Nesta quinta-feira (10), a UFSM concedeu o título de Doutor Honoris Causa ao cantor, compositor e violonista missioneiro Pedro Ortaça. A cerimônia ocorreu à tarde, no Centro de Convenções, e contou com a presença de professores, técnico-administrativos em educação e estudantes, além de representantes de câmaras de vereadores, prefeituras e secretarias de educação.
Nascido no interior do município de São Luiz Gonzaga, Ortaça é conhecido por ser um defensor das tradições gaúchas e comunidades indígenas. Ortaça marcou gerações com suas letras e poemas sobre a cultura rio-grandense. Ele é o único membro vivo dos chamados “quatro troncos missioneiros” – ao lado de Jayme Caetano Braun, Noel Guarany e Cenair Maicá.
O título de Doutor Honoris Causa é atribuído a pessoas que tenham contribuído de maneira notável para o progresso das ciências, artes ou cultura. É a máxima distinção que uma universidade pode conceder. Na UFSM, o título para Pedro Ortaça foi aprovado por unanimidade durante sessão do Conselho Universitário ocorrida em 28 de março.
Três professores foram responsáveis por sugerir a honraria: Oscar Daniel Morales, docente aposentado do Departamento de Música da UFSM; Fabiano Vedooto Ferreira, músico e professor de geografia nos colégios Marco Polo, G10 e Antônio Alves Ramos; Giancarlo Rieger, docente de Medicina Veterinária na Faculdade Marechal Rondon.
O evento se iniciou com o discurso do professor e diretor do Centro de Artes e Letras (CAL), Gil Roberto Costa Negreiros, que trouxe o fato de a UFSM ser a primeira universidade a conceder este prêmio para um ícone da música missioneira, e salientou a importância da homenagem. “Com certeza esse ato de outorga que hoje concedemos dá impulso para o reconhecimento da identidade cultural do Rio Grande do Sul e para que novas gerações se sintam impelidas a seguir na pesquisa desses valores… Ninguém nos valoriza se nós não fizermos primeiro. A importância é imensa, eu espero que seja o primeiro de muitos.”
Após a entrega do título, Ortaça manifestou-se agradecendo à esposa e aos filhos. Também compartilhou como estava se sentindo diante da homenagem. “Agradeço demais à comissão que me escolheu com o título honorífico dessa homenagem, fico muito feliz de estar aqui com vocês. Nessa universidade, com essa gente, em uma cidade que eu tenho tanto carinho como Santa Maria, que é o centro dos nossos estudos do Rio Grande do Sul.”
Durante sua manifestação, o reitor da UFSM, Luciano Schuch, destacou a importância do reconhecimento para a universidade e a educação. “Através da educação a gente consegue transformar o nosso país, e quando a gente reconhece a cultura popular e reconhece Pedro Ortaça como Doutor Honoris Causa, isso é defender a educação. É defender a luta pelo povo, é defender a democracia do nosso país, é defender o que nós temos de mais rico, que é o nosso povo, e esse é o papel da nossa universidade.” E afirmou que Ortaça sempre vai estar vivo dentro da universidade e no coração do Rio Grande.
Na plateia era possível identificar rostos emocionados, como o de Nicanor Marques da Silva, que é fã de Ortaça desde 2003, e se emocionou ouvindo sua música preferida ao vivo, compartilhando que sempre gostou da música missioneira. “Sou muito fã desse homem, acompanhar ele recebendo esse reconhecimento para mim é um prazer”.
Na solenidade, um outro missioneiro célebre – admirador e amigo de Ortaça – também se fez presente: o ex-governador Olívio Dutra (natural de Bossoroca), que estava acompanhado do deputado estadual Valdeci Oliveira. Ao final da cerimônia, ele e outros fãs foram presenteados com um show no qual Pedro Ortaça, acompanhado de sua banda de apoio e de alguns de seus filhos, cantou clássicos da música missioneira compostos por ele.
Filha do homenageado, Marianita Ortaça ajudou a reunir detalhes da vida e obra desse ícone da tradição. Ela compartilhou que foi uma honra participar da organização da homenagem. “Tinha momentos que a gente pensava que isso não ia acontecer, em função da saúde do pai, porque realmente é um processo demorado. Mas no final deu tudo certo, e a Universidade Federal de Santa Maria é maravilhosa por reconhecer a obra do meu pai dessa forma, então eu sou imensamente grata.”
Texto: Ellen Schwade/UFSM