{"id":46483,"date":"2021-03-23T15:01:59","date_gmt":"2021-03-23T17:01:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=46483"},"modified":"2021-03-23T15:01:59","modified_gmt":"2021-03-23T17:01:59","slug":"nempenseemmematar-campanha-que-denuncia-cultura-feminicida-e-lancada-nesta-quinta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/nempenseemmematar-campanha-que-denuncia-cultura-feminicida-e-lancada-nesta-quinta\/","title":{"rendered":"#NemPenseEmMeMatar: campanha que denuncia cultura feminicida \u00e9 lan\u00e7ada nesta quinta"},"content":{"rendered":"<p>Embora o crime de feminic\u00eddio esteja no C\u00f3digo Penal desde 2015, o assassinato de mulheres \u2013 apenas por serem mulheres \u2013 cresce diariamente no Brasil. Ante essa realidade, o Levante Feminista contra o Feminic\u00eddio, frente suprapartid\u00e1ria, lan\u00e7a, nesta quinta-feira,25, a campanha <em>\u201cNem Pense em Me Matar\u201d,<\/em> apoiada na ideia: <em>\u201cQuem mata uma mulher mata a humanidade!\u201d.<\/em> A atividade inicial da campanha &#8220;Nem Pense em Me Matar&#8221; ser\u00e1 realizada em evento online, das 10h \u00e0s 12h30, nas redes sociais do Levante Feminista contra o Feminic\u00eddio, s\u00e3o elas: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/LevanteFem\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Twitter<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LevanteFeminista2021\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Facebook<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/levantefeminista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instagram<\/a>. J\u00e1 as&nbsp;<a href=\"https:\/\/vaka.me\/1836072\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">contribui\u00e7\u00f5es para o financiamento coletivo&nbsp;do projeto podem ser feitas neste link<\/a>.<\/p>\n<p>Com a hashtag #NemPenseEmMeMatar, a frente busca atingir um p\u00fablico amplo e disseminar a ideia de que a viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 um problema que afeta n\u00e3o s\u00f3 as fam\u00edlias, mas a sociedade inteira.<\/p>\n<p><em>&#8220;Organizamos o levante feminista para conter a matan\u00e7a de mulheres no pa\u00eds. \u00c9 a nossa forma de discordar dos decretos de armas e de toda essa onda mis\u00f3gina patriarcal que n\u00f3s estamos vivenciando&#8221;<\/em>, contextualiza Vilma Reis, soci\u00f3loga, refer\u00eancia dos movimentos negros no pa\u00eds, integrante da Coaliz\u00e3o Negra Por Direitos. <em>&#8220;A gente diz &#8216;nem pense em me matar&#8217; e traz a ideia de &#8216;quem mata uma mulher mata a humanidade&#8217; para materializar que, sem as mulheres, sem a pot\u00eancia feminista, o Brasil n\u00e3o vai para a frente.&#8221;,<\/em> acrescenta.<\/p>\n<p><strong>Dados da pandemia<\/strong><\/p>\n<p>No primeiro semestre de 2020, ano em que a pandemia de covid-19 se alastrou pelo mundo impondo a necessidade de isolamento social, foi registrado&nbsp;<a href=\"https:\/\/forumseguranca.org.br\/anuario-brasileiro-seguranca-publica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aumento de 1,9% deste crime de \u00f3dio<\/a>. Nos primeiros seis meses, foram mortas 648 brasileiras, a maioria negras e vivendo em desigualdade social.<\/p>\n<p>Dados como esses e a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas se agravam em um pa\u00eds que j\u00e1 ocupava o quinto lugar entre as na\u00e7\u00f5es que mais matam suas mulheres, conforme lista da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). \u00c9 com o objetivo de denunciar a omiss\u00e3o do Estado e exigir a prote\u00e7\u00e3o da vida delas que ao Levante Feminista est\u00e1 se organizando.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Articula\u00e7\u00e3o cresce por todo o Brasil<\/strong><\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o do levante foi iniciada por Vilma Reis, Marcia Tiburi, fil\u00f3sofa, escritora e artista, e Tania Palma, pesquisadora e assistente social.<\/p>\n<p>O levante, que rapidamente ganhou corpo, \u00e9 formado por cerca de 200 pessoas que se articulam remotamente para a constru\u00e7\u00e3o de uma a\u00e7\u00e3o conjunta pela vida das mulheres. Entre elas, est\u00e3o mulheres negras, ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhas, das \u00e1guas, das florestas, antiproibicionistas, parlamentares, dos movimentos LBTQIA+ e de outros segmentos das organiza\u00e7\u00f5es populares e da sociedade civil.