{"id":44610,"date":"2021-01-07T14:35:09","date_gmt":"2021-01-07T16:35:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=44610"},"modified":"2021-01-07T14:35:09","modified_gmt":"2021-01-07T16:35:09","slug":"dia-do-leitor-falta-de-acessibilidade-e-desafio-para-formar-leitores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/dia-do-leitor-falta-de-acessibilidade-e-desafio-para-formar-leitores\/","title":{"rendered":"Dia do Leitor: falta de acessibilidade \u00e9 desafio para formar leitores"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil conta com&nbsp;100,1 milh\u00f5es de leitores, em um universo de mais de 200 milh\u00f5es de habitantes,&nbsp;e esse grupo vem diminuindo com o passar do tempo. De acordo com a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da pesquisa&nbsp;<a href=\"https:\/\/prolivro.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/5a_edicao_Retratos_da_Leitura_no_Brasil_IPL-compactado.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Retratos da Leitura no Brasil<\/a>, feita com dados de 2019, registrou-se uma diferen\u00e7a de 4,6 milh\u00f5es de pessoas&nbsp;em rela\u00e7\u00e3o a 2015.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1398074&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1398074&amp;o=node\"><\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa, elaborada pelo Instituto Pr\u00f3 Livro e o Ita\u00fa Cultural, lembram alguns dos entraves para se manter o h\u00e1bito de leitura no pa\u00eds, que voltam \u00e0 tona em datas como a comemorada hoje (7), Dia do Leitor. A celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma homenagem \u00e0 funda\u00e7\u00e3o do jornal cearense&nbsp;<em>O Povo<\/em>,&nbsp;criado em 7 de janeiro de 1928&nbsp;pelo poeta e jornalista Dem\u00f3crito Rocha.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do valor dos livros, que os tornam artigo de luxo para os mais pobres, e da correria do dia a dia, que acaba dificultando o h\u00e1bito da leitura,&nbsp;ainda&nbsp;faltam recursos de acessibilidade. Tal lacuna tamb\u00e9m \u00e9 percebida em um dos formatos mais queridos dos brasileiros: os gibis ou as hist\u00f3rias em quadrinhos. Juntos, eles representam uma parcela significativa de material de leitura com que o brasileiro tem contato todos os dias ou pelo menos uma vez por semana, conforme revela a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.<\/p>\n<p>A pesquisa mais recente do Instituto Pr\u00f3-Livro e Ita\u00fa Cultural tamb\u00e9m mostrou que 2% dos entrevistados classificados como n\u00e3o leitores de livros informaram que a raz\u00e3o pela qual n\u00e3o leram nos \u00faltimos tr\u00eas meses foi porque t\u00eam problemas de sa\u00fade\/vis\u00e3o. Entre os entrevistados qualificados como leitores, a pergunta n\u00e3o foi aplicada.<\/p>\n<h4>Pesquisa<\/h4>\n<p>Os obst\u00e1culos de se traduzir&nbsp;hist\u00f3rias em quadrinhos para pessoas com defici\u00eancia visual foi o enfoque dado pelo pesquisador Victor Caparica \u00e0 sua&nbsp;tese de doutorado, desenvolvida na Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho (Unesp). O trabalho venceu o Pr\u00eamio Unesp de Teses&nbsp;na categoria Sociedades Plurais.<\/p>\n<p>Caparica perdeu, primeiro, a vis\u00e3o de um olho apenas, tornando-se o que se chama de monocular, at\u00e9 que, uma d\u00e9cada depois, acabou ficando sem enxergar de modo absoluto. Ele integra a parcela de 3,6% da popula\u00e7\u00e3o brasileira que tem defici\u00eancia visual. Conforme menciona o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), na Pesquisa Nacional de Sa\u00fade,&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2015-08\/ibge-62-da-populacao-tem-algum-tipo-de-deficiencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">16% das pessoas com esse tipo de defici\u00eancia<\/a>&nbsp;apresentam um grau muito severo, que os impede de realizar atividades habituais, como ir \u00e0 escola, trabalhar e brincar.<\/p>\n<p>Segundo Caparica, a audiodescri\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo semelhante \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o, mas consiste, <em>&#8220;categoricamente&#8221;, em traduzir. Isso significa que implica o mesmo grau de percal\u00e7os e questionamentos de outros tipos de tradu\u00e7\u00e3o, como a liter\u00e1ria. O processo que se configura \u00e9 &#8220;a transposi\u00e7\u00e3o de um enunciado de uma perspectiva visual (que uma pessoa com defici\u00eancia&nbsp; visual n\u00e3o pode&nbsp;avaliar) para uma perspectiva n\u00e3o-visual&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 nenhuma diferen\u00e7a qualitativa ou quantitativa observ\u00e1vel entre a tradu\u00e7\u00e3o de uma pessoa que traduz um poema de um idioma para outro e uma audiodescri\u00e7\u00e3o, s\u00e3o os mesmos desafios, a mesma atividade, s\u00e3o as mesmas compet\u00eancias que se espera do profissional&#8221;,<\/em> diz.