{"id":64024,"date":"2024-08-19T10:17:11","date_gmt":"2024-08-19T12:17:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=64024"},"modified":"2024-08-19T10:17:12","modified_gmt":"2024-08-19T12:17:12","slug":"orgulho-lesbico-pesquisadoras-unem-ativismo-e-producao-intelectual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/orgulho-lesbico-pesquisadoras-unem-ativismo-e-producao-intelectual\/","title":{"rendered":"Orgulho l\u00e9sbico: pesquisadoras unem ativismo e produ\u00e7\u00e3o intelectual"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Orgulho, no sentido coletivo, \u00e9 um sentimento de satisfa\u00e7\u00e3o com as realiza\u00e7\u00f5es de outras pessoas com quem se tem algum v\u00ednculo ou identidade. A constru\u00e7\u00e3o do orgulho coletivo, assim, passa pelo conhecimento que o grupo tem da pr\u00f3pria trajet\u00f3ria. Nesta, segunda-feira (19), quando se celebra o Dia do Orgulho L\u00e9sbico,&nbsp;pesquisadoras falam sobre o seu trabalho para ampliar&nbsp;os significados dessa identidade sexual e pol\u00edtica.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1608394&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1608394&amp;o=node\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A data \u00e9 sempre lembrada pelo epis\u00f3dio hist\u00f3rico do Ferro&#8217;s Bar, estabelecimento na regi\u00e3o bo\u00eamia do centro de S\u00e3o Paulo, que foi palco de um ato de mulheres l\u00e9sbicas em 1983. O local tinha virado uma refer\u00eancia para essa&nbsp;comunidade, que&nbsp;viu nascer ali uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das frequentadoras. Um dos s\u00edmbolos do movimento&nbsp;era a circula\u00e7\u00e3o do boletim Chanacomchana, que teve a venda proibida pelos propriet\u00e1rios do bar. Nasceu assim a manifesta\u00e7\u00e3o mais famosa protagonizada por l\u00e9sbicas no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos dias atuais, al\u00e9m da milit\u00e2ncia nas ruas e nas plataformas digitais, grupos de pesquisadoras l\u00e9sbicas t\u00eam investido for\u00e7as na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, nas disputas de mem\u00f3ria e na ocupa\u00e7\u00e3o de&nbsp;espa\u00e7os acad\u00eamicos. Elas compartilham viv\u00eancias intelectuais e combatem o silenciamento e a invisibilidade que sempre foram o padr\u00e3o nesses ambientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o caso de Paula Silveira-Barbosa, de 28 anos, graduada e mestre em Jornalismo. Ela come\u00e7ou os estudos sobre imprensa alternativa, at\u00e9 descobrir fontes sobre a imprensa l\u00e9sbica dos anos 1980. O tema foi levado para o mestrado, quando analisou a hist\u00f3ria das publica\u00e7\u00f5es e o que elas podiam trazer de legado para o jornalismo no geral. A pesquisa virou livro e foi semifinalista do Pr\u00eamio Jabuti Acad\u00eamico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paula foi uma das fundadoras do Arquivo L\u00e9sbico Brasileiro (ALB),&nbsp;iniciativa que come\u00e7ou em dezembro de 2020&nbsp;por um grupo de pesquisadoras e ativistas l\u00e9sbicas. O grupo apresenta como principal miss\u00e3o preservar registros hist\u00f3ricos relacionados \u00e0s lesbianidades do Brasil e do exterior, e democratizar o acesso aos itens de pesquisa. Nesse sentido, preservar e conhecer melhor a mem\u00f3ria promove o reencontro com refer\u00eancias importantes do passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando a gente se envolve em movimento social, em algum tipo de ativismo, \u00e9 comum achar que somos as pessoas mais revolucion\u00e1rias, que ningu\u00e9m nunca foi t\u00e3o vanguarda. Quando a gente olha para o que muitas l\u00e9sbicas fizeram no passado, desconfio que, em alguns assuntos, elas estavam sendo mais revolucion\u00e1rias