{"id":57397,"date":"2023-02-23T14:48:57","date_gmt":"2023-02-23T16:48:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=57397"},"modified":"2023-02-23T14:48:57","modified_gmt":"2023-02-23T16:48:57","slug":"voce-sabe-o-que-e-o-mal-da-vaca-louca-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/voce-sabe-o-que-e-o-mal-da-vaca-louca-entenda\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea sabe o que \u00e9 o &#8220;mal da vaca louca&#8221;? Entenda"},"content":{"rendered":"<p>A Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) \u00e9 uma doen\u00e7a do sistema nervoso dos bovinos, que tem um longo per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o entre dois e oito anos, e ocasionalmente mais longo. Atualmente n\u00e3o h\u00e1 tratamento ou vacina contra o agravo.<\/p>\n<p>Faz parte de um grupo de doen\u00e7as conhecidas como encefalopatias espongiformes transmiss\u00edveis, ou doen\u00e7as causadas por pr\u00edons, caracterizadas pelo ac\u00famulo no tecido nervoso de uma prote\u00edna infecciosa anormal chamada pr\u00edon. Este grupo inclui a variante da doen\u00e7a de Creutzfeldt-Jakob, que afeta humanos.<\/p>\n<p>A Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) cl\u00e1ssica foi diagnosticada pela primeira vez em bovinos no Reino Unido em 1986, mas provavelmente estava presente na popula\u00e7\u00e3o bovina do pa\u00eds desde a d\u00e9cada de 1970 ou antes, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade Animal (OIE). Em seguida, foi relatada em 25 pa\u00edses al\u00e9m do Reino Unido, principalmente na Europa, \u00c1sia, Oriente M\u00e9dio e Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n<p>Atualmente, como resultado da implementa\u00e7\u00e3o bem-sucedida de medidas eficazes de controle, a preval\u00eancia da EEB cl\u00e1ssica \u00e9 extremamente baixa, assim como seu impacto sanit\u00e1rio global e risco \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a pode ser dividida em duas formas, segundo a OIE. A vers\u00e3o cl\u00e1ssica ocorre atrav\u00e9s do consumo de alimentos contaminados. Embora a forma cl\u00e1ssica tenha sido identificada como uma amea\u00e7a significativa na d\u00e9cada de 1990, sua ocorr\u00eancia diminuiu acentuadamente nos \u00faltimos anos, como resultado da implementa\u00e7\u00e3o bem-sucedida de medidas de controle eficazes, e agora \u00e9 estimada como extremamente baixa.<\/p>\n<p>J\u00e1 a vers\u00e3o at\u00edpica refere-se a formas de ocorr\u00eancia natural e espor\u00e1dica, que se acredita ocorrerem em todas as popula\u00e7\u00f5es de bovinos a uma taxa muito baixa e que s\u00f3 foram identificadas em bovinos mais velhos durante a vigil\u00e2ncia intensiva.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 2000, pr\u00edons at\u00edpicos causadores de vaca louca at\u00edpica foram identificados como resultado de vigil\u00e2ncia aprimorada para encefalopatias espongiformes transmiss\u00edveis. O n\u00famero de casos at\u00edpicos \u00e9 insignificante, segundo a OIE.<\/p>\n<p>De fato, embora at\u00e9 o momento n\u00e3o haja evid\u00eancias de que a vers\u00e3o at\u00edpica seja transmiss\u00edvel, a \u2018reciclagem\u2019 do agente da vaca louca at\u00edpica n\u00e3o foi descartada e, portanto, medidas para gerenciar o risco de exposi\u00e7\u00e3o na cadeia alimentar continuam a ser recomendadas como medida de precau\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Transmiss\u00e3o da vaca louca<\/strong><br \/>\nA compreens\u00e3o clara da origem e desenvolvimento da doen\u00e7a em animais ainda depende de avan\u00e7os em estudos cient\u00edficos. No entanto, ficou provado que certos tecidos de animais infectados, os chamados materiais de risco especificados, t\u00eam maior probabilidade de conter e, portanto, transmitir o pr\u00edon da doen\u00e7a. De acordo com o C\u00f3digo de Sa\u00fade Animal Terrestre, esses tecidos incluem c\u00e9rebro, olhos, medula espinhal, cr\u00e2nio, coluna vertebral, am\u00edgdalas e \u00edleo distal.