{"id":45204,"date":"2021-01-28T14:56:26","date_gmt":"2021-01-28T16:56:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=45204"},"modified":"2021-01-28T14:56:26","modified_gmt":"2021-01-28T16:56:26","slug":"em-cinco-anos-brasil-tem-mais-de-seis-mil-denuncias-de-escravidao-e-trafico-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/em-cinco-anos-brasil-tem-mais-de-seis-mil-denuncias-de-escravidao-e-trafico-humano\/","title":{"rendered":"Em cinco anos, Brasil tem mais de seis mil den\u00fancias de escravid\u00e3o e tr\u00e1fico humano"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria de Madalena Gordiniano, que passou quase toda uma vida trabalhando em condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0 escravid\u00e3o, chocou o Brasil no final de 2020. A mulher, que, aos 8 anos de idade, foi pedir um peda\u00e7o de p\u00e3o e acabou servindo a uma fam\u00edlia por 38 anos, nunca recebeu sal\u00e1rio nem direitos trabalhistas, vivia reclusa, foi for\u00e7ada a casar e chegou at\u00e9 a pedir comida e sabonete para vizinhos.&nbsp;O calv\u00e1rio s\u00f3 chegou ao fim em novembro quando, ap\u00f3s den\u00fancia, ela foi libertada por auditores fiscais do trabalho em um apartamento na cidade de Patos de Minas (MG). Vivia num c\u00f4modo, que n\u00e3o tinha sequer janelas.<\/p>\n<p>Madalena foi resgatada em pleno s\u00e9culo 21. Mas, como ela, muitas pessoas ainda sofrem situa\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0quelas vividas pelos escravos no per\u00edodo colonial.&nbsp;Trabalho for\u00e7ado, jornada exaustiva, condi\u00e7\u00f5es degradantes, servid\u00e3o por d\u00edvida s\u00e3o algumas das caracter\u00edsticas do que se chama trabalho escravo moderno. S\u00f3 nos \u00faltimos cinco anos (2016-2020), o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) recebeu mais de seis mil den\u00fancias relacionadas aos temas trabalho escravo e aliciamento e tr\u00e1fico de trabalhadores.<\/p>\n<p>De acordo com o vice-coordenador nacional de Combate ao Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tr\u00e1fico de Pessoas (Conaete), do MPT, Italvar Medina, s\u00f3 no ano passado, mais de 900 trabalhadores foram resgatados de situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas ao trabalho escravo.&nbsp; \u201c<em>A grande parte das situa\u00e7\u00f5es ocorreu no meio rural, sobretudo nas atividades de caf\u00e9, carvoarias e plantio e colheita de cebola. Mas tamb\u00e9m tivemos resgates urbanos em oficinas de costura e trabalho dom\u00e9stico\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Segundo Medina, as v\u00edtimas do trabalho escravo moderno s\u00e3o pessoas em situa\u00e7\u00e3o de alta vulnerabilidade social, baixa escolaridade, com poucas oportunidades de emprego e baixa consci\u00eancia de seus direitos. <em>\u201cElas s\u00e3o iludidas por promessas de \u00f3timas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e remunera\u00e7\u00e3o, muitas vezes levadas a sair do seu estado de origem e quando chegam ao seu destino, percebem que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 como foi prometida\u201d,<\/em> diz.<\/p>\n<p>O vice-coordenador nacional da Conaete destaca o perfil desses escravos modernos: 70% dos resgatados s\u00e3o pardos ou negros \u201co que inclusive \u00e9 revelador da persist\u00eancia do racismo estrutural no pa\u00eds, pois a cor de hoje ainda reflete a dos escravos de antigamente\u201d, analisa. A maioria deles s\u00e3o homens e com grau de escolaridade baixo. O estado de Minas Gerais \u00e9 o que possui mais casos de trabalhos an\u00e1logos \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Hist\u00f3rias<\/strong><\/h3>\n<p>A escravid\u00e3o moderna tira dos trabalhadores direitos b\u00e1sicos como \u00e1gua pot\u00e1vel, alimenta\u00e7\u00e3o, higiene e condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho. A servidora do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho do Mato Grosso do Sul, Nayara Lima Xavier, acompanhou diversas dilig\u00eancias no estado e presenciou situa\u00e7\u00f5es degradantes. Numa delas, em 2019, os trabalhadores estavam alojados em barracos improvisados com lona e galhos de \u00e1rvores. N\u00e3o havia ilumina\u00e7\u00e3o e estruturas de madeira montadas no ch\u00e3o de terra serviam como cama. Como n\u00e3o existia banheiro, os trabalhadores tinham que fazer suas necessidades fisiol\u00f3gicas no mato.<\/p>\n<p><em>\u201cA \u00e1gua utilizada para consumo, banho e preparo de alimentos era colhida de um c\u00f3rrego e trazida em gal\u00f5es de lubrificantes. Tinha um aspecto turvo e barroso.\u201d,<\/em> lembra. &nbsp;Al\u00e9m disso, pela falta de energia el\u00e9trica, as carnes ficavam penduradas em varais para secar, sujeitando-se ao contato com sujeira e contaminantes diversos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Correio do Povo&nbsp;<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria de Madalena Gordiniano, que passou quase toda uma vida trabalhando em condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0 escravid\u00e3o, chocou o Brasil no final de 2020. A mulher, que, aos 8 anos de idade, foi pedir um peda\u00e7o de p\u00e3o e acabou servindo a uma fam\u00edlia por 38 anos, nunca recebeu sal\u00e1rio nem direitos trabalhistas, vivia reclusa,<\/p>\n<div class=\"read-more-wrapper\"><a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/em-cinco-anos-brasil-tem-mais-de-seis-mil-denuncias-de-escravidao-e-trafico-humano\/\" title=\"Read More\"> <span class=\"button\">Read More<\/span><\/a><\/div>","protected":false},"author":2,"featured_media":45206,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[5422,5423,5421,4655,1587],"class_list":["post-45204","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-direitos-basicos","tag-escravidao-moderna","tag-escravidao-no-brasil","tag-radiocomunitariafw","tag-vulnerabilidade-social"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45204","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45204"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45204\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}