{"id":55952,"date":"2022-11-07T17:16:50","date_gmt":"2022-11-07T19:16:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=55952"},"modified":"2022-11-07T17:16:50","modified_gmt":"2022-11-07T19:16:50","slug":"nova-especie-de-reptil-pre-historico-e-descoberta-no-rs-e-ajuda-a-entender-caracteristicas-dos-dinossauros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/nova-especie-de-reptil-pre-historico-e-descoberta-no-rs-e-ajuda-a-entender-caracteristicas-dos-dinossauros\/","title":{"rendered":"Nova esp\u00e9cie de r\u00e9ptil pr\u00e9-hist\u00f3rico \u00e9 descoberta no RS e ajuda a entender caracter\u00edsticas dos dinossauros"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) publicaram na \u00faltima quinta-feira (3) um estudo no peri\u00f3dico cient\u00edfico Journal of Systematic Palaeontology descrevendo uma nova esp\u00e9cie de r\u00e9ptil que conviveu com os primeiros dinossauros.<\/p>\n<p>Embora o Rio Grande do Sul tenha ficado conhecido por abrigar alguns dos f\u00f3sseis de dinossauros mais antigos do mundo, o estado tamb\u00e9m produz registros de diversos outros organismos que viveram junto com essas criaturas. \u00c9 o caso da nova descoberta feita no munic\u00edpio de Agudo pelo paleont\u00f3logo da UFSM Rodrigo Temp M\u00fcller e um grupo de estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Universidade. O f\u00f3ssil foi escavado em junho deste ano em um s\u00edtio com rochas que possuem cerca de 230 milh\u00f5es de anos. Os elementos recuperados incluem uma perna completa, sendo que a configura\u00e7\u00e3o e as propor\u00e7\u00f5es dos d\u00edgitos do p\u00e9 permitem classific\u00e1-la como pertencendo a um proterochamps\u00eddeo. Esse \u00e9 um grupo primitivo de r\u00e9pteis que s\u00e3o encontrados apenas no Brasil e na Argentina. Apesar de n\u00e3o haver um forte grau de parentesco com jacar\u00e9s e crocodilos, a forma geral do corpo dos proterochamps\u00eddeos lembra muito a desses r\u00e9pteis, especialmente o focinho alongado. Por possuir uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas \u00fanicas, o exemplar foi reconhecido como uma nova esp\u00e9cie e recebeu o nome de Stenoscelida aurantiacus. O primeiro nome \u2013Stenoscelida\u2013 vem do grego e significa perna delgada, j\u00e1 que o exemplar possui dimens\u00f5es mais gr\u00e1ceis do membro posterior em rela\u00e7\u00e3o aos seus parentes pr\u00f3ximos. O segundo nome \u2013aurantiacus\u2013 \u00e9 derivado do latim e significa laranja, fazendo refer\u00eancia a colora\u00e7\u00e3o alaranjada dos leitos rochosos de onde o f\u00f3ssil foi escavado.<\/p>\n<p>Estima-se que o Stenoscelida aurantiacus teria cerca de 1,40 m de comprimento e fosse quadr\u00fapede. Mesmo sem ter dentes preservados, com base no grau de parentesco com outros organismos, \u00e9 poss\u00edvel inferir que o animal era carn\u00edvoro. Por conta da similaridade com jacar\u00e9s, acredita-se que esses animais devem ter vivido pr\u00f3ximos a corpos d\u2019\u00e1gua, talvez at\u00e9 mesmo alimentando-se de maneira similar aos an\u00e1logos modernos. Segundo os pesquisadores que participaram do estudo, uma das implica\u00e7\u00f5es mais importantes do novo achado est\u00e1 relacionada com a boa preserva\u00e7\u00e3o do exemplar. Isso pelo fato de que s\u00e3o conhecidas poucas pernas completas de proterochamps\u00eddeos. Desta maneira, o f\u00f3ssil revelou informa\u00e7\u00f5es inesperadas, como por exemplo, a presen\u00e7a de certas estruturas no f\u00eamur que eram mais comumente encontradas em dinossauros. Essas estruturas servem como pontos de fixa\u00e7\u00e3o de m\u00fasculos. Esclarecer como esses tecidos est\u00e3o arranjados \u00e9 importante para entender como era a locomo\u00e7\u00e3o desses organismos. Saber que essas caracter\u00edsticas comuns aos dinossauros j\u00e1 ocorriam em formas mais primitivas mostra que elas tiveram uma origem ainda mais antiga ou que surgiram independentemente mais vezes ao longo da evolu\u00e7\u00e3o, um processo chamado de converg\u00eancia evolutiva.<\/p>\n<p>A descoberta de mais uma esp\u00e9cie in\u00e9dita no territ\u00f3rio do Geoparque Quarta Col\u00f4nia Aspirante UNESCO refor\u00e7a ainda mais a riqueza paleontol\u00f3gica da regi\u00e3o e o seu papel nas investiga\u00e7\u00f5es que nos permitem entender de maneira mais precisa como eram os ambientes pret\u00e9ritos e como foi a hist\u00f3ria evolutiva da vida na Terra. O f\u00f3ssil do Stenoscelida aurantiacus ficar\u00e1 depositado no Centro de Apoio \u00e0 Pesquisa Paleontol\u00f3gica da Quarta Col\u00f4nia (CAPPA\/UFSM) para que seja preservado e acess\u00edvel a todos que queiram conhec\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do paleont\u00f3logo da UFSM Rodrigo Temp M\u00fcller, tamb\u00e9m participaram do estudo o bi\u00f3logo e aluno de mestrado do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biodiversidade Animal da UFSM Maur\u00edcio Silva Garcia e o aluno do curso de ci\u00eancias biol\u00f3gicas da Universidade Federal de Juiz de Fora Andr\u00e9 de Oliveira Fonseca. As escava\u00e7\u00f5es e investiga\u00e7\u00f5es fazem parte de projetos de pesquisa financiados pela FAPERGS e pelo CNPq.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) publicaram na \u00faltima quinta-feira (3) um estudo no peri\u00f3dico cient\u00edfico Journal of Systematic Palaeontology descrevendo uma nova esp\u00e9cie de r\u00e9ptil que conviveu com os primeiros dinossauros. 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