{"id":45027,"date":"2021-01-21T15:58:18","date_gmt":"2021-01-21T17:58:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=45027"},"modified":"2021-01-21T15:58:18","modified_gmt":"2021-01-21T17:58:18","slug":"no-dia-de-combate-a-intolerancia-religiosa-ha-pouco-a-comemorar-diz-lideranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/no-dia-de-combate-a-intolerancia-religiosa-ha-pouco-a-comemorar-diz-lideranca\/","title":{"rendered":"No Dia de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia Religiosa h\u00e1 \u201cpouco a comemorar&#8221;, diz lideran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Nesta quinta-feira, 21, \u00e9 celebrado o&nbsp;Dia Nacional de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia Religiosa. Os n\u00fameros mostram, no entanto, que h\u00e1 pouco o que comemorar. As den\u00fancias de casos relacionados \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa, destinadas \u00e0&nbsp;Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), pelo Disque 100, aumentaram 41,2% no primeiro semestre de 2020 em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2019. Se comparado ao mesmo per\u00edodo de 2018, as den\u00fancias aumentaram 136%, segundo dados do Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos (MMFDH)<\/p>\n<p>Segundo H\u00e9dio Silva J\u00fanior, Coordenador Executivo do Instituto de Defesa dos Direitos das Religi\u00f5es Afro-brasileiras, o aumento das queixas est\u00e1 ligado a dois fatores: <em>\u201co aumento da consci\u00eancia de direitos entre as lideran\u00e7as afro-religiosas\u201d<\/em> e o contexto geral de intoler\u00e2ncia na sociedade brasileira.&nbsp;<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Privatiza\u00e7\u00e3o do Estado por interesses religiosos<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cNos \u00faltimos anos, fac\u00e7\u00f5es religiosas v\u00eam privatizando determinados espa\u00e7os p\u00fablicos. E lamentavelmente o atual presidente \u00e9 um dos mais entusiastas defensores da privatiza\u00e7\u00e3o do Estado por interesses religiosos\u201d<\/em>, afirma J\u00fanior. Como exemplo, ele cita as investidas de Jair Bolsonaro de preencher cargos p\u00fablicos, entre minist\u00e9rios e o Supremo Tribunal Federal (STF), com nomes \u201cterrivelmente\u201d evang\u00e9licos,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/08\/04\/deboche-de-damares-esconde-ataques-a-povos-vulneraveis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">como o de Damares Alves, chefe do MMFDH<\/a>.<\/p>\n<p>A administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, entretanto, \u00e9 regida por um princ\u00edpio constitucional que \u00e9 o princ\u00edpio da impessoalidade. Isso significa que os interesses particulares, de cunho religiosos ou n\u00e3o, n\u00e3o podem se sobrepor aos interesses p\u00fablicos, pelos quais o servidor est\u00e1 no cargo.<\/p>\n<p><em>\u201cPara a sociedade n\u00e3o interessa qual \u00e9 a religi\u00e3o do presidente da Rep\u00fablica, mas o que ele faz em termos de pol\u00edtica p\u00fablica, servi\u00e7os p\u00fablicos, cria\u00e7\u00e3o de oportunidade, garantia de direitos, etc. Mas, lamentavelmente, se h\u00e1 hoje uma figura que \u00e9 um dos principais defensores e propagandistas da intoler\u00e2ncia religiosa \u00e9 o presidente da Rep\u00fablica\u201d,<\/em> afirma J\u00fanior.<\/p>\n<p>O coordenador diz que o \u201cproblema\u201d s\u00e3o os discursos que \u201cpropagam o medo\u201d e a \u201ctentativa de materializa\u00e7\u00e3o da figura do dem\u00f4nio\u201d em templos de religi\u00f5es de matriz africana. <em>\u201cO problema \u00e9 que parte desse discurso n\u00e3o se limita ao proselitismo. Parte desse discurso \u00e9 destinado a propagar o \u00f3dio e a incitar brasileiros a acreditarem que os seus problemas se devem \u00e0 exist\u00eancia das religi\u00f5es afro-brasileiras\u201d,<\/em> diz J\u00fanior.