{"id":72383,"date":"2026-04-15T14:11:36","date_gmt":"2026-04-15T16:11:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=72383"},"modified":"2026-04-15T14:11:36","modified_gmt":"2026-04-15T16:11:36","slug":"fossil-de-nova-especie-de-reptil-com-bico-de-papagaio-e-descoberta-na-quarta-colonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/fossil-de-nova-especie-de-reptil-com-bico-de-papagaio-e-descoberta-na-quarta-colonia\/","title":{"rendered":"F\u00f3ssil de nova esp\u00e9cie de r\u00e9ptil com \u201cbico de papagaio\u201d \u00e9 descoberta na Quarta Col\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><em>O estudo rec\u00e9m-publicado apresenta um novo rincossauro, denominado Isodapedon varzealis, descoberto no munic\u00edpio de Agudo<\/em><\/p>\n<p>Paleont\u00f3logos da UFSM publicaram, na ter\u00e7a-feira (14), um&nbsp;<a href=\"https:\/\/royalsocietypublishing.org\/rsos\/article\/13\/4\/260176\/481336\/A-new-hyperodapedontine-rhynchosaur-from-a?searchresult=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/royalsocietypublishing.org\/rsos\/article\/13\/4\/260176\/481336\/A-new-hyperodapedontine-rhynchosaur-from-a?searchresult%3D1&amp;source=gmail&amp;ust=1776354129550000&amp;usg=AOvVaw2HzrbvjUx9kavSmVJN5lsi\">novo estudo no peri\u00f3dico cient\u00edfico Royal Society Open Science<\/a>, no qual descrevem uma nova esp\u00e9cie com base em um cr\u00e2nio f\u00f3ssil de aproximadamente 230 milh\u00f5es de anos. O exemplar foi descoberto no munic\u00edpio de Agudo, localizado no territ\u00f3rio do Geoparque Mundial Unesco Quarta Col\u00f4nia, em um s\u00edtio fossil\u00edfero que j\u00e1 revelou alguns dos dinossauros mais antigos do mundo.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o central do Rio Grande do Sul tem sido palco de diversas descobertas paleontol\u00f3gicas, incluindo alguns dos dinossauros mais antigos do mundo, bem como uma ampla diversidade de r\u00e9pteis e outras criaturas pr\u00e9-hist\u00f3ricas. Entre os f\u00f3sseis mais abundantes da regi\u00e3o est\u00e3o os rincossauros. Esses r\u00e9pteis quadr\u00fapedes e herb\u00edvoros s\u00e3o caracterizados pela presen\u00e7a de um bico pontiagudo e por um aparato mastigat\u00f3rio \u00fanico, composto por m\u00faltiplas fileiras de pequenos dentes utilizados para esmagar e processar vegetais.<\/p>\n<p>O estudo rec\u00e9m-publicado apresenta um novo rincossauro, denominado&nbsp;<i>Isodapedon varzealis<\/i>, que compartilha caracter\u00edsticas com uma esp\u00e9cie europeia. A pesquisa foi desenvolvida como parte da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de Jeung Hee Schiefelbein, atual aluna de doutorado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biodiversidade Animal da UFSM, sob a orienta\u00e7\u00e3o do paleont\u00f3logo da UFSM Rodrigo Temp M\u00fcller. Tamb\u00e9m participaram do estudo os alunos de doutorado do mesmo programa Maur\u00edcio Silva Garcia e Mariana Doering.<\/p>\n<p>O achado \u2013&nbsp;O cr\u00e2nio f\u00f3ssil de&nbsp;<i>Isodapedon varzealis<\/i>&nbsp;foi escavado em um s\u00edtio fossil\u00edfero localizado no munic\u00edpio de Agudo, em 2020. Posteriormente, o material foi cuidadosamente preparado no laborat\u00f3rio do Centro de Apoio \u00e0 Pesquisa Paleontol\u00f3gica da Quarta Col\u00f4nia (Cappa) da UFSM, por meio de um processo que visa remover a rocha que envolve o f\u00f3ssil. Por se tratar de um material fr\u00e1gil, foram utilizadas ferramentas delicadas, como bisturis e agulhas. Ap\u00f3s a remo\u00e7\u00e3o do sedimento, as caracter\u00edsticas anat\u00f4micas puderam ser analisadas em detalhe.