{"id":48245,"date":"2021-06-08T12:46:36","date_gmt":"2021-06-08T14:46:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=48245"},"modified":"2021-06-08T12:46:36","modified_gmt":"2021-06-08T14:46:36","slug":"com-quase-7-mil-casos-confirmados-em-2021-rs-tem-recorde-de-infectados-por-dengue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/com-quase-7-mil-casos-confirmados-em-2021-rs-tem-recorde-de-infectados-por-dengue\/","title":{"rendered":"Com quase 7 mil casos confirmados em 2021, RS tem recorde de infectados por dengue"},"content":{"rendered":"<p>Al\u00e9m da pandemia do novo coronav\u00edrus, o Rio Grande do Sul passa por outro problema que requer a\u00e7\u00e3o governamental e cuidados da popula\u00e7\u00e3o: a infesta\u00e7\u00e3o do mosquito Aedes aegypti e o consequente aumento de casos de dengue. Em meio a isso, na Capital, os Agentes de Combate \u00e0s Endemias, que deveriam fazer trabalho de busca ao mosquito e preven\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, denunciam estarem trabalhando em desvio de fun\u00e7\u00e3o, dentro de unidades de sa\u00fade, em vez de realizarem as visitas domiciliares.<\/p>\n<p>Conforme dados da Secretaria Estadual da Sa\u00fade (SES), 83,3% das cidades ga\u00fachas registram infesta\u00e7\u00e3o pelo mosquito e o n\u00famero de casos de dengue contra\u00eddos no estado desde o in\u00edcio de 2021 j\u00e1 \u00e9 o maior desde que o levantamento come\u00e7ou a ser feito, em 2010. O Informativo Epidemiol\u00f3gico da Semana Epidemiol\u00f3gica 21, com informa\u00e7\u00f5es at\u00e9 o dia 29 de maio, aponta 10.826 casos suspeitos da dengue no estado, com 6.962 casos confirmados, sendo 6.760 casos aut\u00f3ctones, ou seja, contra\u00eddos no territ\u00f3rio ga\u00facho. Somente na \u00faltima semana, foram 561 novos casos confirmados. Dos 497 munic\u00edpios ga\u00fachos, 196 j\u00e1 notificaram casos suspeitos. Oito mortes foram confirmadas pela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico infectologista Keny Colares, consultor em infectologia da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica do Cear\u00e1 (ESP-CE), chama aten\u00e7\u00e3o para a gravidade da dengue, que pode evoluir para uma doen\u00e7a potencialmente letal em alguns pacientes. \u201c<em>A dengue est\u00e1 no nosso pa\u00eds como uma endemia e vez por outra aumentam muito os casos, se transformando numa ocorr\u00eancia epid\u00eamica. Regi\u00f5es de clima mais temperado, como no Rio Grande do Sul, na Argentina, tinha&nbsp;pouco acometimento por dengue e est\u00e3o passando a ter mais\u201d,<\/em> afirma.<\/p>\n<p><em>\u201cA\u00ed tem toda uma discuss\u00e3o relacionada a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, aquecimento global, o mosquito tamb\u00e9m tem a capacidade de se adaptar a climas mais frios. O fato \u00e9 que \u00e9 uma doen\u00e7a com tend\u00eancia de crescimento no mundo e que merece ser levada a s\u00e9rio\u201d<\/em>, destaca. Segundo ele, em meio \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus, \u00e9 um risco negligenciar o combate a outras doen\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Um trabalho que n\u00e3o pode ser interrompido<\/strong><\/p>\n<p>O infectologista Keny Colares destaca a import\u00e2ncia do trabalho dos agentes de endemias de visita \u00e0s comunidades. Ele avalia ser at\u00e9 compreens\u00edvel que o servi\u00e7o tenha sido interrompido na fase inicial de enfrentamento \u00e0 pandemia de covid-19, j\u00e1 que a rede teve que se readequar e priorizar. \u201cDepois de um ano n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel n\u00e3o estar fazendo essas atividades. J\u00e1 passou mais de um ano de enfrentamento e \u00e9 preciso que a rede seja preparada, com treinamento e recurso, para que consiga enfrentar esse problema\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Keny destaca que deixar de enfrentar a dengue com preven\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia por causa da covid pode causar ainda mais press\u00e3o no sistema de sa\u00fade. \u201cO aumento de casos pode causar uma dificuldade adicional de manter a sa\u00fade das pessoas e inclusive comprometer o atendimento \u00e0 covid, se as unidades come\u00e7arem a se encher de pessoas com dengue.