<\/p>\n<p>Os cientistas acreditam que o gado geralmente \u00e9 infectado atrav\u00e9s da ingest\u00e3o de alimentos contaminados com pr\u00edons durante o primeiro ano de vida. O risco de contamina\u00e7\u00e3o ocorre se a ra\u00e7\u00e3o contiver produtos derivados de ruminantes, como farinha de carne e ossos, que \u00e9 o produto proteico obtido pela transforma\u00e7\u00e3o de certas partes de carca\u00e7as de animais, inclusive de pequenos ruminantes e bovinos de cria\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o s\u00e3o utilizados para consumo humano.<\/p>\n<p>O pr\u00edon infeccioso \u00e9 resistente a procedimentos comerciais de inativa\u00e7\u00e3o, como calor, o que significa que n\u00e3o pode ser destru\u00eddo no processo de graxaria \u2013 aproveitamento de restos de animais. A incid\u00eancia de vaca louca foi muito maior em bovinos leiteiros do que bovinos de corte, j\u00e1 que geralmente os rebanhos leiteiros s\u00e3o alimentados com ra\u00e7\u00f5es concentradas que, antes da introdu\u00e7\u00e3o de controles mais rigorosos, continham farinha de carne e ossos.<\/p>\n<p>Enquanto isso, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de transmiss\u00e3o direta entre animais (transmiss\u00e3o horizontal) e poucos dados suportam que a doen\u00e7a seja transmitida de m\u00e3e para filho (transmiss\u00e3o vertical).<\/p>\n<p><strong>Risco \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica<\/strong><br \/>\nA prov\u00e1vel transmiss\u00e3o da doen\u00e7a para humanos, supostamente causada na doen\u00e7a de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), juntamente com a incapacidade de prever o tamanho da epidemia da variante em humanos desencadeou uma crise de sa\u00fade p\u00fablica durante os anos 1990. At\u00e9 o momento, o n\u00famero de casos cl\u00ednicos da doen\u00e7a em humanos identificados \u00e9 extremamente baixo.<\/p>\n<p>Existem indica\u00e7\u00f5es convincentes de que a doen\u00e7a de Creutzfeldt-Jakob pode ser adquirida atrav\u00e9s do consumo de carne bovina contaminada ou contato com dispositivos m\u00e9dicos contaminados com pr\u00edons da doen\u00e7a. No entanto, a OIE destaca que a exposi\u00e7\u00e3o alimentar \u00e0 carne vermelha (ou seja, m\u00fasculo esquel\u00e9tico desossado), leite e produtos l\u00e1cteos \u00e9 considerada segura.<\/p>\n<p>Para prevenir a infec\u00e7\u00e3o humana e animal, e a reciclagem e amplifica\u00e7\u00e3o de pr\u00edons, muitos pa\u00edses impuseram a remo\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de tecidos que podem conter uma quantidade significativa de infecciosidade pela doen\u00e7a, denominados \u201cmateriais de risco especificados\u201d, de carca\u00e7as bovinas. Esta medida, juntamente com a proibi\u00e7\u00e3o do uso de prote\u00ednas animais processadas na alimenta\u00e7\u00e3o de ruminantes, demonstrou ser altamente eficiente no controle da exposi\u00e7\u00e3o aos agentes da vaca louca.