{"id":66957,"date":"2024-11-18T09:18:01","date_gmt":"2024-11-18T11:18:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=66957"},"modified":"2024-11-18T09:18:02","modified_gmt":"2024-11-18T11:18:02","slug":"hostilidade-e-preconceito-marcam-a-vida-de-mulheres-companheiras-de-presos-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/hostilidade-e-preconceito-marcam-a-vida-de-mulheres-companheiras-de-presos-no-brasil\/","title":{"rendered":"Hostilidade e Preconceito marcam a vida de mulheres companheiras de presos no Brasil"},"content":{"rendered":"<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que leva algumas mulheres a manter relacionamentos com homens privados de liberdade, mesmo enfrentando humilha\u00e7\u00f5es e preconceitos? Esse foi o ponto de partida da pesquisa de mestrado de Rayssa Brum, defendida em 2021 no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia da UFSM, que buscou investigar as experi\u00eancias e as dificuldades de companheiras de detentos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o desenvolvimento da pesquisa, Rayssa realizou entrevistas com 12 mulheres que estavam em relacionamento, do tipo uni\u00e3o est\u00e1vel ou casamento, com homens privados de liberdade. As entrevistadas tinham idade entre 20 e 41 anos, e residiam em diferentes estados (sete em S\u00e3o Paulo, duas no Rio Grande do Sul, uma em Goi\u00e1s, uma em Mato Grosso do Sul e uma em Santa Catarina). Entre elas, 10 s\u00e3o m\u00e3es, das quais duas t\u00eam filhos que n\u00e3o s\u00e3o fruto de seu relacionamento atual. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao perfil dos homens encarcerados, tr\u00eas estavam presos pela primeira vez e os outros nove j\u00e1 haviam cumprido pena uma ou duas vezes antes do per\u00edodo da pesquisa, que foi realizada entre os meses de junho e julho de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para encontrar as entrevistadas, a autora publicou um convite \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no estudo em dois grupos no Facebook voltados a familiares e companheiras de homens privados de liberdade. Os grupos foram criados para trocas de informa\u00e7\u00f5es sobre a log\u00edstica de visita \u00e0 pris\u00e3o e demais quest\u00f5es particulares \u00e0s viv\u00eancias de quem tem um parente\/companheiro em c\u00e1rcere privado.&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: large;\">\u201cA gente n\u00e3o tem apoio de ningu\u00e9m\u201d<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um artigo publicado na&nbsp;<a href=\"https:\/\/revistas.pucp.edu.pe\/index.php\/psicologia\/article\/view\/27878\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/revistas.pucp.edu.pe\/index.php\/psicologia\/article\/view\/27878&amp;source=gmail&amp;ust=1732014697672000&amp;usg=AOvVaw3i-tRjwPuFwAdnznH1RE4z\">Revista de Psicologia da Pontificia Universidad Cat\u00f3lica del Per\u00fa (PUCP)<\/a>, a pesquisadora exp\u00f5e a hostilidade enfrentada por mulheres que t\u00eam companheiros encarcerados. Mesmo sem qualquer envolvimento em crimes, elas sofrem com o tratamento hostil em suas rotinas. Uma entrevistada, por exemplo, compartilha a humilha\u00e7\u00e3o de ver os lanches que traz para o marido despeda\u00e7ados pelos agentes penitenci\u00e1rios:&nbsp;\u201celes [agentes penitenci\u00e1rios] reviram toda a comida, parece que eles est\u00e3o com \u00f3dio da comida. Misturam tudo como se fosse lavagem. Enfiam garfo e faca [no bolo]. A gente leva bolo, eles despeda\u00e7am todo o bolo. Eu n\u00e3o desejo isso nem para o meu pior inimigo\u201d\u2019, desabafa. Outra mulher descreve o constrangimento de passar pelas revistas \u00edntimas: \u201cNa revista \u00edntima tem que ficar tirando a roupa, o que \u00e9 humilhante, chato. Voc\u00ea tira as roupas na frente da agente, e ainda tira a roupa na frente de outras pessoas\u201d, conta, expondo a experi\u00eancia vexat\u00f3ria de cada visita.