{"id":47360,"date":"2021-04-28T14:28:30","date_gmt":"2021-04-28T16:28:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=47360"},"modified":"2021-04-28T14:28:30","modified_gmt":"2021-04-28T16:28:30","slug":"especialistas-analisam-decisao-de-leite-se-a-opcao-e-a-escola-entao-outras-coisas-tem-que-fechar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/especialistas-analisam-decisao-de-leite-se-a-opcao-e-a-escola-entao-outras-coisas-tem-que-fechar\/","title":{"rendered":"Especialistas analisam decis\u00e3o de Leite: \u2018Se a op\u00e7\u00e3o \u00e9 a escola, ent\u00e3o outras coisas t\u00eam que fechar\u2019"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\">A decis\u00e3o do governador Eduardo Leite (PSDB) em&nbsp;alterar o Modelo de Distanciamento Controlado e mudar todas as regi\u00f5es do Rio Grande do Sul da bandeira preta para a vermelha&nbsp;n\u00e3o surpreendeu m\u00e9dicos e pesquisadores que acompanham a crise do coronav\u00edrus no Estado. Pelo contr\u00e1rio. A medida, inclusive, j\u00e1 era esperada devida \u00e0s press\u00f5es e ao desgaste do modelo nos \u00faltimos meses, per\u00edodo que coincidiu com a fase mais grave da pandemia.<\/p>\n<p class=\"p1\">\u201cO modelo foi falindo aos poucos\u201d, avalia Ely Mattos, professor da Escola de Neg\u00f3cios da PUC e membro do comit\u00ea cient\u00edfico criado pelo governo estadual durante a crise sanit\u00e1ria.&nbsp;O economista explica que o modelo de bandeiras foi desenvolvido para monitorar o sistema hospitalar e, durante um tempo, funcionou bem no acompanhamento da lota\u00e7\u00e3o dos leitos cl\u00ednicos e de UTI. O problema, diz ele, \u00e9 que o modelo foi se tornando protagonista demais com o tempo e, junto com o protagonismo, vieram o desgaste e as press\u00f5es de prefeitos e entidades da sociedade civil.<\/p>\n<p class=\"p1\">Acima de tudo, Mattos afirma que outras a\u00e7\u00f5es deveriam ter sido efetivadas para controlar a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no RS, como campanhas de comunica\u00e7\u00e3o, oferta de m\u00e1scaras apropriadas, testagem em massa, rastreamento dos casos positivos e aten\u00e7\u00e3o aos indicadores de transmiss\u00e3o do cont\u00e1gio. Ao inv\u00e9s disso, o governo estadual olhou quase exclusivamente para a ocupa\u00e7\u00e3o dos hospitais.<\/p>\n<p class=\"p1\"><em>\u201cS\u00e3o informa\u00e7\u00f5es cruciais para monitorar a pandemia. A taxa de positividade \u00e9 um dos dados mais importantes, \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o fundamental\u201d<\/em>, explica o economista. A taxa indica a rela\u00e7\u00e3o de casos positivos dentre o total de testes realizados. Se os casos positivos aumentam numa mesma quantidade de testes, a taxa aponta a expans\u00e3o do cont\u00e1gio na popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\">A decis\u00e3o do governador ocorre em fun\u00e7\u00e3o da vontade de retomar as aulas presenciais. Desde fevereiro, Leite sofreu uma s\u00e9rie de derrotas na Justi\u00e7a, impedido de reabrir as escolas durante a vig\u00eancia da bandeira preta. O embate jur\u00eddico resultou em grande confus\u00e3o nos \u00faltimos dias. A solu\u00e7\u00e3o do governo, ent\u00e3o, foi mudar a cor da bandeira.<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; &nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><em>\u201cTodo mundo agora resolveu que \u00e9 um absurdo ter escola fechada. \u00c9 uma demanda social e pol\u00edtica muito forte, mas s\u00f3 agora est\u00e1 na pauta. Em nenhum outro momento se discutiu abrir escola antes de bar. \u00c9 um argumento torto dizer que o bar est\u00e1 aberto e a escola n\u00e3o, porque o fato de estar tudo aberto n\u00e3o significa que a pandemia est\u00e1 no controle\u201d,<\/em> afirma Mattos.<\/p>\n<p class=\"p1\">O professor reconhece que as pessoas est\u00e3o cansadas e que, de certo modo, a sociedade se acostumou a viver \u201cno caos\u201d, mas pondera que o gestor p\u00fablico n\u00e3o pode agir igual. \u201cQual foi a adapta\u00e7\u00e3o feita nas escolas? Como a estrutura foi melhorada?\u201d, questiona.<\/p>\n<h3 class=\"p1\">Trava de seguran\u00e7a<\/h3>\n<p class=\"p1\">A mudan\u00e7a de todo o mapa do Rio Grande do Sul da bandeira preta para a vermelha foi feita a partir de altera\u00e7\u00f5es nas chamadas \u201csalvaguardas\u201d estadual e regional. A salvaguarda estadual colocava todo o Estado em bandeira preta quando a raz\u00e3o de leitos livres para cada ocupado por paciente com covid-19 estava abaixo de 0,35 \u2013 e a regional era acionada quando uma regi\u00e3o tinha elevada quantidade de novas hospitaliza\u00e7\u00f5es e de pacientes com coronav\u00edrus e, ao mesmo tempo, estava inserida em uma macrorregi\u00e3o com baixa capacidade hospitalar, determinando bandeira vermelha ou preta regionalmente.