{"id":62905,"date":"2024-07-15T17:20:38","date_gmt":"2024-07-15T19:20:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=62905"},"modified":"2024-07-15T17:20:39","modified_gmt":"2024-07-15T19:20:39","slug":"por-que-quase-nao-neva-no-rs-entenda-as-razoes-para-a-raridade-do-fenomeno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/por-que-quase-nao-neva-no-rs-entenda-as-razoes-para-a-raridade-do-fenomeno\/","title":{"rendered":"Por que quase n\u00e3o neva no RS? Entenda as raz\u00f5es para a raridade do fen\u00f4meno"},"content":{"rendered":"<div class=\"article-paragraph\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o final de junho,&nbsp;<strong>os ga\u00fachos t\u00eam enfrentado temperaturas abaixo da m\u00e9dia esperada para o inverno<\/strong>. Massas de ar polar com origem na Ant\u00e1rtida t\u00eam viajado para a Am\u00e9rica do Sul, passado pela Argentina e estacionado sobre o Rio Grande do Sul. E em caso de vento e umidade,<strong>&nbsp;a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que faz mais frio ainda<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com frente fria para c\u00e1 e massa de ar polar para l\u00e1,&nbsp;<strong>as paisagens do Estado dificilmente ficam cobertas de neve<\/strong>, como acontece nos invernos de outros pa\u00edses. No \u00faltimo final de semana, a Climatempo chegou a anunciar chance de neve em alguns pontos do RS,&nbsp;<strong>alerta que foi retirado durante a semana&nbsp;<\/strong>conforme as previs\u00f5es foram atualizadas.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade de&nbsp;<strong>Quara\u00ed<\/strong>, por exemplo, registrou marcas&nbsp;<strong>negativas nos term\u00f4metros em quatro dias na \u00faltima semana<\/strong>. Se nem com temperaturas abaixo de 0\u00b0 est\u00e1 nevando, o que, afinal, \u00e9 necess\u00e1rio para o fen\u00f4meno acontecer?<\/p>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<h4>O que precisa para nevar<\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Os cristais de gelo formados no interior das nuvens&nbsp;<strong>precisam do alinhamento de alguns fatores para chegarem inteiros at\u00e9 o solo<\/strong>, sem derreter. Para come\u00e7ar, a temperatura deve estar muito baixa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9lia Pegorim, meteorologista da Climatempo, explica que os cristais de gelo se agrupam para formar flocos, unidos pelo frio.&nbsp;<strong>Se a temperatura no lado de fora da nuvem for inferior a 0\u00b0C \u2013 e permanecer assim at\u00e9 o solo \u2013 os flocos caem na forma de neve<\/strong>. Isso s\u00f3 acontece quando a&nbsp;<strong>umidade<\/strong>&nbsp;tamb\u00e9m est\u00e1 elevada, permitindo a transforma\u00e7\u00e3o da \u00e1gua em gelo.<\/p>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u2014&nbsp;<strong>A neve \u00e9 um tipo de precipita\u00e7\u00e3o invernal s\u00f3lida<\/strong>&nbsp;\u2014 descreve a especialista \u2014 N\u00e3o existe um floco de neve igual ao outro, s\u00e3o milhares de formatos. O que define o tipo de cristal \u00e9 o caminho percorrido pela temperatura e umidade da nuvem e do ar.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A&nbsp;<strong>altitude n\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria<\/strong>. Cidades mais altas tendem a ser mais frias, porque&nbsp;<strong>o ar rarefeito tem uma menor capacidade de reter calor<\/strong>. Isso faz com que lugares como as serras ga\u00facha e catarinense tenham neve com mais frequ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m,&nbsp;<strong>a baixa altitude em locais como Nova York, Paris ou Londres n\u00e3o impede que os flocos caiam<\/strong>. Nesses casos,&nbsp;<strong>a atmosfera \u00e9 suficientemente \u00famida e fria para garantir as condi\u00e7\u00f5es ideais<\/strong>&nbsp;para o fen\u00f4meno acontecer. A neve precisa do alinhamento entre alta umidade e baixa temperatura.<\/p>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<h4>Nem s\u00f3 de neve vivem as nuvens<\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando todos os milhares de metros entre o solo e as nuvens est\u00e3o com temperatura negativa, os flocos chegam ao ch\u00e3o como neve.&nbsp;<strong>Por\u00e9m, se a temperatura subir, a precipita\u00e7\u00e3o \u00e9 outra<\/strong>. Os flocos podem entrar em contato com uma camada de ar mais quente, acima de 0\u00b0C, e derreter. Caso eles passem por uma zona mais fria, \u00e9 poss\u00edvel que as got\u00edculas de \u00e1gua congelem novamente.&nbsp;<\/p>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Se a \u00e1gua derretida consegue congelar de novo ainda no ar, a precipita\u00e7\u00e3o chega ao solo como&nbsp;<strong>chuva congelada<\/strong>. Se o resfriamento acontece na superf\u00edcie, o caso \u00e9 de&nbsp;<strong>chuva congelante<\/strong>. Agora, se o ar quente se estende at\u00e9 o solo, sem permitir que as got\u00edculas de \u00e1gua congelem novamente, \u00e9 a&nbsp;<strong>chuva<\/strong>&nbsp;que conhecemos bem.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong>O processo de resfriamento da atmosfera est\u00e1 diretamente ligado \u00e0s massas de ar<\/strong>. No nosso caso, a baixa temperatura vem do polo sul, como explica Jos\u00e9lia:<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u2014 O que causa a baixa temperatura no Brasil \u00e9 a passagem de massa de ar polar, as bolhas de ar frio que v\u00eam da Ant\u00e1rtida.