<\/p>\n<p>Os pesquisadores identificaram caracter\u00edsticas incomuns em rela\u00e7\u00e3o aos rincossauros conhecidos dessas camadas rochosas, indicando tratar-se de uma esp\u00e9cie ainda desconhecida. O material f\u00f3ssil atribu\u00eddo \u00e0 esp\u00e9cie inclui um cr\u00e2nio parcial, no qual os maxilares e as mand\u00edbulas se destacam pela morfologia incomum. Nos rincossauros, os dentes do maxilar est\u00e3o organizados em duas ou mais \u201cplacas\u201d divididas por uma fenda, geralmente formando partes bastante assim\u00e9tricas entre si. No caso da nova esp\u00e9cie, as duas placas apresentam propor\u00e7\u00f5es mais sim\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Dessa forma, a nova esp\u00e9cie foi denominada&nbsp;<i>Isodapedon varzealis<\/i>, em que \u201c<i>Isodapedon<\/i>\u201d significa \u201cplacas dent\u00e1rias iguais\u201d, em refer\u00eancia \u00e0 simetria observada, e \u201c<i>varzealis<\/i>\u201d faz alus\u00e3o ao local onde o f\u00f3ssil foi encontrado, em Agudo, na regi\u00e3o conhecida como \u201cV\u00e1rzea do Agudo\u201d.<\/p>\n<p>Um r\u00e9ptil com \u201cbico de papagaio\u201d<\/p>\n<p>Com base no tamanho do cr\u00e2nio, estima-se que o indiv\u00edduo encontrado teria entre 1,2 e 1,5 metro de comprimento. Como outros rincossauros, tratava-se de um animal quadr\u00fapede e herb\u00edvoro. Seu cr\u00e2nio, amplo e de formato triangular, apresentava um bico pontiagudo, semelhante ao dos papagaios. Esse bico pode ter auxiliado tanto no corte de plantas quanto na escava\u00e7\u00e3o do solo em busca de ra\u00edzes e tub\u00e9rculos.<\/p>\n<p>No per\u00edodo em que&nbsp;<i>Isodapedon varzealis<\/i>&nbsp;viveu, h\u00e1 cerca de 230 milh\u00f5es de anos, a esp\u00e9cie atuava como um consumidor prim\u00e1rio no ecossistema. \u00c9 prov\u00e1vel que tenha sido presa de r\u00e9pteis maiores, incluindo formas aparentadas aos ancestrais de jacar\u00e9s e crocodilos, al\u00e9m dos primeiros dinossauros. Como, at\u00e9 o momento, h\u00e1 registro de apenas um cr\u00e2nio da esp\u00e9cie, seu tamanho m\u00e1ximo ainda \u00e9 incerto. No entanto, compara\u00e7\u00f5es com outros rincossauros sugerem que poderia atingir at\u00e9 cerca de 3 metros de comprimento, tornando-se uma presa consideravelmente mais dif\u00edcil de capturar para a maioria dos carn\u00edvoros do s\u00edtio onde a nova esp\u00e9cie foi encontrada.<\/p>\n<p>Uma ponte entre Brasil e Europa<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise das rela\u00e7\u00f5es de parentesco da nova esp\u00e9cie indicou que o animal possui fortes afinidades com&nbsp;<i>Hyperodapedon gordoni<\/i>, da Esc\u00f3cia. Esse parentesco, que \u00e0 primeira vista pode parecer incomum, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o improv\u00e1vel. De fato, outra esp\u00e9cie proveniente do mesmo s\u00edtio fossil\u00edfero de&nbsp;<i>Isodapedon varzealis<\/i>, o precursor de jacar\u00e9s e crocodilos&nbsp;<i>Dynamosuchus collisensis<\/i>, tamb\u00e9m apresenta um parente pr\u00f3ximo registrado em camadas da Esc\u00f3cia.<\/p>\n<p>Essa distribui\u00e7\u00e3o pode ser explicada pelo fato de que, h\u00e1 cerca de 230 milh\u00f5es de anos, durante o Per\u00edodo Tri\u00e1ssico, os continentes estavam unidos, formando a Pangeia. Essa configura\u00e7\u00e3o permitia que as faunas de diferentes regi\u00f5es do planeta se dispersassem por amplas \u00e1reas do supercontinente. Dessa forma, a nova esp\u00e9cie refor\u00e7a a ideia de que as faunas tri\u00e1ssicas da Am\u00e9rica do Sul compartilhavam componentes semelhantes com as faunas da Europa da mesma \u00e9poca.