{"id":40799,"date":"2020-06-03T15:59:03","date_gmt":"2020-06-03T17:59:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=40799"},"modified":"2020-06-03T16:03:37","modified_gmt":"2020-06-03T18:03:37","slug":"policia-civil-alerta-para-aumento-nos-crimes-de-estelionato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/policia-civil-alerta-para-aumento-nos-crimes-de-estelionato\/","title":{"rendered":"Pol\u00edcia Civil alerta para aumento nos crimes de estelionato"},"content":{"rendered":"<p>Crimes de estelionato aumentaram 25% no Estado, se comparado o primeiro m\u00eas de 2019 e o de 2020 &#8211; foram 8,4 mil casos e 10,5 mil, respectivamente. Os n\u00fameros s\u00e3o da Secretaria Estadual da Seguran\u00e7a P\u00fablica (SSP-RS) e revelam que grande parte desses casos envolvem a clonagem de perfis do WhatsApp. Este crime acabou se tornando uma das principais demandas para a Delegacia de Repress\u00e3o aos Crimes Inform\u00e1ticos (DRCI) da Pol\u00edcia Civil, que atua na investiga\u00e7\u00e3o de delitos praticados pela Internet.<\/p>\n<p>A delegacia, sediada junto ao Departamento Estadual de Investiga\u00e7\u00e3o Criminal (Deic) em Porto Alegre, ainda enfrenta e investiga as repercuss\u00f5es desses &#8220;golpes&#8221; na vida das v\u00edtimas. Titular do \u00f3rg\u00e3o, o delegado Andr\u00e9 Lobo Anicet explica que a clonagem de n\u00fameros do aplicativo de comunica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea passa por uma verdadeira engenharia social. &#8220;O criminoso \u00e9 ardiloso. Pode criar perfis ou situa\u00e7\u00f5es para emboscar as v\u00edtimas mais desavisadas&#8221;, pontua.<\/p>\n<p>Em casos de pessoas que informam o n\u00famero de contato do WhatsApp em sites de vendas, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 raro que o golpista entre em contato informando que para o an\u00fancio ser validado, ele necessita de um c\u00f3digo que chegar\u00e1 via SMS (mensagem de texto). Nesse instante, o criminoso tenta logar no WhatsApp com o n\u00famero da outra pessoa, o que faz com que o aplicativo envie para a v\u00edtima uma mensagem com um c\u00f3digo de verifica\u00e7\u00e3o. Erroneamente, quando esse n\u00famero chega no celular da v\u00edtima, ela o passa para o criminoso. &#8220;Na verdade, esse c\u00f3digo \u00e9 o pr\u00f3prio c\u00f3digo de seguran\u00e7a do aplicativo, sem o qual o fraudador n\u00e3o teria como clonar aquele n\u00famero&#8221;, alerta. Especificamente aqui, qualquer um que tenha WhatsApp pode ser alvo desse tipo de crime.<\/p>\n<p>Ainda nesse universo do Whatsapp, outro golpe poss\u00edvel envolve a cria\u00e7\u00e3o de um perfil falso de conhecidos da v\u00edtima, com o intuito de pedir dinheiro. &#8220;Isso, geralmente, ocorre com quem tem redes socias abertas e com muitos seguidores, o que possibilita que o criminoso copie fotos para criar um perfil falso e busque por pessoas conectadas a ela na vida real&#8221;, informa.<\/p>\n<p>O contato quase sempre acontece com familiares, aos quais o criminoso, se passando pela v\u00edtima, solicita dinheiro ou o pagamento de algum boleto banc\u00e1rio, sob o pretexto de que no dia seguinte ir\u00e3o ressarcir a quantia &#8211; o que, obviamente, n\u00e3o acontece.