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os depoimentos destacam a urg\u00eancia da elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas a essas mulheres que, de certa forma, tamb\u00e9m vivem o cotidiano da pris\u00e3o. Para Rayssa, \u201c\u00e9 de&nbsp;extrema import\u00e2ncia que as relac\u0327o\u0303es familiares e conjugais sejam inclui\u0301das nas discusso\u0303es que permeiam o sistema prisional brasileiro, nos a\u0302mbitos juri\u0301dico e de sau\u0301de\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 18 de outubro deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) votou a favor (seis votos contra quatro) da&nbsp;<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=4956054\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente%3D4956054&amp;source=gmail&amp;ust=1732014697672000&amp;usg=AOvVaw2KCpvtrWQDFBguepSDR_kA\">proibi\u00e7\u00e3o das revistas \u00edntimas<\/a>&nbsp;em visitantes de presos. Contudo, a decis\u00e3o pode ser alterada, pois o ministro Alexandre de Moraes prop\u00f4s levar o caso a um julgamento presencial, marcado para dia 13 de novembro. Caso se mantenha a decis\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o, as inspe\u00e7\u00f5es das partes \u00edntimas dos visitantes ser\u00e3o proibidas. No lugar desta pr\u00e1tica, a indica\u00e7\u00e3o \u00e9 que se use&nbsp;<i>scanners&nbsp;<\/i>corporais, esteiras de raio-X e detectores de metais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que uma medida como essa represente um importante avan\u00e7o para a dignidade de familiares de pessoas presas, ela ainda n\u00e3o consegue solucionar o comportamento preconceituoso com o qual a sociedade e alguns agentes penitenci\u00e1rios tratam as mulheres que frequentam os pres\u00eddios. Segundo narrado por elas, em dia de visita \u00e9 preciso ser feita uma prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via ao momento de, enfim, encontrar seus companheiros. Elas precisam conseguir libera\u00e7\u00e3o do trabalho para estarem livres nos dias de visita; muitas vezes t\u00eam que se deslocar de uma cidade para outra para chegar ao pres\u00eddio; fazer compras e preparar receitas com anteced\u00eancia para colocar nos jumbos (pacotes enviados aos presos, com itens de higiene, roupas, produtos de limpeza e alimentos); adquirir roupas adequadas \u00e0s exig\u00eancias de vestimenta das cadeias; e pegar transporte durante a madrugada para chegar ao hor\u00e1rio de visita. Tudo isso, muitas vezes, com filhos pequenos acompanhando, j\u00e1 que essas mulheres n\u00e3o costumam contar com redes de apoio. Geralmente, as visitas s\u00e3o permitidas duas vezes por semana, em hor\u00e1rio comercial, mas a log\u00edstica varia conforme as regras de cada unidade prisional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rayssa Brum explica que \u00e9 comum que mulheres casadas com detentos modifiquem toda a organiza\u00e7\u00e3o de suas vidas em prol da manuten\u00e7\u00e3o do relacionamento e dos cuidados com o companheiro. \u00c9 habitual que ela abandonem o emprego formal para buscar trabalhos com hor\u00e1rios mais flex\u00edveis, justamente para que possam visitar os maridos e estar dispon\u00edveis para atenderem as liga\u00e7\u00f5es nos hor\u00e1rios permitidos aos detentos. Ao mesmo tempo, as despesas da fam\u00edlia aumentam, com gastos adicionais nas viagens \u00e0 pris\u00e3o e com a compra de itens para o jumbo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dessa l\u00f3gica, a pesquisadora comenta que a literatura da \u00e1rea frequentemente classifica essas mulheres como \u201cv\u00edtimas colaterais\u201d do sistema penal. Ela menciona o conceito de \u201cprisioniza\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria\u201d, cunhado por pela soci\u00f3loga Megan Comfort, que descreve o impacto psicol\u00f3gico e social sobre essas mulheres, que, em certo sentido, acabam cumprindo uma pena ao lado de seus companheiros encarcerados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da exaust\u00e3o imposta pelas mudan\u00e7as no cotidiano ap\u00f3s o encarceramento de seus companheiros, as entrevistadas tamb\u00e9m enfrentam hostilidades e dificuldades nas suas rotinas, como relatado a seguir:&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><i>\u201cAgora eu to indo de t\u00e1xi [ao pres\u00eddio], mas eu j\u00e1 fui de \u00f4nibus e, se eu pego um \u00f4nibus com uma sacola, as pessoas te olham assim: \u2018a\u00ed, j\u00e1 vai pra cadeia\u2019\u201d.<\/i><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><i>\u2018\u2019Ficou tudo para mim, tudo, tudo. N\u00e3o tem mais aquela pessoa com quem eu vou dividir a vida. Eu que tenho que sair para trabalhar, voltar pra casa, cuidar das minhas filhas. Na vida particular mudou tudo, n\u00e3o tem mais ningu\u00e9m que eu possa dividir mais nada. Eu passei a ser o homem da casa, pai e m\u00e3e, tudo.\u2019\u2019<\/i><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><i>\u2018\u2019A gente n\u00e3o tem apoio de ningu\u00e9m nessa hora. Todo mundo vira as costas, principalmente a fam\u00edlia. (..) J\u00e1 era pra eu ter terminado a faculdade, mas a\u00ed eu n\u00e3o consegui, porque era ele que ficava com as meninas pra eu poder ir pra faculdade \u00e0 noite, era s\u00f3 ele que cuidava. Eu n\u00e3o tenho quem realmente me apoie nessa parte de cuidar das minhas filhas.