{"id":46017,"date":"2021-03-03T14:23:31","date_gmt":"2021-03-03T16:23:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=46017"},"modified":"2021-03-03T14:23:31","modified_gmt":"2021-03-03T16:23:31","slug":"queda-do-pib-de-2020-e-a-3a-maior-da-historia-e-so-perde-para-as-de-1990-e-1981","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/queda-do-pib-de-2020-e-a-3a-maior-da-historia-e-so-perde-para-as-de-1990-e-1981\/","title":{"rendered":"Queda do PIB de 2020 \u00e9 a 3\u00aa maior da hist\u00f3ria e s\u00f3 perde para as de 1990 e 1981"},"content":{"rendered":"<p>A retomada econ\u00f4mica perdeu f\u00f4lego no \u00faltimo trimestre do ano passado, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 3,2% em rela\u00e7\u00e3o ao terceiro trimestre, informou nesta quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Diante da redu\u00e7\u00e3o no per\u00edodo do valor do aux\u00edlio emergencial, extinto desde janeiro de 2021, e da piora da pandemia de Covid-19, a desacelera\u00e7\u00e3o j\u00e1 era esperada. Com o dado do quarto trimestre, o PIB caiu, na m\u00e9dia de 2020, 4,1% ante 2019, o terceiro pior resultado da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O tombo foi menor do que a retra\u00e7\u00e3o de 4,35% registrada em 1990, ano do confisco das poupan\u00e7as pelo governo Collor, que segue marcado como a maior retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica anual de que se tem registro, numa s\u00e9rie hist\u00f3rica desde 1901, compilada pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea). O segundo pior desempenho desde o s\u00e9culo 20 foi registrado em 1981, em meio \u00e0 crise da d\u00edvida externa, quando o tombo foi de 4,25%.<\/p>\n<p>O resultado de 2020 veio um pouco melhor do que as proje\u00e7\u00f5es do mercado financeiro, que apontavam para uma retra\u00e7\u00e3o de 4,2%, segundo mediana da pesquisa do Proje\u00e7\u00f5es Broadcast com o economistas do mercado financeiro, que esperavam baixa de 4,55% a 3,50%.<\/p>\n<p>Fortemente afetado pelas medidas de restri\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o para conter o avan\u00e7o do coronav\u00edrus, o setor de servi\u00e7os encolheu 4,5% no ano e a ind\u00fastria registrou queda de 3,5%. Por outro lado, a agropecu\u00e1ria cresceu 2%.<\/p>\n<p>Pesou no resultado anual de 2020 o segundo trimestre, auge das medidas de restri\u00e7\u00e3o ao contato social para tentar conter a covid-19, com tombo de 9,2% (dado j\u00e1 revisado) ante os tr\u00eas primeiros meses do ano. Entre abril e junho, a retra\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o maior do que outras j\u00e1 verificadas na hist\u00f3ria porque houve uma paralisa\u00e7\u00e3o quase completa das atividades, a partir de meados de mar\u00e7o do ano passado.<\/p>\n<h4><strong>Crise diferente<\/strong><\/h4>\n<p>Em outras crises &#8211; causadas por infla\u00e7\u00e3o, desequil\u00edbrios nas contas externas ou bolhas financeiras, entre outras causas -, as empresas entram em dificuldade, suspendem investimentos e demitem funcion\u00e1rios, ou a renda das fam\u00edlias \u00e9 corro\u00edda, e elas consomem menos. Assim, lojas vendem menos, mas seguem vendendo. Ind\u00fastrias veem a demanda cair e reduzem a produ\u00e7\u00e3o, mas seguem produzindo.<\/p>\n<p>Em 2020, a crise foi diferente. A pandemia fechou lojas, que n\u00e3o podiam receber clientes, e f\u00e1bricas, que n\u00e3o podiam aglomerar trabalhadores. Vendas e produ\u00e7\u00e3o foram para perto de zero ao mesmo tempo, provocando uma enorme queda na compara\u00e7\u00e3o com o PIB de per\u00edodos anteriores.<\/p>\n<p>A partir de meados do ano, as medidas de restri\u00e7\u00e3o ao contato social come\u00e7aram a ser relaxadas Pa\u00eds afora. S\u00f3 isso j\u00e1 foi suficiente para dar in\u00edcio \u00e0 retomada, lembrou a economista-chefe da Tend\u00eancias Consultoria, Alessandra Ribeiro. \u00c9 o que economistas chamam de &#8220;recupera\u00e7\u00e3o c\u00edclica&#8221;. As medidas adotadas pelo governo para mitigar a crise, com destaque para o aux\u00edlio emergencial, deram um impulso adicional.<\/p>\n<p>&#8220;<em>Uma coisa \u00e9 parar tudo e reabrir. S\u00f3 com isso, j\u00e1 tem uma rea\u00e7\u00e3o da economia. Depois, o aux\u00edlio (emergencial) foi muito importante, mas houve outros est\u00edmulos&#8221;,<\/em> afirmou Alessandra, citando a baixa da taxa b\u00e1sica de juros (a Selic, que chegou aos atuais 2,0% ao ano, menor da hist\u00f3ria) e outras medidas do Banco Central (BC) sobre o cr\u00e9dito, o programa de preserva\u00e7\u00e3o de empregos formais e o Pronampe, linha de financiamentos para pequenas empresas com garantia do Tesouro, operada pelo Banco do Brasil.