{"id":44797,"date":"2021-01-13T15:38:50","date_gmt":"2021-01-13T17:38:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=44797"},"modified":"2021-01-13T15:38:50","modified_gmt":"2021-01-13T17:38:50","slug":"supermercados-devem-melhorar-praticas-de-responsabilidade-diz-ong","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/supermercados-devem-melhorar-praticas-de-responsabilidade-diz-ong\/","title":{"rendered":"Supermercados devem melhorar pr\u00e1ticas de responsabilidade, diz ONG"},"content":{"rendered":"<p>Os tr\u00eas maiores supermercados brasileiros \u2013 Carrefour, Grupo Big e P\u00e3o de A\u00e7\u00facar \u2013 est\u00e3o distantes das melhores pr\u00e1ticas de responsabilidade corporativa, sustentabilidade e cumprimento de compromissos com os direitos humanos em suas cadeias produtivas, concluiu relat\u00f3rio da Oxfam Brasil, lan\u00e7ado nesta quarta-feira, 13,. Juntos, eles alcan\u00e7aram m\u00e9dia de 4%, sendo que uma empresa totalmente respons\u00e1vel com direitos humanos em suas cadeias ganharia 100%.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1398526&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1398526&amp;o=node\"><\/p>\n<p>O documento&nbsp;<em>Por Tr\u00e1s das Suas Compras \u2013 uma an\u00e1lise da responsabilidade corporativa com o respeito aos direitos humanos nas cadeias produtivas dos maiores supermercados brasileiros<\/em>&nbsp;foi elaborado com base em an\u00e1lises das pol\u00edticas corporativas, declara\u00e7\u00f5es e compromissos dispon\u00edveis publicamente nos&nbsp;<em>sites<\/em>&nbsp;dos tr\u00eas supermercados em rela\u00e7\u00e3o a quatro temas \u2013 transpar\u00eancia e accountability, trabalhadoras e trabalhadores rurais, pequenos agricultores e agricultura familiar, e direitos das mulheres no campo. A an\u00e1lise foi feita&nbsp;de julho&nbsp;a setembro de 2020.<\/p>\n<p><em>\u201cAnalisamos os supermercados, desta vez&nbsp;a documenta\u00e7\u00e3o. O que vimos \u00e9 que h\u00e1&nbsp;muito pouco compromisso e muito pouca pr\u00e1tica relatada. Normalmente, vai&nbsp;ter&nbsp;um c\u00f3digo de conduta para os fornecedores muito gen\u00e9rico, que n\u00e3o especifica as situa\u00e7\u00f5es e que divulga muito pouco das informa\u00e7\u00f5es\u201d<\/em>, disse Gustavo Ferroni, coordenador da \u00e1rea de Setor Privado, Desigualdades e Direitos Humanos da Oxfam.<\/p>\n<p>Ele acrescenta que atualmente n\u00e3o se sabe o que, especificamente, os tr\u00eas maiores supermercados do Brasil fazem para garantir que o trabalhador rural da fruticultura n\u00e3o seja explorado, que o contrato dele n\u00e3o seja informal, que ele tenha \u00e1gua e banheiro ou ainda se h\u00e1 auditorias nas cadeias produtivas. <em>\u201cQuando voc\u00ea conversa com os sindicatos rurais, eles reclamam muito disso, eles falam &#8216;eu tenho den\u00fancias [sobre o trabalho no campo] e eu n\u00e3o sei para onde essa fruta est\u00e1 indo, porque os supermercados n\u00e3o me dizem se eles compram dessa fazenda ou n\u00e3o&#8217;<\/em>\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><em>\u201cEm alguns casos, vimos que o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar exige aos seus fornecedores que o sal\u00e1rio pago aos trabalhadores garanta um m\u00ednimo de qualidade vida, n\u00e3o basta ser um sal\u00e1rio m\u00ednimo, pelo menos est\u00e1 escrito, mas eles n\u00e3o dizem como fazem para fiscalizar e garantir isso. O Carrefour e o Big n\u00e3o chegam nem a falar isso nos seus c\u00f3digos. No caso do Grupo Big, a linguagem era muito branda, muito flex\u00edvel no que deve ser pago em termos de sal\u00e1rio\u201d,<\/em> disse.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es coletadas pela Oxfam foram tabeladas em um sistema de pontua\u00e7\u00e3o. Separadamente, o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar apresentou o melhor desempenho, com 6,5%, seguido pelo Carrefour, com 2,7%, e pelo Grupo Big, com 2,2%. Quando colocados frente aos maiores supermercados europeus e estadunidenses, em uma lista de 19 empresas, o Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar fica empatado em d\u00e9cimo quarto com o Albertsons, dos Estados Unidos, enquanto o Carrefour e Grupo Big ficam nas \u00faltimas coloca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mesmo apresentando resultados superiores em rela\u00e7\u00e3o aos seus pares nacionais, os tr\u00eas maiores brasileiros tiveram uma avalia\u00e7\u00e3o aqu\u00e9m do esperado, mostrou&nbsp;a Oxfam. \u201cAo analisar os&nbsp;documentos dispon\u00edveis, constata-se que, quando comparados com outros grandes supermercados da Europa e dos Estados Unidos, haveria espa\u00e7o para Carrefour, Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar e Grupo Big avan\u00e7arem em suas pr\u00e1ticas e compromissos e, assim, se alinharem com as melhores pr\u00e1ticas mundiais\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<h4>Contexto da produ\u00e7\u00e3o rural<\/h4>\n<p>A \u00e1rea rural do Brasil d\u00e1 origem a importantes cadeias produtivas de grande sucesso econ\u00f4mico e que alimentam grandes empresas em todo o mundo. Mas o relat\u00f3rio mostra&nbsp;que, por tr\u00e1s dessas cadeias, est\u00e3o trabalhadores rurais, pequenos agricultores e mulheres que vivem em alto grau de vulnerabilidade econ\u00f4mica e social, com baixos sal\u00e1rios, trabalho prec\u00e1rio e at\u00e9 exposi\u00e7\u00e3o a produtos t\u00f3xicos.