\u2019\u2019<\/i><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por conta do abandono social, o que costuma restar a essas mulheres \u00e9 a amizade umas com as outras, j\u00e1 que compartilham das mesmas dores e rotinas, como conta uma das esposas:&nbsp;\u201cAs minhas amizades todas acabaram, eu s\u00f3 converso com as meninas, que s\u00e3o as mesmas que visitam os companheiros tamb\u00e9m\u201d. Nesse sentido, pesquisas como a de Rayssa servem para trazer \u00e0 tona tem\u00e1ticas que costumam permanecer escondidas, como \u00e9 o caso das viv\u00eancias de mulheres companheiras de detentos. A pesquisadora acredita que a Psicologia pode refletir com mais propriedade sobre o assunto e divulgar conhecimentos acerca de tais viv\u00eancias.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: large;\">Por que elas continuam casadas com eles?<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa pergunta pode ter surgido enquanto voc\u00ea lia os relatos das companheiras de homens privados de liberdade. Rayssa Brum comenta que, em outros artigos, como&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/pusf\/a\/fWGxJ5qfNgQRSDGK8mxh5Yx\/?lang=pt#\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.scielo.br\/j\/pusf\/a\/fWGxJ5qfNgQRSDGK8mxh5Yx\/?lang%3Dpt%23&amp;source=gmail&amp;ust=1732014697672000&amp;usg=AOvVaw0VypYb7GraAqzDjwHWTqZ1\">este<\/a>, explorou-se a qualidade do v\u00ednculo conjugal entre elas e seus parceiros encarcerados. Essa an\u00e1lise \u00e9 feita com base na avalia\u00e7\u00e3o fornecida pelas pr\u00f3prias participantes da rela\u00e7\u00e3o, neste caso, as esposas. Surpreendentemente, o estudo revelou uma alta qualidade conjugal. Segundo Rayssa, isso se deve, em grande parte, ao foco no futuro e \u00e0 esperan\u00e7a de um recome\u00e7o ap\u00f3s a pris\u00e3o, al\u00e9m de uma cren\u00e7a na mudan\u00e7a do parceiro. \u201cEsse \u00faltimo aspecto apareceu bastante nos meus resultados. Muitos dos companheiros das participantes possui\u0301am trajeto\u0301rias de vida marcadas pela viole\u0302ncia e\/ou pelo crime, eram reincidentes, muitos tamb\u00e9m possui\u0301am penas bastante longas. No entanto, havia uma crenc\u0327a por parte das participantes de que o amor e o cuidado que elas direcionavam aos homens fariam com que eles sai\u0301ssem do \u2018mundo do crime&#8217;\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o per\u00edodo de encarceramento, as entrevistadas relatavam que seus esposos adotavam comportamentos diferentes, muitas vezes mostrando-se mais atenciosos e cuidadosos com elas e com a rela\u00e7\u00e3o. De forma paradoxal, isso fazia com que as mulheres vissem a pris\u00e3o de seus companheiros sob uma perspectiva positiva. Essa percep\u00e7\u00e3o foi compreendida como um mecanismo psicol\u00f3gico adotado pelas entrevistadas para romantizar a rela\u00e7\u00e3o, ainda que em contextos complexos, como os j\u00e1 citados.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm uma sociedade marcada por valores patriarcais, ter um relacionamento amoroso \u00e9 uma forma de subjetiva\u00e7\u00e3o da mulher, de modo que estar em uma rela\u00e7\u00e3o \u00e9 visto como uma forma de legitima\u00e7\u00e3o feminina\u201d, elucida Rayssa. Portanto, \u00e9 preciso pensar nas rela\u00e7\u00f5es destas pessoas de uma perspectiva mais ampla, e n\u00e3o como se fossem parte de uma realidade paralela. Afinal, \u201ca pris\u00e3o est\u00e1 na sociedade e a sociedade est\u00e1 na pris\u00e3o, o que quer dizer que a pris\u00e3o sustenta e reproduz l\u00f3gicas da sociedade mais ampla, dentre as quais aqui consideram-se os pap\u00e9is de g\u00eanero\u201d, refor\u00e7a a pesquisadora. Logo, os pap\u00e9is de g\u00eanero permanecem inalterados mesmo em rela\u00e7\u00f5es afetadas pelo encarceramento: as mulheres continuam assumindo a responsabilidade das atividades da casa e o cuidado afetivo dos filhos, familiares e do marido, enquanto essas tarefas n\u00e3o recaem sobre os homens, ainda mais quando est\u00e3o no contexto prisional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa desigualdade se torna ainda mais evidente quando o papel de apoio familiar \u00e9 analisado. Segundo Rayssa, h\u00e1 uma clara diferen\u00e7a no suporte recebido por homens e mulheres quando s\u00e3o encarcerados. No caso de mulheres privadas de liberdade,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/pcp\/a\/hChkrRsYJVKSw9cPq6PqMQM\/?lang=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.scielo.br\/j\/pcp\/a\/hChkrRsYJVKSw9cPq6PqMQM\/?lang%3Dpt&amp;source=gmail&amp;ust=1732014697672000&amp;usg=AOvVaw3NIhFScI9wuBphbHM0u6BY\">estudos