\u201d<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Agentes correm risco de demiss\u00e3o<\/p>\n<p>Os ACEs, da mesma forma que os agentes comunit\u00e1rios de sa\u00fade (ACS), s\u00e3o categorias que faziam parte do Instituto Municipal da Estrat\u00e9gia da Sa\u00fade da Fam\u00edlia (IMESF), que est\u00e1 em processo de extin\u00e7\u00e3o, iniciado pela Prefeitura de Porto Alegre ainda na gest\u00e3o de Nelson Marchezan Jr (PSDB). Segundo o trabalhador ouvido pela reportagem, nas \u00faltimas media\u00e7\u00f5es entre os sindicatos e o munic\u00edpio, foi dito pela Secretaria Municipal de Sa\u00fade que os agentes seriam incorporados pelo munic\u00edpio em um cargo de extin\u00e7\u00e3o. \u201c<em>Mas n\u00e3o foi respondido como e nem quando isso pode ocorrer. Ent\u00e3o estamos no limbo\u201d,<\/em> comenta.<\/p>\n<p>Com a nova gest\u00e3o, o governo Sebasti\u00e3o Melo (MDB) encaminhou que os sindicatos formassem um grupo de trabalho (GT) para resolver essa quest\u00e3o do IMESF. O agente destaca que este GT provou que manter os trabalhadores custaria menos da metade que contratar empresas terceirizadas, <em>\u201cmas mesmo assim o munic\u00edpio demitiu os t\u00e9cnicos de enfermagem, os enfermeiros e o pessoal da odonto. Com os m\u00e9dicos foi feito um acordo.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cEnt\u00e3o n\u00f3s agentes n\u00e3o confiamos nesse prefeito que n\u00e3o tem palavra. Tanto ele pode nos assumir, como pode chamar concursados para por no nosso lugar. S\u00f3 que os concursados n\u00e3o v\u00e3o suprir a demanda. Porque foram poucos que passaram. Tem postos de sa\u00fade em que n\u00e3o passou nenhum agente\u201d,<\/em> afirma.<\/p>\n<p>O \u00faltimo concurso foi realizado em agosto de 2020, em meio \u00e0 pandemia, e teve uma grande absten\u00e7\u00e3o: 40% dos inscritos n\u00e3o fizeram a prova. O edital, por\u00e9m, abriu vagas para apenas um ACE, e para 137 ACS. \u201cAquele concurso foi um fiasco. Muitos agentes se negaram a fazer. Muitos n\u00e3o acharam o local das provas. Chovia torrencialmente no dia da prova em plena pandemia. Muitos inscritos chegaram em seus lugares de prova e n\u00e3o tiveram seus nomes homologados. Em muitas unidades de sa\u00fade nenhum agente passou\u201d, critica.<\/p>\n<p>A diretora do Sindisa\u00fade-RS afirma que o sindicato est\u00e1 tentando, primeiramente, atrav\u00e9s do di\u00e1logo com a Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade,&nbsp;resolver esse problema <em>\u201cque come\u00e7ou a ocorrer desde que os ACEs foram para Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica do munic\u00edpio e se tornaram um faz tudo dentro das unidades\u201d.<\/em> Ros\u00e2ngela tamb\u00e9m destaca que o IMESF ainda n\u00e3o foi extinto, \u201cpois se isso tivesse acontecido n\u00e3o estar\u00edamos trabalhando e recebendo do instituto em quest\u00e3o\u201d. Lembra ainda que existe a lei 11.350\/2006, que regulamenta os agentes em geral e <em>\u201cos mesmos n\u00e3o podem ser contratados sem ser via concurso p\u00fablico ou processo seletivo com v\u00ednculo na administra\u00e7\u00e3o direta do munic\u00edpio\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Segundo o agente ouvido pela reportagem, na \u00faltima semana um profissional da Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade visitou unidades para conferir a situa\u00e7\u00e3o. <em>\u201cLogo em seguida ele ligou pra ger\u00eancia e perguntou por que a coordenadora n\u00e3o estava liberando os agentes pra fazer visitas domiciliares de dengue. Ela respondeu que precisava dos agentes porque estava faltando m\u00e3o de obra na unidade. O respons\u00e1vel da Vigil\u00e2ncia achou isso um absurdo e logo em seguida lan\u00e7ou uma norma t\u00e9cnica pros agentes serem liberados nem que seja 50% pras visitas\u201d,<\/em> conclui.<\/p>\n<p>A reportagem do Brasil de Fato RS contatou a Secretaria Municipal de Sa\u00fade e enviou quest\u00f5es a respeito das den\u00fancias feitas pelo sindicato e os trabalhadores. At\u00e9 o fechamento desta reportagem, a pasta n\u00e3o havia retornado com as informa\u00e7\u00f5es. Caso haja retorno, o conte\u00fado ser\u00e1 atualizado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Brasil de Fato RS<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m da pandemia do novo coronav\u00edrus, o Rio Grande do Sul passa por outro problema que requer a\u00e7\u00e3o governamental e cuidados da popula\u00e7\u00e3o: a infesta\u00e7\u00e3o do mosquito Aedes aegypti e&#8230;<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":48248,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-48245","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48245","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48245"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48245\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48248"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}