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade Animal (OIE) destaca que a produ\u00e7\u00e3o de produtos farmac\u00eauticos humanos e veterin\u00e1rios e de dispositivos m\u00e9dicos ou cosm\u00e9ticos deve obedecer a requisitos r\u00edgidos e, idealmente, evitar o uso de materiais bovinos ou materiais de outras esp\u00e9cies animais nas quais ocorrem naturalmente doen\u00e7as causadas por pr\u00edons.<\/p>\n<p><strong>Sinais cl\u00ednicos<\/strong><br \/>\nO tempo entre o momento em que um animal se infecta com o agente da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) e o aparecimento dos sinais cl\u00ednicos \u00e9 de dois a oito anos.<\/p>\n<p>Portanto, os sinais cl\u00ednicos de BSE s\u00e3o encontrados em animais adultos, que podem demonstrar alguns dos seguintes sinais cl\u00ednicos:<\/p>\n<p>comportamento nervoso ou agressivo;<br \/>\ndepress\u00e3o;<br \/>\nhipersensibilidade ao som e ao toque, espasmos, tremores;<br \/>\npostura anormal;<br \/>\nfalta de coordena\u00e7\u00e3o e dificuldade em se levantar da posi\u00e7\u00e3o deitada;<br \/>\nperda de peso ou diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de leite.<br \/>\nO curso da doen\u00e7a \u00e9 geralmente subagudo a cr\u00f4nico, e os animais afetados apresentam sinais neurol\u00f3gicos progressivos.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 tratamento eficaz e os animais afetados inevitavelmente morrer\u00e3o se a doen\u00e7a seguir seu curso.<\/p>\n<p><strong>Diagn\u00f3stico<\/strong><br \/>\nPode-se suspeitar de EEB com base nos sinais cl\u00ednicos.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, n\u00e3o existe m\u00e9todo que permita confirmar a presen\u00e7a do agente da vaca louca em animais vivos, segundo a OIE.<\/p>\n<p>Conforme indicado no Manual de Testes Diagn\u00f3sticos e Vacinas para Animais Terrestres da OIE, o diagn\u00f3stico pode ser obtido por histopatologia (ou seja, exame microsc\u00f3pico) da medula oblonga (uma parte do c\u00e9rebro).<\/p>\n<p>No entanto, a histopatologia como m\u00e9todo prim\u00e1rio n\u00e3o seria apropriado para nenhum dos fluxos de vigil\u00e2ncia da doen\u00e7a. A confirma\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico \u00e9 feita com m\u00e9todos laboratoriais, incluindo t\u00e9cnicas de imuno-histoqu\u00edmica.<\/p>\n<p><strong>Preven\u00e7\u00e3o e controle<\/strong><br \/>\nDe acordo com a OIE, uma estrat\u00e9gia eficaz para prevenir a introdu\u00e7\u00e3o ou lidar com ocorr\u00eancias de EEB inclui:<\/p>\n<p>vigil\u00e2ncia direcionada de ocorr\u00eancias de doen\u00e7a neurol\u00f3gica cl\u00ednica;<br \/>\ntranspar\u00eancia na comunica\u00e7\u00e3o dos resultados;<br \/>\nsalvaguardas sobre a importa\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies vivas de ruminantes e seus produtos;<br \/>\nremo\u00e7\u00e3o de materiais de risco especificados (c\u00e9rebro, coluna vertebral) durante o abate e processamento de carca\u00e7as;<br \/>\nproibi\u00e7\u00e3o da inclus\u00e3o de materiais de risco especificados em ra\u00e7\u00f5es animais;<br \/>\ndestrui\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria de todos os animais suspeitos expostos a ra\u00e7\u00e3o contaminada com pr\u00edon;<br \/>\nidentifica\u00e7\u00e3o do gado para permitir a vigil\u00e2ncia eficaz e rastreamento de gado suspeito.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) \u00e9 uma doen\u00e7a do sistema nervoso dos bovinos, que tem um longo per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o entre dois e oito anos, e ocasionalmente mais longo. 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