{"id":59958,"date":"2023-09-26T09:36:25","date_gmt":"2023-09-26T11:36:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=59958"},"modified":"2023-09-26T09:36:25","modified_gmt":"2023-09-26T11:36:25","slug":"portaria-sobre-importacao-assinada-por-bolsonaro-tem-afetado-diretamente-produtores-de-leite-da-regiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/portaria-sobre-importacao-assinada-por-bolsonaro-tem-afetado-diretamente-produtores-de-leite-da-regiao\/","title":{"rendered":"Portaria sobre importa\u00e7\u00e3o assinada por Bolsonaro tem afetado diretamente produtores de leite da regi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Um dos \u201cabacaxis\u201d deixados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva descascar na agropecu\u00e1ria foi a redu\u00e7\u00e3o da tarifa de importa\u00e7\u00e3o do leite do Mercosul. Desde que a medida entrou em vigor, em maio do ano passado, as compras externas do produto ganharam impulso. Isso desequilibrou o mercado l\u00e1cteo interno e acentuou ainda mais a crise vivida h\u00e1 anos pelos produtores de leite, a maioria de pequenos e m\u00e9dios portes.<\/p>\n<p>Em 23 de maio de 2022, diante da disparada da infla\u00e7\u00e3o dos alimentos e de olho nas elei\u00e7\u00f5es de outubro, o governo Bolsonaro editou a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 353, por meio do Comit\u00ea-Executivo de Gest\u00e3o da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Exterior (Gecex), do Minist\u00e9rio da Economia, hoje Minist\u00e9rio da Fazenda. A medida tem validade at\u00e9 31 de dezembro.<\/p>\n<p>Com a resolu\u00e7\u00e3o, Bolsonaro tentou conter a desenfreada eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do leite. \u00c0 \u00e9poca, o litro do produto foi a R$ 7 ou mais em algumas das principais regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds. A medida freou em parte a onda altista, mas o valor do litro do leite n\u00e3o voltou aos antigos patamares e hoje custa, em m\u00e9dia, mais de R$ 4,50. Nem Bolsonaro conseguiu se reeleger.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do imposto de importa\u00e7\u00e3o do leite do Mercosul causou preocupa\u00e7\u00e3o entre os produtores, boa parte deles simpatizantes do ex-presidente. Eles n\u00e3o esperavam que Bolsonaro abrisse caminho para a forte entrada de leite da Argentina e do Uruguai. O temor era que a medida viesse a enfraquecer mais a j\u00e1 fragilizada cadeia produtiva.<\/p>\n<p><b>Compras externas aumentam<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o deu outra. Segundo o Cepea, de janeiro a dezembro de 2022, as importa\u00e7\u00f5es somaram 1,31 bilh\u00e3o de litros de leite, aumento de 26,3% em rela\u00e7\u00e3o a 2021. O avan\u00e7o de 36,7% nas aquisi\u00e7\u00f5es de leite em p\u00f3, principal l\u00e1cteo adquirido pelo Brasil em 2022 (74% do total), impactou diretamente o balan\u00e7o anual das compras.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio n\u00e3o mudou nos primeiros cinco meses de 2023. \u201cNo acumulado do ano (de janeiro a maio), as compras externas somam quase 878 milh\u00f5es de litros em equivalente leite, superando em 213,4% (ou seja, em pouco mais de 3 vezes) o volume registrado no mesmo per\u00edodo do ano passado\u201d, informa a edi\u00e7\u00e3o de junho do Boletim do Leite do Cepea.&nbsp;<\/p>\n<p>Somente em maio deste ano, \u201cas importa\u00e7\u00f5es de l\u00e1cteos subiram 42,95%, totalizando 208,8 milh\u00f5es de litros em equivalente leite, segundo dados da Secex. Esse volume \u00e9 3,2 vezes maior que o adquirido em maio de 2022\u201d, destaca a publica\u00e7\u00e3o do Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada da Esalq\/USP.