<\/p>\n<p>Outra modalidade de estelionato que tem mobilizado a Pol\u00edcia \u00e9 o &#8220;golpe dos nudes&#8221; &#8211; o qual tamb\u00e9m envolve o crime de extors\u00e3o. Com perfis falsos criados em sites de relacionamentos, como o Facebook, o criminoso se passa por mulheres jovens e bonitas, mirando, principalmente, homens de meia idade, cujas redes sociais sejam abertas. &#8220;O relacionamento virtual fica mais quente, e as &#8216;falsas jovens&#8217; trocam fotos \u00edntimas e solicitam o mesmo a esses senhores. N\u00e3o demora muito, outra pessoa entra em cena, chamando a v\u00edtima de ped\u00f3filo e exigindo dinheiro para n\u00e3o vazar as fotos dela na internet&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>O mesmo golpe ainda pode contar com a participa\u00e7\u00e3o de falsos policiais civis, que entram em contato com a v\u00edtima, tamb\u00e9m por redes sociais fraudulentas, exigindo dinheiro para arquivar o inqu\u00e9rito policial.<br \/>\nTamb\u00e9m e-mails maliciosos que instalam programas capazes de roubar senhas e dados ou bloquear aplicativos podem ser um problema para quem costuma &#8220;clicar antes e pensar depois&#8221;. &#8220;Atualmente, inclusive, golpista fingem usar o e-mail da Delegacia Online para solicitar dados. \u00c9 importante que percebamos que e-mails governamentais, como o da Pol\u00edcia Civil e o da pr\u00f3pria DOL, terminam sempre com &#8216;.gov.br&#8217; e n\u00e3o &#8216;.com'&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda em falsos sites de leil\u00e3o do Estado, que fornecem endere\u00e7os de dep\u00f3sitos de ve\u00edculos oficiais,&nbsp; criminosos realizam leil\u00f5es online. O golpe se concretiza quando as v\u00edtimas, com falsas cartas de arremata\u00e7\u00e3o, realizam o dep\u00f3sito em dinheiro.<\/p>\n<p><strong>Como se proteger?<\/strong><br \/>\n&#8220;Costumo sempre dizer que na Internet precisamos desconfiar de tudo e de todos, principalmente, quando n\u00e3o sabemos com exatid\u00e3o com quem conversamos. Ent\u00e3o, compartilhar fotos ou informa\u00e7\u00f5es \u00edntimas tende a ser muito perigoso&#8221;. Essa \u00e9 a primeira dica de Anicet: desconfie.<br \/>\nNo caso dos falsos sites de leil\u00e3o aten\u00e7\u00e3o redobrada aos leiloeiros, os quais precisam ser cadastrados junto ao Judici\u00e1rio, e \u00e0s contas para dep\u00f3sito, que em leil\u00f5es oficiais nunca ser\u00e3o de pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica, mas judicial. &#8220;Tamb\u00e9m esses falsos sites geralmente terminam em &#8216;.com\/br&#8217; numa clara&nbsp; tentativa de imitar os sites autorizados pelo Judici\u00e1rio, os quais terminam quase sempre em &#8216;.com.br&#8217; ou &#8216;.lel.br'&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Escape da clonagem<\/strong><br \/>\nSobre a clonagem de WhatsApp, ele pede que as pessoas n\u00e3o forne\u00e7am o c\u00f3digo de seguran\u00e7a a terceiros, mas, caso aconte\u00e7a, e a v\u00edtima n\u00e3o consiga mais acessar o perfil, deve informar da clonagem por e-mail ao WhatsApp e solicitar o bloqueio da conta.