brasileiros<\/a>&nbsp;indicam que elas frequentemente s\u00e3o abandonadas pelos companheiros. A maior parte dos visitantes das detentas s\u00e3o m\u00e3es, filhas e amigas, enquanto os homens representam uma pequena parcela, refor\u00e7ando, mais uma vez, a reprodu\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is de g\u00eanero historicamente normalizados pela sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros fatores que contribuem para a perman\u00eancia no relacionamento s\u00e3o a autonomia e a liberdade que as esposas passam a ter com a pris\u00e3o dos companheiros, uma vez que muitas delas eram inferiorizadas dentro da rela\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo abusadas psicol\u00f3gica e fisicamente. O encarceramento permite que elas passem a ocupar uma posi\u00e7\u00e3o de maior controle e decis\u00e3o em suas vidas: \u201cEnt\u00e3o, embora o ca\u0301rcere separe os casais, ele possibilita a continuidade dos relacionamentos, ao coibir comportamentos que, anteriormente a\u0300 prisa\u0303o, os atravessavam de forma importante. Na\u0303o se quer ocupar esse espac\u0327o, na\u0303o se quer ter um companheiro preso, mas, ao mesmo tempo, prefere-se que esses homens estejam ali do que em outros espac\u0327os\u201d, explica Rayssa Brum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como resultado da sua investiga\u00e7\u00e3o, a pesquisadora demonstrou a influ\u00eancia dos pap\u00e9is de g\u00eanero na manuten\u00e7\u00e3o de relacionamentos entre mulheres livres e homens privados de liberdade, o que refor\u00e7a a necessidade de se pensar em iniciativas p\u00fablicas que promovam espa\u00e7os de reflex\u00e3o acerca do tema, para que as esposas dos detentos tenham a quem recorrer para pensar formas de manter, ou n\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o, conforme comenta a psic\u00f3loga: \u2018\u2019salienta-se a necessidade de pol\u00edticas pu\u0301blicas e a\u00e7\u00f5es intersetoriais que oferec\u0327am espac\u0327os de reflexa\u0303o sobre ge\u0302nero, fami\u0301lias e relac\u0327o\u0303es conjugais para homens e mulheres, com vistas a fornecer suporte tanto para a manutenc\u0327a\u0303o das relac\u0327o\u0303es, quanto para busca de outros caminhos de vida, quando suas relac\u0327o\u0303es na\u0303o se mostrarem sauda\u0301veis.\u2019\u2019<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: large;\">Pr\u00f3ximos passos da pesquisa<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artigo \u201cExperi\u00eancias de mulheres companheiras de homens presos dentro e fora das pris\u00f5es\u201d \u00e9 fruto da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado defendida por Rayssa Brum em 2023, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Caroline Pereira (UFSM) e coorienta\u00e7\u00e3o de Luciane Smeha (UFN).&nbsp; Clique&nbsp;<a href=\"https:\/\/repositorio.ufsm.br\/handle\/1\/23755\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/repositorio.ufsm.br\/handle\/1\/23755&amp;source=gmail&amp;ust=1732014697672000&amp;usg=AOvVaw0PWaTgcghOELaVEQ9zNpbK\">aqui<\/a>&nbsp;para acessar o texto da disserta\u00e7\u00e3o de Rayssa na \u00edntegra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, Rayssa \u00e9 estudante do doutorado na UFSM e segue estudando sobre conjugalidades, mas seu enfoque est\u00e1 sendo em casais homoafetivos e processos de psicoterapia de casal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Reportagem completa em&nbsp;<a href=\"https:\/\/ufsm.br\/r-1-67584\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/ufsm.br\/r-1-67584&amp;source=gmail&amp;ust=1732014697672000&amp;usg=AOvVaw06pyT8PCELeRlaFk_lPbB-\">https:\/\/ufsm.br\/r-1-67584<\/a><\/i><\/p>\n<\/div>\n<div><a href=\"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/hostilidade-e-preconceito-marcam-a-vida-de-mulheres-companheiras-de-presos-no-brasil\/destaque_-768x512\/\" rel=\"attachment wp-att-66958\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-66958\" src=\"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Destaque_-768x512-1.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Destaque_-768x512-1.jpg 768w, https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Destaque_-768x512-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que leva algumas mulheres a manter relacionamentos com homens privados de liberdade, mesmo enfrentando humilha\u00e7\u00f5es e preconceitos? 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