<\/p>\n<p>O expressivo volume de leite importado pelo Brasil do Mercosul levanta, inclusive, a suspeita de que possa estar havendo triangula\u00e7\u00e3o nessas transa\u00e7\u00f5es. Ou seja, o produto que est\u00e1 entrando aqui seria de terceiros mercados, como o da Austr\u00e1lia e at\u00e9 de pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p>Mesmo com o avan\u00e7o nas importa\u00e7\u00f5es, o pre\u00e7o do leite ao produtor vinha subindo, devido \u00e0 menor oferta dom\u00e9stica, afetada pela entressafra da mat\u00e9ria-prima. No entanto, o valor pago pelos latic\u00ednios pelo litro do produto caiu 6,2% em maio frente ao de abril. \u201cFoi a primeira queda desde dezembro de 2022\u201d, assinala o Cepea.<\/p>\n<p><b>Fetag-RS pede ajuda ao governo<\/b><\/p>\n<p>Antes do an\u00fancio da queda do pre\u00e7o do leite ao produtor em maio, representantes do setor j\u00e1 vinham pedindo ao governo Lula a ado\u00e7\u00e3o de medidas para livr\u00e1-los da heran\u00e7a de Bolsonaro. Ao longo de sua gest\u00e3o, Bolsonaro recebeu pelo menos duas propostas para fortalecer a cadeia, mas n\u00e3o levou nenhuma delas integralmente adiante, como imaginava a base produtora.<\/p>\n<p>A Fetag-RS \u00e9 uma das entidades que agora reivindica medidas do governo Lula para socorrer o setor leiteiro. A Fetag-RS quer, \u201cem car\u00e1ter de emerg\u00eancia, a suspens\u00e3o da Resolu\u00e7\u00e3o Gecex n\u00ba 353 e a aplica\u00e7\u00e3o da al\u00edquota de 12% estabelecida pela TEC (Tarifa Externa Comum) do Mercosul por 6 meses para conter a importa\u00e7\u00e3o de leite e derivados\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Fetag diz que est\u00e1 trabalhando com o governo federal a cria\u00e7\u00e3o de projetos de desenvolvimento e valoriza\u00e7\u00e3o do leite e derivados no Brasil. Para a entidade, \u00e9 preciso \u201cadotar pol\u00edticas p\u00fablicas que resguardem o setor leiteiro frente aos subs\u00eddios que v\u00eam sendo concedidos na Argentina e no Uruguai\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p>Outras propostas debatidas pela Fetag, Contag e o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio e Agricultura Familiar (MDA) s\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o de um formato de Proagro (seguro agr\u00edcola) pecu\u00e1rio e uma nova forma de aferir o enquadramento no CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar) para os produtores de leite.<\/p>\n<p><b>Lula, a esperan\u00e7a do produtor<\/b><\/p>\n<p>\u201cA cadeia produtiva do leite mais uma vez est\u00e1 vivendo um momento delicado e inst\u00e1vel. Est\u00e1 mais do que na hora da efetiva\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas amplamente debatidas para resguardar o setor. Os produtores n\u00e3o est\u00e3o mais suportando tamanha instabilidade e neglig\u00eancia\u201d, afirmou, em nota, o presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a para mudar a realidade do setor leiteiro, valorizando-o e fortalecendo-o, \u00e9 o governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, candidato rejeitado por boa parte dos produtores de leite nas elei\u00e7\u00f5es de 2022.<\/p>\n<p>Bolsonaro, que teve grande apoio entre os produtores, pouco se importou com a cadeia leiteira. Nenhuma surpresa. Afinal, se nem na pandemia de covid-19 ele foi solid\u00e1rio com a popula\u00e7\u00e3o brasileira, por que haveria de ser com os produtores de leite?<\/p>\n<p>Para os pecuaristas leiteiros, gostem ou n\u00e3o,&nbsp;<b>agora \u00e9 Lula<\/b>, como dizia um dos adesivos espalhados Brasil afora durante a campanha eleitoral. \u00c9 Lula quem pode ajud\u00e1-los a atenuar a crise do setor e trazer um horizonte mais promissor. Com bons pre\u00e7os para os produtores, latic\u00ednios e para os consumidores. Enfim, com uma cadeia l\u00e1ctea com mais equil\u00edbrio entre seus elos, do campo \u00e0 mesa. Ah, e com menos \u00f3dio e desinforma\u00e7\u00e3o e mais coopera\u00e7\u00e3o e fraternidade.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos \u201cabacaxis\u201d deixados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva descascar na agropecu\u00e1ria foi a redu\u00e7\u00e3o da tarifa de importa\u00e7\u00e3o do leite do Mercosul. Desde que a medida entrou em vigor, em maio do ano passado, as compras externas do produto ganharam impulso. 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