<br \/>\nUm mecanismo de seguran\u00e7a muito \u00fatil \u00e9 a verifica\u00e7\u00e3o em duas etapas &#8211; uma esp\u00e9cie de contrassenha que \u00e9 solicitada pelo aplicativo para barrar tentativas de clonagem. Para ativ\u00e1-la abra o aplicativo, toque no menu de tr\u00eas pontos e acesse as \u201cConfigura\u00e7\u00f5es\u201d. Em \u201cConta\u201d, escolha \u201cVerifica\u00e7\u00e3o\/Confirma\u00e7\u00e3o em duas etapas\u201d, toque em \u201cAtivar\u201d e escolha uma senha com seis d\u00edgitos para a conta do WhatsApp. Em seguida, ser\u00e1 necess\u00e1rio confirmar o seu PIN, infomar um endere\u00e7o de e-mail v\u00e1lido (caso esque\u00e7a seu c\u00f3digo), tocar em \u201cAvan\u00e7ar\u201d e confirmar seu endere\u00e7o de e-mail em \u201cSalvar\u201d.<\/p>\n<p><strong>No meio real<\/strong><br \/>\nMuito embora os golpes de estelionato tenham se multiplicado Internet afora, o mundo real tamb\u00e9m reserva suas armadilhas. E entre as diversas existentes, talvez, ainda hoje, a que mais vitime as pessoas seja a do golpe do bilhete premiado. Titular da 12a Delegacia de Pol\u00edcia da Capital, o delegado Wagner Dalcin, explica o modus operandi do criminoso &#8211; &#8220;ele leva a v\u00edtima a acreditar que ele (o criminoso) ganhou um pr\u00eamio numa loteria, mas que para o mesmo ser liberado \u00e9 necess\u00e1rio um dep\u00f3sito em dinheiro e que se a vit\u00edma ajud\u00e1-lo com isso, parte do pr\u00eamio ser\u00e1 dela&#8221;. Mas isso n\u00e3o acontece, e, geralmente, a v\u00edtima s\u00f3 percebe que foi ludibriada tarde demais.<br \/>\nEmbora os golpes sejam muitos, uma caracter\u00edstica geral os conecta &#8211; a sedu\u00e7\u00e3o do estelionat\u00e1rio. &#8220;Ele \u00e9 um verdadeiro ator, que se aproveita da boa-f\u00e9 e da ingenuidade das pessoas&#8221;, analisa Dalcin, lembrando que n\u00e3o raramente as v\u00edtimas &#8220;saem atr\u00e1s&#8221; de quem as prejudicou. &#8220;Agem como se fossem investigadores, tentam resolver a situa\u00e7\u00e3o por conta pr\u00f3pria e demoram parar ir \u00e0 pol\u00edcia&#8221;, revela. A orienta\u00e7\u00e3o, segundo ele, \u00e9 sempre procurar as autoridades e registrar boletim de ocorr\u00eancia, seja para um eventual golpe do bilhete ou outro. &#8220;S\u00f3 assim o delegado vai tomar conhecimento do fato e iniciar uma investiga\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p><strong>A complexidade do crime<\/strong><br \/>\nDif\u00edcil de investigar, geralmente tem como prova apenas a palavra da v\u00edtima. &#8220;Um elemento muito parco para se levar ao promotor e juiz e render processo, condena\u00e7\u00e3o e pris\u00e3o&#8221;, afirma. Tamb\u00e9m a legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante &#8220;branda&#8221; e, segundo Dalcin, reflete na atua\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio, pois se tratando de um delito cometido sem viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a dif\u00edcilmente se conseguir\u00e1 uma pris\u00e3o preventiva. &#8220;A n\u00e3o ser em casos excepcionais, quando se prova a reiterada pr\u00e1tica criminosa como meio de vida daquele sujeito&#8221;, completa o delegado, refor\u00e7ando a\u00ed a import\u00e2ncia do registro da ocorr\u00eancia policial pela v\u00edtima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Editado com informa\u00e7\u00f5es Ascom Pol\u00edcia Civil RS<br \/>\n(Foto: reprodu\u00e7\u00e3o)<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crimes de estelionato aumentaram 25% no Estado, se comparado o primeiro m\u00eas de 2019 e o de 2020 &#8211; foram 8,4 mil casos e 10,5 mil, respectivamente. 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