{"id":52392,"date":"2022-02-18T15:11:56","date_gmt":"2022-02-18T17:11:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=52392"},"modified":"2022-02-18T15:12:19","modified_gmt":"2022-02-18T17:12:19","slug":"genero-nao-binario-pode-incluir-na-certidao-de-nascimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/genero-nao-binario-pode-incluir-na-certidao-de-nascimento\/","title":{"rendered":"G\u00eanero n\u00e3o bin\u00e1rio: Pode incluir na certid\u00e3o de nascimento?"},"content":{"rendered":"<p>O M\u00e9xico pela primeira vez na hist\u00f3ria, retificou a certid\u00e3o de nascimento de uma pessoa n\u00e3o bin\u00e1ria. Fausto, ativista de 26 anos e que responde aos pronomes ela\/ele\/elu, abriu um processo judicial para ter direito \u00e0 mudan\u00e7a em Guanajuato, um Estado do pa\u00eds governado por conservadores.<br \/>\nO processo teve in\u00edcio em 24 de setembro, quando Fausto solicitou ao Instituto Nacional Eleitoral (INE), que tem um protocolo para pessoas transexuais, um t\u00edtulo de eleitor que inclu\u00edsse a identidade n\u00e3o bin\u00e1ria. O INE se recusou, com a explica\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o havia um documento oficial que atestasse o g\u00eanero. Em 11 de fevereiro, Fausto recebeu a determina\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Brasil: \u00e9 permitido colocar g\u00eanero n\u00e3o bin\u00e1rio na certid\u00e3o de nascimento?<\/strong><br \/>\nNo Brasil, mais de uma pessoa j\u00e1 teve esse direito concedido. Recentemente, uma a\u00e7\u00e3o da Defensoria P\u00fablica do Rio de janeiro, em parceria com a Justi\u00e7a Itinerante do TJ fluminense, determinou que o g\u00eanero &#8220;n\u00e3o bin\u00e1rio&#8221; j\u00e1 pode ser informado em certid\u00f5es de nascimento no Rio.<br \/>\nEm novembro do ano passado, a 3\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP) garantiu a uma pessoa que se identifica como do g\u00eanero n\u00e3o-bin\u00e1rio o direito de mudar de nome para que ele seja neutro e tamb\u00e9m que no registro civil conste a informa\u00e7\u00e3o \u201cag\u00eanero\/ g\u00eanero n\u00e3o especificado\u201d.<br \/>\nDesde 2017 h\u00e1 uma orienta\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF) para que os cart\u00f3rios realizem a requalifica\u00e7\u00e3o civil sem a necessidade de uma a\u00e7\u00e3o judicial. Por\u00e9m, essa medida n\u00e3o tem sido estendida \u00e0s pessoas n\u00e3o bin\u00e1rias, que precisam recorrer \u00e0 Justi\u00e7a para obter o direito de alterar o prenome e g\u00eanero em sua documenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Entenda: o que \u00e9 n\u00e3o bin\u00e1rio?<\/strong><br \/>\n&#8220;N\u00e3o binarie&#8221;, em linguagem neutra, ou &#8220;n\u00e3o bin\u00e1rio&#8221;, \u00e9 utilizado para se referir \u00e0s pessoas que n\u00e3o se identificam com o g\u00eanero masculino nem com o feminino. Isso significa que sua identidade de g\u00eanero e express\u00e3o de g\u00eanero n\u00e3o s\u00e3o limitadas a um g\u00eanero exclusivamente.<br \/>\nOu seja, as pessoas n\u00e3o bin\u00e1rias podem n\u00e3o se reconhecer com a identidade de g\u00eanero de homem ou mulher &#8211; aus\u00eancia de g\u00eanero &#8211; ou podem se caracterizar como uma mistura entre os dois.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 linguagem neutra?<\/strong><br \/>\nTamb\u00e9m conhecida como n\u00e3o bin\u00e1ria, a linguagem neutra compreende o uso de uma terceira letra al\u00e9m do A e do O no final das palavras para evitar a binaridade dos g\u00eaneros masculino e feminino.<br \/>\nA discuss\u00e3o sobre a estrutura bin\u00e1ria da linguagem, seja falada ou escrita, n\u00e3o \u00e9 nova no Ocidente. Os seus primeiros registros fazem parte do debate promovido pelas feministas anarquistas da d\u00e9cada de 1970.<br \/>\nUma das autoras que ganhou notoriedade ao chamar aten\u00e7\u00e3o para a estrutura heteronormativa da linguagem foi a fil\u00f3sofa francesa Monique Wittig (1935-2003). Para a autora, a maneira como a linguagem se estabeleceu ao longo da hist\u00f3ria diz respeito a consolida\u00e7\u00e3o e estrutura\u00e7\u00e3o da \u201cmentalidade heterossexual\u201d.<br \/>\nA retomada do debate sobre o binarismo de g\u00eanero na estrutura da linguagem no Ocidente ganhou novo f\u00f4lego com os estudos e movimentos feministas e Queer do final dos anos 1990.<br \/>\nOs estudos contempor\u00e2neos seguem os rastros deixado por Monique Wittig e, atualmente, apresentam ferramentas que visam diminuir a demarca\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria da linguagem, da\u00ed o uso de artigos como &#8220;e&#8221; e &#8220;u&#8221; no lugar de &#8220;a&#8221; e &#8220;o&#8221;, que s\u00e3o usados para demarcar o &#8220;feminino&#8221; e &#8220;masculino&#8221;. Tamb\u00e9m \u00e9 proposta a utiliza\u00e7\u00e3o da letra \u201cE\u201d no final de palavras: \u201cprofessore\/ativiste\u201d. Em alguns casos tamb\u00e9m \u00e9 utilizado o artigo \u201cU\u201d: \u201cElu\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Revista Forum*<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O M\u00e9xico pela primeira vez na hist\u00f3ria, retificou a certid\u00e3o de nascimento de uma pessoa n\u00e3o bin\u00e1ria. Fausto, ativista de 26 anos e que responde aos pronomes ela\/ele\/elu, abriu um processo judicial para ter direito \u00e0 mudan\u00e7a em Guanajuato, um Estado do pa\u00eds governado por conservadores. 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