<\/p>\n<p>Diversidade de rincossauros no Brasil<\/p>\n<p>Al\u00e9m de um registro f\u00f3ssil bastante abundante, os rincossauros descobertos no Brasil tamb\u00e9m demonstram que o grupo foi altamente diverso em termos de n\u00famero de esp\u00e9cies.&nbsp;<i>Isodapedon varzealis<\/i>&nbsp;eleva para seis o total de esp\u00e9cies conhecidas de rincossauros no Tri\u00e1ssico brasileiro. No entanto, essas seis esp\u00e9cies n\u00e3o coexistiram integralmente, j\u00e1 que algumas viveram em momentos distintos, separados por milh\u00f5es de anos. Ainda assim, a nova esp\u00e9cie prov\u00e9m de camadas nas quais outras tr\u00eas j\u00e1 foram registradas, indicando que o grupo atingiu um pico de diversidade justamente em um per\u00edodo marcado pelo surgimento e diversifica\u00e7\u00e3o de outros grupos, como os dinossauros.<\/p>\n<p>Essa coexist\u00eancia de m\u00faltiplas esp\u00e9cies de rincossauros pode ser explicada pela ado\u00e7\u00e3o de diferentes estrat\u00e9gias alimentares. \u00c9 poss\u00edvel que cada esp\u00e9cie tenha se especializado no consumo de tipos distintos de vegeta\u00e7\u00e3o, o que ajudaria a explicar as varia\u00e7\u00f5es no aparato mastigat\u00f3rio. Esse cen\u00e1rio refor\u00e7a a import\u00e2ncia dos rincossauros como consumidores prim\u00e1rios nos ecossistemas que testemunharam a origem e a diversifica\u00e7\u00e3o inicial dos dinossauros.<\/p>\n<p>Centro de Pesquisa Paleontol\u00f3gica da UFSM<\/p>\n<p>O f\u00f3ssil de&nbsp;<i>Isodapedon varzealis<\/i>&nbsp;est\u00e1 tombado no acervo cient\u00edfico do Cappa\/UFSM, localizado no munic\u00edpio de S\u00e3o Jo\u00e3o do Pol\u00easine. O centro integra o Geoparque Quarta Col\u00f4nia Unesco e abriga uma importante cole\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis do Tri\u00e1ssico brasileiro, al\u00e9m de manter uma exposi\u00e7\u00e3o aberta a visita\u00e7\u00e3o gratuita.<\/p>\n<p>O estudo foi conduzido por Jeung Hee Schiefelbein, Maur\u00edcio Silva Garcia, Mariana Doering e Rodrigo Temp M\u00fcller. A pesquisa recebeu apoio da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e do Instituto Nacional de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (INCT) Paleovert. O acesso livre e gratuito ao artigo cient\u00edfico foi viabilizado pela Capes.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo rec\u00e9m-publicado apresenta um novo rincossauro, denominado Isodapedon varzealis, descoberto no munic\u00edpio de Agudo Paleont\u00f3logos da UFSM publicaram, na ter\u00e7a-feira (14), um&nbsp;novo estudo no peri\u00f3dico cient\u00edfico Royal Society Open Science, no qual descrevem uma nova esp\u00e9cie com base em um cr\u00e2nio f\u00f3ssil de aproximadamente 230 milh\u00f5es de anos. O exemplar foi descoberto no munic\u00edpio<\/p>\n<div class=\"read-more-wrapper\"><a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/fossil-de-nova-especie-de-reptil-com-bico-de-papagaio-e-descoberta-na-quarta-colonia\/\" title=\"Read More\"> <span class=\"button\">Read More<\/span><\/a><\/div>","protected":false},"author":2,"featured_media":72384,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[28,33],"tags":[],"class_list":["post-72383","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-noticias"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72383","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72383"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72383\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72384"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72383"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72383"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72383"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}