<\/p>\n<p>Em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.change.org\/levantefeminista2021\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">manifesto constru\u00eddo de forma coletiva e tornado p\u00fablico dia 12 de mar\u00e7o<\/a>, a frente pontua de forma contundente que a exist\u00eancia de uma &#8220;cultura de \u00f3dio&#8221; direcionada \u00e0s mulheres brasileiras precisa chegar ao fim. Tamb\u00e9m que a pr\u00e1tica do crime de feminic\u00eddio &#8220;nunca esteve t\u00e3o ostensiva e extremista&#8221; quanto agora, no governo de Jair Bolsonaro e sobretudo no contexto da pandemia do novo coronav\u00edrus. Em tr\u00eas dias, o documento obteve mais de 8 mil assinaturas.<\/p>\n<p>Entre as den\u00fancias, o manifesto afirma que <em>&#8220;ideias e atitudes mis\u00f3ginas transformaram-se em comportamento aceito e legitimado pela sociedade, contaminando o Executivo, o Legislativo e o Judici\u00e1rio capaz de senten\u00e7as sexistas e de ressuscitar arcaicos argumentos da &#8216;leg\u00edtima defesa da honra&#8217; e da &#8216;passionalidade&#8217; como uma esp\u00e9cie de &#8216;m\u00e9rito&#8217; para absolver criminosos. Isso confirma a neglig\u00eancia e inoper\u00e2ncia do Estado brasileiro no enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>O documento tra\u00e7a tamb\u00e9m o perfil dos matadores: \u201c<em>s\u00e3o homens que n\u00e3o admitem a autonomia, a igualdade e a liberdade das mulheres. S\u00e3o machistas, violentos que querem a redomestica\u00e7\u00e3o e o afastamento das mulheres da vida p\u00fablica&#8230;\u201d<\/em>,&nbsp;\u201cusam a viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica, moral, sexual e patrimonial contra mulheres e seus filhos at\u00e9 o extremo, que \u00e9 o ato do feminic\u00eddio\u201d.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Um Levante pela vida das mulheres e pelo fim do feminic\u00eddio<\/p>\n<p>Marcia Tiburi conta que a ideia de se juntar a outras mulheres contra este crime de \u00f3dio surgiu exatamente pela urg\u00eancia em combater o desamparo e a neglig\u00eancia.<em> &#8220;O patriarcado \u00e9 um juramento de morte contra as mulheres pelos mais diversos motivos, sempre torpes&#8221;<\/em>, afirma.<\/p>\n<p>A filosof\u00e1 espera criar, com suas companheiras, condi\u00e7\u00f5es para superar a velha cultura feminicida: &#8220;Trata-se de uma guerra sangrenta que precisa parar. O que desejamos com a nossa campanha \u00e9 estancar esse banho de sangue que vem sendo promovido pelo machismo e pela espetaculariza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia que dele faz parte.\u201d<\/p>\n<p>A campanha, que est\u00e1&nbsp;nas redes sociais, ter\u00e1 a\u00e7\u00f5es pontuais em cada estado, organizadas pelas mulheres que vivem e conhecem a realidade espec\u00edfica do feminic\u00eddio em cada lugar. Para isso, est\u00e3o sendo criados materiais de comunica\u00e7\u00e3o, exaltando a imagem dos girass\u00f3is amarelos, s\u00edmbolo do Levante, que figura como sinal de esperan\u00e7a e celebra\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p><em>&#8220;N\u00f3s estamos fazendo um trabalho de base e queremos agregar o maior n\u00famero de mulheres que pudermos, mesmo aquelas que n\u00e3o se entendem como feministas\u201d,<\/em> explica Tania Palma.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos falando com religiosas, pescadoras, desempregadas, quilombolas, ribeirinhas&#8221;, pontua ela, que \u00e9 tamb\u00e9m membro do GTFem, da Universidade Federal da Bahia, que realiza a primeira pesquisa sobre casos de feminic\u00eddio em Salvador. &#8220;<em>N\u00e3o \u00e9 preciso ser feminista para querer o fim do feminic\u00eddio. A gente tem que compreender politicamente isso\u201d<\/em>, diz a pesquisadora, acreditando que todas devem ser efetivamente conquistadas para a campanha.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de fazer o esfor\u00e7o de base, o Levante se conduz pela pauta feminista que, do ponto de vista das organizadoras, \u00e9 inegoci\u00e1vel. Isso significa combater a pol\u00edtica de militariza\u00e7\u00e3o do governo, que tem liberado o acesso a armas e muni\u00e7\u00f5es, com objetivo de armar a popula\u00e7\u00e3o \u2013 uma plataforma publicizada por Jair Bolsonaro. Al\u00e9m de almejar o fim do feminic\u00eddio, o Levante quer fortalecer a democracia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Brasil de Fato&nbsp;<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora o crime de feminic\u00eddio esteja no C\u00f3digo Penal desde 2015, o assassinato de mulheres \u2013 apenas por serem mulheres \u2013 cresce diariamente no Brasil. 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