do que a gente\u201d, diz Paula, que \u00e9 a atual diretora-geral da ALB. \u201cTemos muitas refer\u00eancias de mulheres l\u00e9sbicas nessa luta. A mem\u00f3ria do que elas fizeram&nbsp;do que&nbsp;produzem, do que&nbsp;continuam produzindo no presente, tamb\u00e9m nos ajuda&nbsp;a ter perspectiva de futuro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acervo digital tem&nbsp;variedade de artigos e pesquisas, e qualquer pessoa interessada pode acess\u00e1-lo, desde que fa\u00e7a&nbsp;cadastro pr\u00e9vio. O acesso \u00e9 gratuito, sendo vedada a reprodu\u00e7\u00e3o. O ALB tamb\u00e9m promove cursos de forma\u00e7\u00e3o, participa de debates e eventos sobre arquivos, mem\u00f3rias e ativismo. S\u00e3o comuns parcerias com entidades, acervos e institui\u00e7\u00f5es que defendem grupos historicamente marginalizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira cole\u00e7\u00e3o publicada no&nbsp;<em>site<\/em>&nbsp;foi&nbsp;<em>Imprensa L\u00e9sbica<\/em>, fontes que eram utilizadas pela maioria das pesquisadoras no in\u00edcio e que inclu\u00edam&nbsp;jornal, boletim, revista, dos anos 80 at\u00e9 os mais recentes. &#8211; feitos por l\u00e9sbicas para l\u00e9sbicas. A institui\u00e7\u00e3o promoveu&nbsp;curso sobre o assunto e fez campanha de financiamento coletivo. Com o dinheiro, desenvolveu o acervo digital e adquiriu equipamento para digitalizar, catalogar e higienizar o acervo.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">L\u00e9sbicas Que Pesquisam<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em agosto de 2017, foi criado o grupo L\u00e9sbicas Que Pesquisam (LQP), com o objetivo de visibilizar a presen\u00e7a l\u00e9sbica na academia \u2013 como estudantes, pesquisadoras ou professoras. Para catalogar as pesquisadoras, foi divulgado nas redes sociais um formul\u00e1rio de cadastro, que ficou dispon\u00edvel entre agosto de 2017 e janeiro de 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O LQP n\u00e3o tem restri\u00e7\u00f5es quanto aos temas e \u00e1reas de conhecimento. Portanto, n\u00e3o trata apenas de&nbsp;lesbianidades. A ideia central \u00e9 difundir reflex\u00f5es produzidas por mulheres l\u00e9sbicas. Pesquisadoras de qualquer titula\u00e7\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o em andamento podem entrar para a lista, desde graduandas at\u00e9 doutoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grupo desenvolve projetos como&nbsp;50 L\u00e9sbicas Para Lembrar e o Banco de Dados sobre o Movimento L\u00e9sbico no Brasil Contempor\u00e2neo. H\u00e1 tamb\u00e9m outras a\u00e7\u00f5es virtuais de divulga\u00e7\u00e3o&nbsp;de pesquisas, como o #l\u00e9sbicasquepesquisamnafederal, al\u00e9m&nbsp;do compartilhamento de textos in\u00e9ditos. A ideia \u00e9 que as pesquisadoras possam buscar refer\u00eancias entre elas mesmas e mostrar que o conhecimento cient\u00edfico n\u00e3o \u00e9 feito apenas por heterossexuais, brancos e elitistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As redes sociais do grupo trazem reflex\u00f5es abertas para entender o universo l\u00e9sbico contempor\u00e2neo: demandas nas mobiliza\u00e7\u00f5es de mulheres l\u00e9sbicas, organiza\u00e7\u00e3o do movimento l\u00e9sbico no Brasil; se o mais correto \u00e9 falar em movimento ou movimentos plurais l\u00e9sbicos; pontos de conflu\u00eancia e dissid\u00eancias; quest\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o sendo contempladas pelos debates.