<\/p>\n<p>Portanto, a a\u00e7\u00e3o do governo e do Congresso Nacional evitou um resultado anual ainda pior. Para o estrategista-chefe do Banco Mizuho na Am\u00e9rica Latina, Luciano Rostagno, a hist\u00f3ria da retomada da atividade econ\u00f4mica no ano passado s\u00f3 pode ser contada tendo os est\u00edmulos fiscais, monet\u00e1rios e credit\u00edcios, &#8220;sem precedentes&#8221;, como protagonistas.<\/p>\n<p>No momento mais pessimista das pesquisas do Proje\u00e7\u00f5es Broadcast, quando o IBGE informou o PIB do primeiro trimestre, no fim de maio, as proje\u00e7\u00f5es apontavam para uma retra\u00e7\u00e3o de 6,5% em 2020. Dali em diante, os analistas foram revisando para cima as proje\u00e7\u00f5es, \u00e0 medida que foram sendo divulgados dados econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>A pandemia tamb\u00e9m desorganizou a economia. Com as fam\u00edlias passando mais tempo em casa, o com\u00e9rcio eletr\u00f4nico permitiu que o consumo de bens fosse mantido, beneficiando a recupera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria. Com isso, o PIB industrial avan\u00e7ou 1,9% no quarto trimestre ante o terceiro, fechando 2020 com queda de 3,5% sobre 2019. Por outro lado, o isolamento social seguiu afetando a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os como alimenta\u00e7\u00e3o fora, lazer e viagens. Com isso, o PIB de servi\u00e7os avan\u00e7ou 2,7% sobre o terceiro trimestre, mas isso n\u00e3o foi suficiente para evitar a queda de 4,5% em 2020 ante 2019.<\/p>\n<p>A desorganiza\u00e7\u00e3o dificulta a retomada, porque o setor de servi\u00e7os responde por 73% do PIB. Esse peso tamb\u00e9m se reflete no consumo, direcionado em sua maioria para os servi\u00e7os. Mesmo com o impulso do aux\u00edlio emergencial, a alta de 3,4% no consumo das fam\u00edlias no quarto trimestre sobre o terceiro n\u00e3o evitou a queda de 5,5% em 2020.<\/p>\n<p>Como a redu\u00e7\u00e3o do poder de fogo das medidas do governo j\u00e1 era conhecida &#8211; em setembro, o aux\u00edlio emergencial foi reduzido de R$ 600 para R$ 300 mensais, com o \u00faltimo pagamento feito em dezembro &#8211; e houve a piora da pandemia em dezembro, a perda de f\u00f4lego da retomada no fim do ano era esperada. A desacelera\u00e7\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o continuou neste in\u00edcio de ano, sem o aux\u00edlio e com os sistemas de sa\u00fade no limite, e v\u00e1rios economistas j\u00e1 esperam uma retra\u00e7\u00e3o do PIB no primeiro trimestre.<\/p>\n<p><em>&#8220;2020 \u00e9 o ano que n\u00e3o terminou. O ano de 2021 \u00e9 um &#8216;repeteco&#8217;, e agravado. Estamos vendo uma rebarba forte da pandemia, sem os instrumentos (para mitigar a crise), como o aux\u00edlio (emergencial), e com o desemprego e a infla\u00e7\u00e3o mais elevados. \u00c9 um 2020 piorado&#8221;,<\/em> afirmou o economista Ant\u00f4nio Corr\u00eaa de Lacerda, professor da PUC-SP.<\/p>\n<p>Segundo Alessandra Ribeiro, da Tend\u00eancias, dados de dezembro, janeiro e fevereiro apontam que o fim do aux\u00edlio emergencial tem causado impacto negativo &#8220;mais importante&#8221; do que o inicialmente estimado. Por isso, e por causa da piora na pandemia, a consultoria projetava crescimento abaixo de 3,0%, antes de sa\u00edrem os dados do quarto trimestre.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, lembrou a economista, as discuss\u00f5es em torno da reedi\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia de renda trazem \u00e0 tona as incertezas sobre os desequil\u00edbrios fiscais. O governo federal j\u00e1 vinha com d\u00e9ficits nos \u00faltimos anos por causa da crise fiscal que se arrasta desde a recess\u00e3o de 2014 a 2016, mas o quadro se agravou com a pandemia. Ano passado, o d\u00e9ficit prim\u00e1rio nas contas do governo &#8211; que n\u00e3o considera as despesas financeiras com juros da d\u00edvida &#8211; foi de R$ 743,087 bilh\u00f5es, ou 10% do PIB, o maior rombo da s\u00e9rie hist\u00f3rica do Tesouro Nacional, iniciada em 1997.<\/p>\n<p>Agora, ap\u00f3s dois meses sem pagar o aux\u00edlio emergencial, o governo ainda negocia com o Congresso uma reedi\u00e7\u00e3o da medida, por meio de uma Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que autoriza a inclus\u00e3o da transfer\u00eancia de renda no Or\u00e7amento deste ano, mas cria novas medidas de ajuste das despesas no futuro. A PEC est\u00e1 prevista para ser votada nesta quarta-feira.