<\/p>\n<p><em>&#8220;Inclusive, na \u00e1rea de letras, \u00e9 relativamente conhecido o termo da tradu\u00e7\u00e3o intersemi\u00f3tica e eu uso bastante essa express\u00e3o na pesquisa, que \u00e9 justamente quando voc\u00ea est\u00e1 traduzindo um enunciado de uma forma de constru\u00e7\u00e3o de sentido, que a gente chama de semiose, de uma semiose pra outra. Ent\u00e3o, \u00e9 de uma forma de construir significados pra outra forma de construir significado.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Em seu trabalho acad\u00eamico, Caparica&nbsp;pontua que aproveitar a simples sucess\u00e3o de quadros n\u00e3o seria o suficiente para uma narra\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o que fez a partir de sua dupla experi\u00eancia, como leitor de hist\u00f3rias em quadrinhos visual e como consumidor do produto audiodescrito. E foi nesse sentido que desejou contribuir.<\/p>\n<p>O pesquisador&nbsp;argumenta, ainda, que <em>&#8220;a audiodescri\u00e7\u00e3o exige a coopera\u00e7\u00e3o entre um audiodescritor que enxerga e um consultor que n\u00e3o enxerga&#8221;<\/em>. Por isso, para desenvolver sua tese, a companheira de Caparica, Let\u00edcia Mazzoncini Ferreira, formou-se como audiodescritora para colaborar com o projeto.<\/p>\n<p><em>&#8220;Quem consome a audiodescri\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode produzi-la,&nbsp;quem precisa, seu p\u00fablico-alvo.&nbsp;E&nbsp;quem a produz n\u00e3o \u00e9 seu p\u00fablico-alvo. Isso cria uma lacuna, um abismo comunicacional que precisa ser suplantado. \u00c9 necess\u00e1rio que se construa uma ponte por cima desse precip\u00edcio que separa o p\u00fablico da produ\u00e7\u00e3o<\/em>&#8220;, diz.<\/p>\n<p><em>&#8220;Eu ainda consigo cumprir, como profissional, uma s\u00e9rie de pap\u00e9is da audiodescri\u00e7\u00e3o, por uma coincid\u00eancia de elementos da minha forma\u00e7\u00e3o pessoal e profissional, acabei acumulando algumas compet\u00eancias m\u00faltiplas na \u00e1rea de audiodescri\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de ser consultor e produtor de conte\u00fado audiodescrito, sou tamb\u00e9m locutor profissional e tamb\u00e9m fa\u00e7o a parte de edi\u00e7\u00e3o e mixagem de \u00e1udio. Ent\u00e3o, tr\u00eas quartos do trabalho com a produ\u00e7\u00e3o de audiodescri\u00e7\u00e3o eu, como p\u00fablico-alvo, consigo estar l\u00e1 e fazer, mas esse um quarto que falta \u00e9 o papel mais importante de todos, que \u00e9 o de audiodescritor, que faz efetivamente a tradu\u00e7\u00e3o&#8221;,<\/em> emenda.<\/p>\n<h4>Retrato da leitura e o gosto por quadrinhos<\/h4>\n<p>Para obter os dados apresentados no levantamento do Instituto Pr\u00f3 Livro e do Ita\u00fa Cultural, equipes percorreram 208 munic\u00edpios, entre outubro de 2019 a janeiro de 2020. Ao todo, 8.076 pessoas foram consultadas, sendo divididas entre leitores, que s\u00e3o aqueles que leram um livro integral ou parcialmente nos \u00faltimos tr\u00eas meses, e n\u00e3o leitores, classifica\u00e7\u00e3o que designa aqueles que declararam n\u00e3o ter lido nenhum livro nos \u00faltimos 3 meses, mesmo que tenha lido nos \u00faltimos 12 meses.<\/p>\n<p>A simpatia pela Turma da M\u00f4nica fica evidente nas respostas. Os gibis foram uma das 37 obras mais citadas. Al\u00e9m disso, Maur\u00edcio de Sousa, criador dos personagens do gibi, tamb\u00e9m figura entre os autores mais lembrados e adorados.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se observa que, entre estudantes, a propor\u00e7\u00e3o de gibis e hist\u00f3rias em quadrinhos \u00e9 maior (16%) do que a registrada entre n\u00e3o estudantes (8%). A m\u00e9dia nacional \u00e9 de 8%.<\/p>\n<p>Pode-se imaginar tamb\u00e9m que, ao estar na universidade, os jovens acabem abandonando os gibis e quadrinhos, mas acontece exatamente o oposto. Ao todo, 14% dos entrevistados com esse n\u00edvel de escolaridade declararam que os leem, contra 13% das crian\u00e7as que cursam o fundamental I (1\u00ba a 4\u00ba s\u00e9rie ou 1\u00ba ao 5\u00ba ano), 12% dos que est\u00e3o no ensino fundamental II (5\u00ba a 8\u00ba s\u00e9rie ou 6\u00ba ao 9\u00ba ano) e 8% dos alunos do ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 faixa et\u00e1ria, observa-se que os grupos que mais folheiam gibis e hist\u00f3rias em quadrinhos s\u00e3o pessoas com 5 a 10 anos de idade (22%) e de 11 a 13 anos (21%). As que manifestam menos interesse s\u00e3o idosos com 60 anos ou mais (1%), com 50 a 59 (7%) e 30 a 39 (8%).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Ag\u00eancia Brasil&nbsp;<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil conta com&nbsp;100,1 milh\u00f5es de leitores, em um universo de mais de 200 milh\u00f5es de habitantes,&nbsp;e esse grupo vem diminuindo com o passar do tempo. 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