<\/p>\n<p class=\"p1\">A partir de agora, a salvaguarda regional ser\u00e1 extinta para bandeira preta, mas fica mantida para bandeira vermelha. J\u00e1 a salvaguarda estadual continuar\u00e1 existindo, mas ser\u00e1 acionada apenas quando o indicador de leitos atingir o \u00edndice de 0,35 depois de um ciclo de 14 dias de piora na disponibilidade. A trava ser\u00e1 desativada quando se observar um ciclo de pelo menos 14 dias de melhoria na ocupa\u00e7\u00e3o dos leitos de UTI.<\/p>\n<p class=\"p1\">Cr\u00edtico do modelo por n\u00e3o refletir o momento epidemiol\u00f3gico, o m\u00e9dico Alexandre Zavascki define a mudan\u00e7a da salvaguarda como uma decis\u00e3o pol\u00edtica do governador para reabrir as escolas \u201ca qualquer custo\u201d. Para ele, a trava de seguran\u00e7a passou a atrapalhar as inten\u00e7\u00f5es do governo.<\/p>\n<p class=\"p1\"><em>\u201c\u00c9 um modelo totalmente falho, que n\u00e3o tem conex\u00e3o com a realidade, n\u00e3o evitou o colapso hospitalar e permite esse elevado n\u00famero de mortos. A trava n\u00e3o tem justificativa, o \u00edndice de 0,35 \u00e9 artificial e acabou atrapalhando o pr\u00f3prio governo\u201d,<\/em> afirma Zavascki.<\/p>\n<p class=\"p1\">O infectologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) destaca que os indicadores de contamina\u00e7\u00e3o e mortes seguem elevados no RS, apesar da queda nas \u00faltimas semanas.<\/p>\n<p class=\"p1\"><em>\u201cQuando se olha somente os leitos, n\u00e3o estamos prevendo nada, s\u00f3 reduzindo danos. Vou torcer para que d\u00ea certo, mas \u00e9 improv\u00e1vel. Isso j\u00e1 foi feito antes e o resultado \u00e9 conhecido. Se tivesse segurado mais duas semanas, estar\u00edamos num patamar bem melhor, mas por causa das press\u00f5es\u2026\u201d,<\/em> lamenta Zavascki.<\/p>\n<h3>Contamina\u00e7\u00e3o nas escolas<\/h3>\n<p class=\"p1\">A reitora da Universidade Federal de Ci\u00eancias da Sa\u00fade de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda, avalia o debate em torno da volta \u00e0s aulas presencias como um tema dif\u00edcil e carregado emocionalmente. Ela reconhece que a quest\u00e3o \u00e9 essencial e diz sentir tristeza ao ver bares abertos e escolas fechadas. Por\u00e9m, afirma que houve a op\u00e7\u00e3o de primeiro abrir bares e, nesse contexto, voltar agora com as aulas presenciais vai piorar a pandemia no estado.<\/p>\n<p class=\"p1\"><em>\u201cSe a op\u00e7\u00e3o \u00e9 a escola, ent\u00e3o outras coisas t\u00eam que fechar. A escola tem que abrir com seguran\u00e7a e os protocolos hoje n\u00e3o oferecem essa seguran\u00e7a\u201d,<\/em> afirma a reitora, citando a adequada ventila\u00e7\u00e3o das salas de aula e o uso de m\u00e1scara modelo PFF2 entre os adultos.<\/p>\n<p class=\"p1\">Lucia n\u00e3o tem d\u00favida de que abrir as escolas nesse momento aumentar\u00e1 o n\u00famero de novos casos no ambiente de ensino, por isso, insiste que outros com\u00e9rcios n\u00e3o essenciais deveriam fechar para diminuir a mobilidade nas cidades. Isso se a op\u00e7\u00e3o for mesmo pela prioriza\u00e7\u00e3o do ensino e o desenvolvimento das crian\u00e7as. Depois de um ano de aulas presencias suspensas, a reitora da UFCSPA afirma que o retorno n\u00e3o deve ser feito com pressa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m membra do comit\u00ea cient\u00edfico, Lucia concorda com seus colegas de que o modelo de distanciamento controlado, sozinho, n\u00e3o ir\u00e1 controlar a pandemia no estado. Para alcan\u00e7ar esse objetivo \u00e9 preciso interromper a transmiss\u00e3o do v\u00edrus com outras a\u00e7\u00f5es, incluindo uma comunica\u00e7\u00e3o mais efetiva e aten\u00e7\u00e3o a outros indicadores epidemiol\u00f3gicos.<\/p>\n<p><em>\u201cO racioc\u00ednio dos leitos \u00e9 muito perigoso. A forma de enfrentar a pandemia \u00e9 n\u00e3o deixar chegar no leito de hospital\u201d<\/em>, explica. A professora de epidemiologia e reitora da UFCSPA avalia que houve um grande<em> \u201cdesrespeito\u201d<\/em> com a bandeira preta, um elemento no qual chegou a acreditar que sensibilizaria as pessoas. E mesmo a bandeira vermelha, a partir de agora, tamb\u00e9m n\u00e3o ter\u00e1 o mesmo significado que j\u00e1 teve em 2020.<\/p>\n<p class=\"p1\"><em>\u201cA esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia efetiva para lidar com a pandemia. Temos que nos preparar para ter casos de cont\u00e1gio na comunidade escolar. \u00c9 isso que queremos?\u201d,<\/em> questiona a reitora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Sul 21<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o do governador Eduardo Leite (PSDB) em&nbsp;alterar o Modelo de Distanciamento Controlado e mudar todas as regi\u00f5es do Rio Grande do Sul da bandeira preta para a vermelha&nbsp;n\u00e3o surpreendeu m\u00e9dicos e pesquisadores que acompanham a crise do coronav\u00edrus no Estado. Pelo contr\u00e1rio. 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