<\/p>\n<h3><strong>Controle da pandemia e vacina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Na vis\u00e3o de Alessandra, o controle da pandemia e o ritmo da vacina\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais importantes para definir o ritmo da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica em 2021, mas a quest\u00e3o fiscal poder\u00e1 tirar ainda mais f\u00f4lego da retomada.<\/p>\n<p>O efeito a\u00ed \u00e9 indireto. Com as incertezas sobre o equil\u00edbrio das contas do governo, agentes do mercado financeiro passam a buscar taxas de juros mais elevadas ao investir nos t\u00edtulos p\u00fablicos. Isso contribui para a eleva\u00e7\u00e3o das cota\u00e7\u00f5es do d\u00f3lar.<\/p>\n<p>O c\u00e2mbio mais elevado serve de combust\u00edvel para a infla\u00e7\u00e3o e poder\u00e1 levar o BC a elevar os juros b\u00e1sicos. A eleva\u00e7\u00e3o geral dos juros encarece investimentos e pode reduzir o ritmo de crescimento.<\/p>\n<h3><strong>Incerteza fiscal e necessidade do aux\u00edlio<\/strong><\/h3>\n<p>Para o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, as incertezas fiscais preocupam mais. Isso porque Megale &#8211; que integrava a equipe do Minist\u00e9rio da Economia, ocupando tr\u00eas cargos diferentes, at\u00e9 julho de 2020 &#8211; aposta que a vacina\u00e7\u00e3o contra avan\u00e7ar\u00e1 e que, mesmo sem o aux\u00edlio emergencial, recursos poupados pelas fam\u00edlias manter\u00e3o o consumo. &#8220;O que pode piorar o cen\u00e1rio de PIB em 2021 n\u00e3o \u00e9 a pandemia, n\u00e3o \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos, mas uma piora relevante da percep\u00e7\u00e3o de risco&#8221;, afirmou o economista da XP.<\/p>\n<p>Para Megale, a percep\u00e7\u00e3o de risco piorou recentemente, com a crise na Petrobras &#8211; o presidente Jair Bolsonaro criticou a pol\u00edtica de pre\u00e7os dos combust\u00edveis e indicou um novo presidente para a estatal &#8211; e as sinaliza\u00e7\u00f5es de que o aux\u00edlio emergencial poder\u00e1 ser reeditado com poucas contrapartidas de cortes de gastos.<\/p>\n<p><em>&#8220;Nesse ambiente, o c\u00e2mbio talvez n\u00e3o seja t\u00e3o favor\u00e1vel quanto a nossa proje\u00e7\u00e3o de R$ 4,90 (para o fim do ano). Se o c\u00e2mbio for R$ 5,50, a infla\u00e7\u00e3o vai ficar mais pressionada, o Banco Central vai ter que antecipar a alta de juros, o que pode comprometer o crescimento no fim deste ano e do ano que vem&#8221;,<\/em> completou o economista da XP.<\/p>\n<p>O professor Lacerda, da PUC-SP, v\u00ea a reedi\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio como inevit\u00e1vel. Diante da eleva\u00e7\u00e3o dos d\u00e9ficits nas contas p\u00fablicas em todos os pa\u00edses, por causa do cen\u00e1rio in\u00e9dito da pandemia, o problema maior \u00e9 o governo federal n\u00e3o ter um plano de longo prazo de equil\u00edbrio. No curto prazo, sem a transfer\u00eancia de renda emergencial, o desempenho da economia ser\u00e1 pior em 2021, derrubando a arrecada\u00e7\u00e3o de tributos e, portanto, ampliando o rombo fiscal da mesma forma, segundo o economista.<\/p>\n<p><em>&#8220;N\u00e3o vamos conseguir o equil\u00edbrio fiscal negando os recursos (para o aux\u00edlio), porque a arrecada\u00e7\u00e3o vai cair ainda mais, vai haver atrasos no pagamento de tributos. N\u00e3o h\u00e1 muita alternativa se n\u00e3o fazer (uma nova rodada do aux\u00edlio)&#8221;<\/em>, afirmou Lacerda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Correio do Povo&nbsp;<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A retomada econ\u00f4mica perdeu f\u00f4lego no \u00faltimo trimestre do ano passado, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 3,2% em rela\u00e7\u00e3o ao terceiro trimestre, informou nesta quarta-feira, o Instituto Brasileiro&#8230;<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":46019,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[5716,5717],"class_list":["post-46017","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-economia-brasileira","tag-recuo-na-economia"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46017","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46017"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46017\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46019"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46017"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46017"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46017"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}