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 2017, durante um encontro na Para\u00edba,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/10\/21\/cristofobia-o-novo-jargao-na-linguagem-do-bolsonarismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jair Bolsonaro defendeu o fim do Estado laico e atacou outras religi\u00f5es<\/a>, ao dizer: \u201cDeus acima de tudo. N\u00e3o tem essa historinha de Estado laico n\u00e3o. O Estado \u00e9 crist\u00e3o e a minoria que for contra, que se mude. As minorias t\u00eam que se curvar para as maiorias\u201d.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>\u201cIntoler\u00e2ncia enquanto obst\u00e1culo \u00e0 democracia\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Segundo J\u00fanior, a mobiliza\u00e7\u00e3o e a conscientiza\u00e7\u00e3o da comunidade afro religiosa no Brasil s\u00e3o crescentes, o que explica, em parte, o aumento do n\u00famero de den\u00fancias relacionadas \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa, ainda que haja uma subnotifica\u00e7\u00e3o, nas palavras do coordenador. Para ele, <em>\u201ca sociedade precisa pautar o tema da intoler\u00e2ncia religiosa como um obst\u00e1culo \u00e0 democracia, que corr\u00f3i a democracia, a paz social\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Paralelamente, o Estado, enquanto garantidor da prote\u00e7\u00e3o social, deve adotar medidas preventivas contra este cen\u00e1rio, por meio das institui\u00e7\u00f5es de ensino, os meios de comunica\u00e7\u00e3o e a ind\u00fastria cultural como um todo, que envolve a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, teatral e musical, por exemplo.&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u201cN\u00f3s precisamos avan\u00e7ar&nbsp;n\u00e3o s\u00f3 no sentido de reprimir a discrimina\u00e7\u00e3o, mas criar uma cultura de conviv\u00eancia e coexist\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 entre os grupos religiosos, mas tamb\u00e9m entre os brasileiros que n\u00e3o professam religi\u00e3o nenhuma<\/em>\u201d, defende J\u00fanior.&nbsp;<\/p>\n<p>Os \u00faltimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) apontam 191 milh\u00f5es de pessoas religiosas no Brasil, das quais 589 mil s\u00e3o da Umbanda, do Candombl\u00e9 e de outras declara\u00e7\u00f5es de religiosidades afro-brasileiras. J\u00fanior afirma, no entanto, que h\u00e1 um n\u00famero \u201cextremamente grande e subnotificado\u201d no censo feito pelo IBGE, cujos dados ainda s\u00e3o de 2010.<\/p>\n<p><em>\u201cEu sempre cito o caso do Rio Grande do Sul, onde h\u00e1 70 mil terreiros de religi\u00f5es afro. Se voc\u00ea considera que cada templo tem em m\u00e9dia 50 fi\u00e9is,&nbsp; estamos falando que no Rio Grande do Sul h\u00e1 3 milh\u00f5es de afro religiosos, ou macumbeiros, como eu gosto de falar\u201d,<\/em> afirma J\u00fanior<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>O Dia Nacional de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia Religiosa<\/strong><\/p>\n<p>O dia 21 de janeiro foi escolhido como o Dia Nacional de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia Religiosa em homenagem \u00e0&nbsp;m\u00e3e de santo Gild\u00e1sia dos Santos e Santos, M\u00e3e Gilda, v\u00edtima de intoler\u00e2ncia religiosa.&nbsp; Em 1999, a Igreja Universal do Reino de Deus publicou uma reportagem no jornal Folha Universal com o t\u00edtulo \u201c<em>Macumbeiros charlat\u00f5es lesam o bolso e a vida dos clientes&#8221; e<\/em> a foto de M\u00e3e Gilda.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a m\u00e3e de santo e outros membros do terreiro de Candombl\u00e9 Il\u00ea Ax\u00e9 Abass\u00e1 de Ogum, fundado por M\u00e3e Gilda, passaram a ser alvos de persegui\u00e7\u00e3o, o que resultou no agravamento de problemas de sa\u00fade, levando-a \u00e0 morte no dia 21 de janeiro de 2000.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Brasil de Fato&nbsp;<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quinta-feira, 21, \u00e9 celebrado o&nbsp;Dia Nacional de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia Religiosa. 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