
Operação “Digital Fantasma”: Polícia Civil cumpre 3 mandados de prisão preventiva por desvio milionário em instituição financeira
Na manhã desta terça-feira (20), a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, através da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE/DERCC), sob coordenação do Delegado João Vitor Herédia, deflagrou a Operação “Digital Fantasma”, visando desarticular uma sofisticada associação criminosa instalada dentro de uma agência bancária de grande porte. A ação teve apoio de Policiais Civis da 14DPRI e da Delegacia de Polícia de Palmeira das Missões.
O grupo, composto pelo Gerente Geral da unidade, um operador de sistema e familiares, é responsável por fraudes que superam a cifra de R$ 2,4 milhões.
Estão sendo cumpridos 3 (três) mandados de prisão preventiva, fundamentados na garantia da ordem pública e econômica, além de medidas de busca e apreensão, bloqueios de contas bancárias e ativos financeiros, entre outras ordens judiciais.
Modus operandi: Engenharia interna e violação biométrica
O furto mediante fraude se diferencia pela complexidade e pelo abuso de confiança (abuse of trust), operada de dentro da instituição financeira:
1. SELEÇÃO DE ALVOS VULNERÁVEIS: O grupo monitorava e selecionava contas inativas pertencentes a clientes hipervulneráveis (idosos entre 81 e 96 anos) e até mesmo pessoas falecidas.
2. FRAUDE BIOMÉTRICA (A “DIGITAL FANTASMA”): Para contornar os rigorosos mecanismos de segurança, o operador do sistema inseria a sua própria digital nos leitores biométricos. Fraudulentamente, registrava no sistema que os clientes idosos seriam “analfabetos”, justificando a ausência de assinatura física e validando a operação com a biometria do próprio funcionário do banco.
3. FABRICAÇÃO DE RENDA (ALAVANCAGEM): O Gerente Geral, utilizando credenciais de alto nível, alterava os cadastros das vítimas, atribuindo-lhes rendas fictícias astronômicas (chegando a R$ 2,5 milhões) para elevar artificialmente o score de crédito.
4. CONCESSÃO E DESVIO: Com o crédito aprovado, eram realizados empréstimos pessoais vultosos sem garantias reais.
5. LOGÍSTICA DE SAQUE E OCULTAÇÃO: Para evitar o rastreio digital (TED/PIX), os valores eram sacados em espécie. Uma integrante do grupo (esposa do gerente), utilizando disfarces como moletom e capuz para dificultar a identificação pelo CFTV, realizava saques fracionados que totalizaram mais de R$ 1,4 milhão em dinheiro vivo.
Investigação
A investigação teve início após a detecção de inconsistências graves nas operações de crédito da agência. Através de um trabalho de inteligência cibernética e análise de logs de sistema, a Polícia Civil conseguiu mapear a estrutura do grupo.
Foi identificado que o Gerente Geral atuava como mentor intelectual, chancelando as fraudes; o funcionário subordinado executava a fraude biométrica; e o núcleo familiar atuava na logística de saque e lavagem de capitais. A investigação comprovou, inclusive, o uso de contas de pessoas já falecidas para o trânsito dos valores ilícitos, demonstrando a audácia da empreitada criminosa.
Operação Policial
A ação leva o nome de “Digital Fantasma”, em alusão ao modus operandi no qual a biometria dos próprios funcionários era utilizada para se passar pelos clientes idosos, “assombrando” contas inativas.
A deflagração da operação em regime de urgência foi necessária dado o iminente retorno do líder do grupo às suas funções na agência, o que representaria risco imediato de destruição de provas digitais e coação de testemunhas subordinadas.
Com a deflagração da operação, a Polícia Civil ratifica o compromisso de desenvolver investigações criminais qualificadas, notadamente aquelas em que haja indícios de atuação de organizações ou associações criminosas organizadas, objetivando a máxima responsabilização criminal de todos os envolvidos, de modo a reprimir à altura a prática delitiva.
Fonte: Polícia Civil
