A combinação de uma frente fria em deslocamento sobre o território do Rio Grande do Sul com uma queda abrupta de temperatura fizeram com que uma forte tempestade caísse sobre o estado durante a tarde e a noite de segunda-feira (31).
“A chuva está relacionada ao deslocamento de uma frente fria pelo RS. Como as temperaturas estavam bastante elevadas, por conta do que chamamos de pré-frontal, o contraste térmico favoreceu para que as instabilidades ganhassem ainda mais força e viessem acompanhada por rajadas de vento”, explica a meteorologista Patrícia Cassoli, da Climatempo.
“A temperatura em Porto Alegre chegou a quase 35°C, o que contribuiu para intensificar as instabilidades.”
De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), o volume de chuva registrado na capital em seis horas foi de 59,6 mm, o que equivale a cerca de 26% da média histórica de março (229 mm).
Além disso, os ventos atingiram 111 km/h, conforme a Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica (Redemet), e 79,6 km/h no bairro Jardim Botânico, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Em coletiva na tarde de segunda-feira, o prefeito Sebastião Melo classificou o temporal abrupto como uma “bomba d’água”.
Foi a bomba d ‘água casada com a ventania, que é o casamento do calor com o frio, que dá isso. Você não tem como controlar a natureza”, afirmou.
Consequências
A forte tempestade que atingiu Porto Alegre e diversas cidades do Rio Grande do Sul na tarde de segunda-feira (31) deixou um rastro de destruição, com alagamentos, destelhamentos e queda de árvores.
Os ventos e a chuva causaram interrupção no fornecimento de energia elétrica para milhares de consumidores. Mais de 200 mil clientes da CEEE Equatorial ficaram sem luz. Na tarde de terça, o número havia reduzido para 82 mil consumidores.
Já a RGE chegou a ter cerca de 53 mil consumidores afetados até as 23h, número reduzido para 10,5 mil na terça.
Na capital, serviços de saúde também sofreram impactos. A emergência do Hospital São Lucas da PUCRS teve a operação prejudicada, com pacientes sendo realocados. Unidades de saúde da cidade também registraram intercorrências, como danos em telhados, alagamentos e falta de energia.