{"id":66667,"date":"2024-10-31T17:16:37","date_gmt":"2024-10-31T19:16:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=66667"},"modified":"2024-11-09T13:46:20","modified_gmt":"2024-11-09T15:46:20","slug":"afinal-o-que-vale-a-pena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/afinal-o-que-vale-a-pena\/","title":{"rendered":"Afinal, o que vale a pena?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/afinal-o-que-vale-a-pena\/cronica-capa-4\/\" rel=\"attachment wp-att-66874\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-66874\" src=\"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CRONICA-CAPA.jpg\" alt=\"\" width=\"1680\" height=\"945\" srcset=\"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CRONICA-CAPA.jpg 1680w, https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CRONICA-CAPA-300x169.jpg 300w, https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CRONICA-CAPA-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CRONICA-CAPA-768x432.jpg 768w, https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CRONICA-CAPA-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CRONICA-CAPA-1200x675.jpg 1200w, https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CRONICA-CAPA-1280x720.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1680px) 100vw, 1680px\" \/><\/a>O vento assobiava l\u00e1 fora, os galhos das \u00e1rvores balan\u00e7avam de um lado para o outro. O sol, com seus raios, invadia o ch\u00e3o da minha cozinha, atrav\u00e9s da janela. Minha casa estava em total sil\u00eancio. Sem o som dos meus passos, do barulho do chuveiro, da m\u00e1quina de lavar, da televis\u00e3o, do barulho dos meus dedos teclando no notebook. E eu estava ali, deitada na minha cama, enrolada em cobertores que me traziam o conforto da casa dos meus pais e me faziam recordar das manh\u00e3s em que acordava com o som das vozes deles tomando chimarr\u00e3o na sala e conversando sobre a previs\u00e3o do tempo. Fechei os olhos, e por um momento, imaginei estar l\u00e1.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim como os raios do sol refletiam no ch\u00e3o da cozinha da minha casa, eles adentravam a casa dos meus pais de maneira imponente e gloriosa. Iluminava todo o ambiente e me dava uma sensa\u00e7\u00e3o de aconchego. Quando levantava da cama abria as portas e as cortinas para que eles tomassem conta. Colocava a mesa do caf\u00e9, com uma toalha toda colorida, com desenhos de panelas e potes de a\u00e7\u00facar. Depois, pegava as x\u00edcaras, o caf\u00e9 sol\u00favel e o a\u00e7\u00facar que estavam no guarda lou\u00e7as. Havia sempre tr\u00eas x\u00edcaras na mesa, porque meu irm\u00e3o n\u00e3o tomava caf\u00e9 com n\u00f3s. As colheres, as facas, e a faca que meu pai dizia que era para cortar o p\u00e3o, eu buscava na gaveta da cozinha, abaixo da pia. O p\u00e3o, a chimia, o leite, a margarina e a mortadela estavam na geladeira.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois da mesa posta, arrumava os quartos, colocava as roupas lavarem e esperava meus pais terminarem de ordenhar as vacas. E da janela do meu quarto, que tinha vista diretamente para o galp\u00e3o que meus pais estavam, observava o quanto eles trabalhavam e lutavam para cuidarem de mim e do meu irm\u00e3o. Naquele instante meu cora\u00e7\u00e3o ficou apertado, uma ang\u00fastia tomou conta do meu ser e percebi o quanto eu n\u00e3o tinha aproveitado viver com eles todos os momentos poss\u00edveis.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Meus olhos piscaram e eu sa\u00ed daquele estado que me encontrava, paralisada por alguns segundos. Voltei \u00e0 cozinha e meus pais entraram pela porta, me deram bom dia, falaram o que iriam fazer depois do caf\u00e9 da manh\u00e3. Minha m\u00e3e perguntou o que eu gostaria de almo\u00e7ar, qual era o hor\u00e1rio. As vozes, os barulhos dos passos, das colheres mexendo no caf\u00e9 com leite, invadiam o ambiente. E meu cora\u00e7\u00e3o se acalmava, como se aquilo preenchesse minha alma e me deixasse em seguran\u00e7a.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Abri os olhos, assustada e ao mesmo tempo feliz. Tinha sonhado com a minha fam\u00edlia, que estava distante. L\u00e1grimas rolavam do meu rosto. Eram de felicidade em saber que tinha criado tantas mem\u00f3rias, ter sido t\u00e3o amada e por saber que posso voltar a qualquer momento que eles estar\u00e3o l\u00e1.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por muitas vezes questionei se tudo isso vale a pena. Sair da casa dos pais, morar sozinha, estudar, buscar melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. E a resposta \u00e9 sim, vale muito. Vale cada sorriso que seus pais e seu irm\u00e3o d\u00e3o quando te v\u00eaem chegar. Quando voc\u00ea leva uma lembrancinha para eles. Quando voc\u00ea conta uma conquista. Quando voc\u00ea consegue um emprego. Quando voc\u00ea realiza seus sonhos. Por mais pequenos que sejam, eles sempre me apoiam em tudo. Desde conseguir pagar o aluguel com o meu dinheiro at\u00e9 o certificado de um curso. E \u00e9 isso que faz tudo valer a pena.<\/span><\/p>\n<p><em>Caroline Schepp<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O vento assobiava l\u00e1 fora, os galhos das \u00e1rvores balan\u00e7avam de um lado para o outro. O sol, com seus raios, invadia o ch\u00e3o da minha cozinha, atrav\u00e9s da janela. Minha casa estava em total sil\u00eancio. 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