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Rede L\u00e9sbi Brasil<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Rede Nacional de Ativistas e Pesquisadoras L\u00e9sbicas e Bissexuais (Rede L\u00e9sbi Brasil) foi lan\u00e7ada em agosto de 2019 no Rio Grande do Sul, em audi\u00eancia p\u00fablica&nbsp;que tratava sobre feminic\u00eddio. O objetivo era agregar ativistas e pesquisadoras de todo o pa\u00eds, unir milit\u00e2ncia e produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. O trabalho da rede tem sido o de promover, ao mesmo tempo, semin\u00e1rios, cursos, debates e atos pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Rede L\u00e9sbi Brasil coloca como miss\u00e3o combater \u201ca condi\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria de invisibilidade e apagamento das quest\u00f5es l\u00e9sbicas e bissexuais\u201d. Existe o entendimento de que \u00e9 preciso politizar \u201cexperi\u00eancias, afetos e prazeres\u201d. E um dos caminhos para isso \u00e9 produzir pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas, a partir do protagonismo e dos olhares das mulheres l\u00e9sbicas, para que suas demandas&nbsp;sejam atendidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rede hoje tem mais de 60 mulheres conectadas em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. Uma delas \u00e9 Roselaine Dias, professora e mestre em educa\u00e7\u00e3o, doutoranda em ci\u00eancias humanas. Ela pesquisou sobre a LGBTQIfobia a partir da perspectiva de jovens de Campo Grande, na capital de&nbsp;Mato Grosso do Sul. Foram entrevistas com centenas de estudantes da maior escola de ensino m\u00e9dio do estado. O trabalho p\u00f4de ampliar a compreens\u00e3o sobre os diferentes tipos de viol\u00eancia de sexo e g\u00eanero presentes no ambiente escolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa jun\u00e7\u00e3o entre pol\u00edtica e produ\u00e7\u00e3o intelectual, abrem-se caminhos para desenvolver o orgulho, o afeto e a luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA gente consegue na inter-rela\u00e7\u00e3o, intersec\u00e7\u00e3o de rede, articula\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo, fomentar v\u00e1rios espa\u00e7os e campos de a\u00e7\u00e3o. Trazemos discuss\u00f5es sobre viv\u00eancia, milit\u00e2ncia e dores das mulheres l\u00e9sbicas. Isso fica claro nos simp\u00f3sios e atos pol\u00edticos de que participamos. Um bom exemplo \u00e9 o Ocupa Sapat\u00e3o, no Rio de Grande do Sul, em que articulamos ativistas e pesquisadoras para pensar nossas lutas e demandas. E dizemos ali para toda a cidade que temos o mesmo direito de estar ali, nas ruas brigando pelos nossos direitos. N\u00f3s articulamos pol\u00edtica, prazer, desejo, cultura e formas de viv\u00eancia no espa\u00e7o p\u00fablico\u201d, diz Roselaine.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Foto: Rede L\u00e9sbi Brasil\/Divulga\u00e7\u00e3o<a href=\"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/orgulho-lesbico-pesquisadoras-unem-ativismo-e-producao-intelectual\/rede_lesbi_brasil_integrantes\/\" rel=\"attachment wp-att-64025\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-64025\" src=\"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/rede_lesbi_brasil_integrantes-1024x613.webp\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"613\" srcset=\"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/rede_lesbi_brasil_integrantes-1024x613.webp 1024w, https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/rede_lesbi_brasil_integrantes-300x179.webp 300w, https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/rede_lesbi_brasil_integrantes-768x459.webp 768w, https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/rede_lesbi_brasil_integrantes.webp 1170w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orgulho, no sentido coletivo, \u00e9 um sentimento de satisfa\u00e7\u00e3o com as realiza\u00e7\u00f5es de outras pessoas com quem se tem algum v\u00ednculo ou identidade. 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