros, pois tem histórico longo a respeito disso. Cabe dizer que um destes três padres acusadores já foi demitido do estado clerical por documento proveniente da Congregação para o Clero, por ordem do Santo Padre o Papa Francisco e que a Chancelaria da Diocese possui toda a documentação pertinente das razões deste ato tão grave por parte do Santo Padre para com um sacerdote. Entre os outros dois, um deles há anos está fora da Diocese, vagando aqui e acolá sem dar a menor satisfação ao bispo diocesano de sua vida e de seu ministério e o outro também há anos abandonou o território da Diocese, tendo paradeiro desconhecido. Portanto, este discurso de “perseguição” consiste em uma grande mentira, já que com cada um destes senhores o bispo diocesano sempre teve a maior paciência e compreensão. Da mesma forma, o exercício de meu Ministério é a maior prova contra as afirmações destas pessoas, já que ano após ano, no exercício de minhas funções como bispo da Diocese, estou em constante contato com milhares de pessoas, sejam elas adultas ou jovens, tanto nas milhares de Crismas que realizo pela Diocese inteira, bem como pelo contato constante com os seminaristas das diversas etapas formativas e tantas outras situações exigidas pelas minhas funções e todos sabem muito bem de meu comportamento ilibado no trato com todos. Este discurso sustentado por estes mentirosos, na verdade pretende desviar o foco do verdadeiro problema em questão que é a infidelidade destes senhores para com os compromissos assumidos como sacerdotes católicos, envolvendo a obrigação da obediência ao bispo, o compromisso do celibato eclesiástico e outros.  

Assim como confiante em Deus, esperei e recebi a absolvição canônica das acusações que contra mim, foram apresentadas à Igreja, a qual amo, sirvo e continuarei servindo por toda a minha vida, aguardo também com a mesma confiança a total rejeição dessas acusações contra a minha pessoa na Justiça Civil, como tem ocorrido até este momento.

Da mesma forma, tome-se consciência de que, em seu devido tempo, todas as medidas canônicas e civis necessárias serão tomadas, para que se restaure a boa fama pública de quem, nestes anos, tem se mantido calado, em respeito às determinações da Justiça.

Frederico Westphalen, 12 de novembro de 2021.

+ Antonio Carlos Rossi Keller

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