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<h4>Granizo<\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>O granizo j\u00e1 \u00e9 um caso diferente. Quando se formam,&nbsp;<strong>os cristais de gelo dentro das nuvens se agrupam devido ao frio<\/strong>. Se a nuvem estiver gelada o suficiente \u2013 e aqui falamos de temperaturas na casa dos 30 ou 40 graus negativos \u2013&nbsp;<strong>os flocos se unem a ponto de formar pedras de gelo<\/strong>&nbsp;dos mais variados tamanhos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014&nbsp;<strong>Granizo \u00e9 um gelo que se formou dentro da nuvem e chega na superf\u00edcie ainda como pedra de gelo<\/strong>&nbsp;\u2014 pontua a meteorologista \u2014 N\u00e3o precisa necessariamente ter temperatura baixa entre a nuvem e o solo. Uma pedra de gelo grande diminui de tamanho com o derretimento que sofre na descida.<\/p>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong>Granizada<\/strong>, como s\u00e3o chamadas as ocorr\u00eancias de granizo,&nbsp;<strong>podem acontecer em qualquer esta\u00e7\u00e3o, o ano inteiro<\/strong>. No Rio Grande do Sul, \u00e9 f\u00e1cil encontrar pedras de gelo no ver\u00e3o e na primavera, \u00e0s vezes do tamanho de bolas de t\u00eanis. As nuvens muito geladas conseguem formar aglomerados de gelo t\u00e3o grandes que&nbsp;<strong>at\u00e9 o ar quente da atmosfera n\u00e3o \u00e9 capaz de derret\u00ea-las por completo<\/strong>. O que chega ao solo \u00e9 o que restou do processo de derretimento no caminho.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<h4>Geada n\u00e3o precipita<\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuva, neve e granizo s\u00e3o precipita\u00e7\u00f5es, ou seja, s\u00e3o o resultado do que cai das nuvens.&nbsp;<strong>Outro fen\u00f4meno recorrente no inverno \u00e9 a geada<\/strong>, forma\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica dos dias muito frios, mas que<strong>&nbsp;n\u00e3o vem do c\u00e9u<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u2014&nbsp;<strong>Geada \u00e9 o congelamento do orvalho noturno sobre as superf\u00edcies<\/strong>. Pode ter uma extens\u00e3o maior ou menor, depende da temperatura logo acima do solo \u2014 esclarece Jos\u00e9lia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>O orvalho, fen\u00f4meno contr\u00e1rio \u00e0 evapora\u00e7\u00e3o, \u00e9 o que acontece quando&nbsp;<strong>a umidade do ar encontra uma superf\u00edcie fria<\/strong>&nbsp;o suficiente para transformar as part\u00edculas em gotas.&nbsp;<strong>A geada n\u00e3o cai nem precipita<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Se forma em situa\u00e7\u00f5es de temperatura abaixo de 0\u00b0C no solo, n\u00e3o necessariamente no ar \u2014 completa.<\/p>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<h4>Por que n\u00e3o neva com frequ\u00eancia no RS e no Brasil?<\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Assim, para nevar, \u00e9 necess\u00e1rio que se combinem&nbsp;<strong>nuvens muito geladas, temperatura do ar negativa e alta umidade<\/strong>. O que acontece no Rio Grande do Sul e no resto do pa\u00eds \u00e9 que&nbsp;<strong>dificilmente tudo isso acontece ao mesmo tempo<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alguns casos de neve aconteceram nos estados da regi\u00e3o sul<\/strong>, lembra Jos\u00e9lia, como em&nbsp;<strong>1975<\/strong>,<strong>&nbsp;1994<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>2013<\/strong>.&nbsp;<strong>O final de junho marcou o anivers\u00e1rio de 30 anos da forte neve<\/strong>&nbsp;que caiu em regi\u00f5es&nbsp;<strong>da Serra, do Vale dos Sinos, das Miss\u00f5es e da Fronteira Oeste<\/strong>. Cidades como Uruguaiana, Santa Vit\u00f3ria do Palmar, S\u00e3o Luiz Gonzaga, Santa Maria, Cruz Alta, Passo Fundo, Bag\u00e9, Gramado e at\u00e9 Porto Alegre tiveram locais cobertos pela grossa camada branca.<\/p>\n<div class=\"article-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Os ga\u00fachos est\u00e3o, sim, acostumados com dias de frio de renguear cusco.&nbsp;<strong>Mas alinhar a temperatura com a umidade e garantir que o percurso inteiro entre a nuvem e o ch\u00e3o esteja abaixo dos 0\u00baC \u00e9 mais dif\u00edcil<\/strong>. At\u00e9 agora, n\u00e3o houve previs\u00e3o para nevar em 2024.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014&nbsp;<strong>S\u00f3 raramente voc\u00ea consegue essa combina\u00e7\u00e3o<\/strong>, normalmente n\u00e3o tem frio suficiente para ter nuvens formadoras de neve \u2014 conclui a meteorologista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fonte: Caroline Guarnieri \/ Zero Hora<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Foto: Studio Geremia \/ Acervo Arquivo Hist\u00f3rico Municipal Jo\u00e3o Spadari<a href=\"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/por-que-quase-nao-neva-no-rs-entenda-as-razoes-para-a-raridade-do-fenomeno\/5000743_7364742558d9469\/\" rel=\"attachment wp-att-62906\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-62906\" src=\"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/5000743_7364742558d9469.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/5000743_7364742558d9469.jpg 600w, https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/5000743_7364742558d9469-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o final de junho,&nbsp;os ga\u00fachos t\u00eam enfrentado temperaturas abaixo da m\u00e9dia esperada para o inverno. 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