{"id":67819,"date":"2024-12-20T12:14:45","date_gmt":"2024-12-20T14:14:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=67819"},"modified":"2024-12-20T12:14:45","modified_gmt":"2024-12-20T14:14:45","slug":"em-poder-pautadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/em-poder-pautadas\/","title":{"rendered":"Em poder, pautadas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Marina Oliveira, estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Putas e santas, recatadas e expansivas, fr\u00e1geis e insens\u00edveis. E, n\u00e3o ou, porque nascemos e morremos lutando pelo direito de ser, embora este nos seja negado desde o princ\u00edpio quando, por medo, inseguran\u00e7a ou qualquer outra fragilidade &#8211; t\u00edpica do g\u00eanero masculino &#8211; decidiram apagar as nossas hist\u00f3rias. Somos tanto, muito al\u00e9m de qualquer dualidade em que tentem nos encaixar. Sempre \u201ch\u00e1 uma hist\u00f3ria que n\u00e3o est\u00e1 na hist\u00f3ria e que s\u00f3 pode ser resgatada agu\u00e7ando os ouvidos e escutando o sussurro das mulheres\u201d, como afirma Rosa Montero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mulher, jornalista (e muito mais), a escritora recupera na obra <em>N\u00f3s, mulheres <\/em>a hist\u00f3ria de personalidades femininas que lutaram por sua exist\u00eancia e, consequentemente, a de todas n\u00f3s, mulheres. Montero destaca o apagamento hist\u00f3rico das mulheres ao longo do tempo como importante ferramenta de manuten\u00e7\u00e3o do patriarcado. Fossem elas hero\u00ednas ou vil\u00e3s, n\u00e3o nos cabe julgar, afinal este \u00e9 um exerc\u00edcio masculino. A quest\u00e3o \u00e9: viemos de uma hist\u00f3ria de luta, mas por quanto tempo, e como, ainda teremos que lutar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejo que somos a arma mais forte que temos e, enquanto seres pol\u00edticos, talvez a sa\u00edda seja mudar o curso da hist\u00f3ria que escreveram para n\u00f3s por meio da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Afinal, no pa\u00eds em que mais da metade dos eleitores s\u00e3o mulheres, \u00e9 ineg\u00e1vel que nosso futuro est\u00e1 em nossas m\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo estat\u00edsticas do TSE Mulher, coletadas entre 2016 e 2022, 52% do eleitorado brasileiro \u00e9 feminino, 33% dos candidatos \u00e0s elei\u00e7\u00f5es daquele per\u00edodo eram mulheres e 15% das candidaturas eleitas eram femininas. Parece pouco, e \u00e9, mas j\u00e1 foi imposs\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conquistamos o direito ao voto e \u00e0 candidatura a cargos pol\u00edticos h\u00e1 menos de um s\u00e9culo. Foi o Decreto n\u00ba 21.076 de 1934 que garantiu \u00e0s mulheres acima de 21 anos o \u2018benef\u00edcio\u2019 do voto e tamb\u00e9m de serem votadas. Tudo isso para que, 90 anos depois, a gente tenha que ouvir de um dos candidatos \u00e0 prefeitura da maior capital do pa\u00eds que \u201cmulher n\u00e3o vota em mulher, a mulher \u00e9 inteligente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse tipo de discurso, al\u00e9m de ignorante e contradit\u00f3rio, deslegitima n\u00e3o somente a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres como tamb\u00e9m a nossa exist\u00eancia, afinal, o patriarcado tenta &#8211; desde sempre e a todo o custo &#8211; se manter no poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">C\u00e1rmen L\u00facia, mulher, jurista, professora e magistrada brasileira, atual ministra do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, afirmou, durante o evento Mesa Mulher na Pol\u00edtica, em 2022, que a desigualdade de g\u00eanero \u00e9 uma viol\u00eancia j\u00e1 integrada na sociedade e que nem mesmo a pol\u00edtica foi capaz de superar isso. \u201cAo longo da hist\u00f3ria, as mulheres t\u00eam sido silenciadas. A falta de uma voz que seja ouvida \u00e9 planejada e preparada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante de tantas limita\u00e7\u00f5es e impedimentos, buscar for\u00e7a na resist\u00eancia feminina pode parecer um caminho truculento, mas recompensador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 dez anos a primeira mulher eleita \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica do Brasil foi reeleita. Por n\u00e3o ceder \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es do patriarcado, Dilma Rousseff sofreu impeachment, declarado em 2016. As provas de inoc\u00eancia da presidente come\u00e7aram a surgir durante o pr\u00f3prio processo, mas foi s\u00f3 em mar\u00e7o de 2022 que o Tribunal Regional Federal da 2\u00aa Regi\u00e3o (TRF-2) anulou a condena\u00e7\u00e3o. O golpe sofrido n\u00e3o atingiu somente Dilma, mas tamb\u00e9m &#8211; e principalmente &#8211; a democracia brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como Dilma, outra importante figura da hist\u00f3ria brasileira tamb\u00e9m sofreu <em>impeachment. <\/em>Em 1992, o ent\u00e3o Presidente da Rep\u00fablica Fernando Collor de Mello enfrentou uma situa\u00e7\u00e3o parecida, n\u00e3o fosse o esquema de corrup\u00e7\u00e3o no governo que, neste caso, realmente existiu. Acontece que, al\u00e9m de culpado, Collor tamb\u00e9m \u00e9 homem e, assim que teve in\u00edcio o julgamento do processo de <em>impeachment <\/em>, o Presidente renunciou ao cargo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferente de Collor, Dilma resistiu, permanecendo no cargo at\u00e9 ser deposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A justi\u00e7a nem sempre \u00e9 justa, mas desistir n\u00e3o faz parte de quem somos. A democracia depende da for\u00e7a e da participa\u00e7\u00e3o feminina para continuar resistindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ano, pela primeira vez na hist\u00f3ria de Frederico Westphalen, munic\u00edpio localizado no interior do Rio Grande do Sul, tr\u00eas mulheres foram eleitas para o cargo no Poder Legislativo, sendo que duas delas tiveram o maior n\u00famero de votos entre todos os candidatos do pleito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As revolu\u00e7\u00f5es levam tempo, por isso a resili\u00eancia. Sejamos ent\u00e3o tranquilas, assim como eles esperam, enquanto se articulam para que nada fuja de seu controle. Afinal, se n\u00e3o podemos com eles, vamos nos infiltrar, e quando estivermos l\u00e1 dentro acabamos com eles, com gentileza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre encontramos espa\u00e7o, afinal, somos mulheres inteligentes, e n\u00f3s, mulheres inteligentes, lutamos para ser quem a gente quiser. Por isso, mulher vota em mulher, elege mulher e reivindica os direitos de todas.&nbsp; At\u00e9 porque, nossa exist\u00eancia \u00e9 um verdadeiro ato pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/desculpa-o-aue-eu-nao-queria-magoar-voce\/opiniao-do-ouvinte\/\" rel=\"attachment wp-att-67817\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-67817\" src=\"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Opiniao-do-ouvinte.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Opiniao-do-ouvinte.jpg 1200w, https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Opiniao-do-ouvinte-300x175.jpg 300w, https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Opiniao-do-ouvinte-1024x597.jpg 1024w, https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Opiniao-do-ouvinte-768x448.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marina Oliveira, estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen Putas e santas, recatadas e expansivas, fr\u00e1geis e insens\u00edveis. 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