<\/p>\n<p>A Oxfam avalia que a melhora nos compromissos e nas pr\u00e1ticas divulgadas publicamente pelos mercados pode contribuir para reduzir problemas da cadeia produtiva no pa\u00eds. E acrescenta que a desigualdade econ\u00f4mica e social &#8211; que se estende ao setor agr\u00edcola &#8211; n\u00e3o \u00e9 acidental, mas mantida pela a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o dos setores p\u00fablico e privado.<\/p>\n<p><em>\u201cCom certeza, podemos dizer que a responsabilidade mais urgente dos supermercados est\u00e1 em dois lugares: nas cadeias de alimentos frescos, onde eles t\u00eam preponder\u00e2ncia, uma proximidade maior com o campo, onde os alimentos s\u00e3o produzidos,&nbsp;e com os produtos alimentares de marca pr\u00f3pria, que est\u00e3o diretamente associados aos supermercados\u201d,<\/em> acrescentou a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante da situa\u00e7\u00e3o atual de garantia de direitos humanos na cadeia produtiva de alimentos do varejo no Brasil, essas empresas podem influenciar de maneira positiva o futuro do setor. <em>\u201cNosso objetivo \u00e9 estimular que os supermercados, que t\u00eam papel-chave nisso e s\u00e3o o principal local onde a maioria dos brasileiros compra&nbsp;seus alimentos, melhorem no monitoramento e na responsabilidade com os direitos humanos de trabalhadores rurais e agricultores familiares\u201d<\/em>, disse Ferroni.<\/p>\n<p>Para ele, as grandes empresas que ancoram e articulam cadeias produtivas influenciam o comportamento dos fornecedores. <em>\u201cConhecemos a realidade, a Oxfam divulga estudos sobre a realidade rural, outras organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, da academia e do governo divulgam estudos. Ent\u00e3o sabemos que as cadeias t\u00eam problemas, que os trabalhadores do caf\u00e9 enfrentam problemas, assim como da cana, da pecu\u00e1ria, da fruticultura, ent\u00e3o definitivamente h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o, e os supermercados precisam assumir a sua responsabilidade e fazer mais\u201d,<\/em> afirmou.<\/p>\n<p>De acordo com dados do relat\u00f3rio, o setor do varejo supermercadista \u00e9 economicamente importante para o pa\u00eds, representando mais de 5% do Produto Interno Bruto, conseguiu um faturamento, em 2019, de R$ 378,3 bilh\u00f5es e \u00e9 respons\u00e1vel por 1,8 milh\u00e3o de empregos diretos. Apenas os tr\u00eas maiores supermercados \u2013 Carrefour, Grupo Big e P\u00e3o de A\u00e7\u00facar \u2013 controlam juntos 46,6% do setor no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201c<em>Claro que esperamos mais das grandes empresas, a responsabilidade tem que ser atribu\u00edda de acordo com o tamanho e com a capacidade. Ent\u00e3o, quando falamos nos tr\u00eas maiores supermercados do Brasil, que s\u00e3o parte de grandes grupos multinacionais, esperamos muito mais do que encontramos [no relat\u00f3rio]\u201d,<\/em> acrescentou.<\/p>\n<p>O Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar (GPA) disse, em nota, que tem como prop\u00f3sito ser agente mobilizador na constru\u00e7\u00e3o de nova agenda social, ambiental e de governan\u00e7a para uma sociedade mais inclusiva e sustent\u00e1vel. Sobre o relat\u00f3rio, \u201co GPA entende que as diferentes realidades e particularidades de cada pa\u00eds devem ser consideradas e compreendidas, incluindo as diferen\u00e7as socioecon\u00f4micas, regulat\u00f3rias e de processos produtivos que impactam nas pol\u00edticas e pr\u00e1ticas relacionadas \u00e0 cadeia de produ\u00e7\u00e3o, mas entende seu papel de apoiar com protagonismo essa transforma\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><em>\u201cA companhia, que apresentou a melhor pontua\u00e7\u00e3o geral entre os&nbsp;players&nbsp;brasileiros, acredita que, pela complexidade da cadeia de valor do varejo, esse \u00e9 um caminho que precisa ser percorrido com afinco, de maneira multisetorial, continuamente. O varejo \u00e9 o elo, a conex\u00e3o entre fornecedores e clientes, e tem a importante oportunidade de desenvolver novas pr\u00e1ticas na cadeia de abastecimento para construir um futuro que potencialize os impactos positivos para uma sociedade mais justa e sustent\u00e1vel\u201d,<\/em> finalizou.<\/p>\n<p>O Grupo Big disse, em nota, que <em>\u201ca empresa n\u00e3o teve acesso ao conte\u00fado desse material e, portanto, n\u00e3o far\u00e1 coment\u00e1rios\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Ag\u00eancia Brasil&nbsp;<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os tr\u00eas maiores supermercados brasileiros \u2013 Carrefour, Grupo Big e P\u00e3o de A\u00e7\u00facar \u2013 est\u00e3o distantes das melhores pr\u00e1ticas de responsabilidade corporativa, sustentabilidade e cumprimento de compromissos com os direitos humanos em suas cadeias produtivas, concluiu relat\u00f3rio da Oxfam Brasil, lan\u00e7ado nesta quarta-feira, 13,. 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