{"id":38638,"date":"2020-01-29T15:49:23","date_gmt":"2020-01-29T17:49:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.comunitaria.com.br\/?p=38638"},"modified":"2020-01-29T15:54:11","modified_gmt":"2020-01-29T17:54:11","slug":"em-2019-124-pessoas-trans-foram-assassinadas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/em-2019-124-pessoas-trans-foram-assassinadas-no-brasil\/","title":{"rendered":"Em 2019, 124 pessoas trans foram assassinadas no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil continua a ser o pa\u00eds que mais mata travestis e transexuais em todo o mundo. Esse \u00e9&nbsp;o alerta do&nbsp;<a href=\"https:\/\/antrabrasil.files.wordpress.com\/2020\/01\/dossic3aa-dos-assassinatos-e-da-violc3aancia-contra-pessoas-trans-em-2019.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">novo dossi\u00ea da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra)<\/a>, publicado nesta quarta-feira, 29, em raz\u00e3o do Dia Nacional da Visibilidade Trans.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o documento, 124 pessoas trans foram assassinadas em 2019. O M\u00e9xico, que est\u00e1 em segundo lugar no ranking global, reportou metade do n\u00famero de homic\u00eddios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria das mortes em territ\u00f3rio brasileiro foi registrada&nbsp;na regi\u00e3o Nordeste, onde 45 pessoas trans foram assassinadas. No entanto, em rela\u00e7\u00e3o a n\u00fameros absolutos, S\u00e3o Paulo foi o estado que mais matou essa&nbsp;popula\u00e7\u00e3o no&nbsp;ano passado, com 21 assassinatos. O Cear\u00e1 aparece logo em seguida, com 11 casos.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro dado revelado pelo levantamento explicita a gravidade da viol\u00eancia: 80% dos assassinatos apresentaram requintes de crueldade, ou seja, a maioria das mortes ocorreram ap\u00f3s viol\u00eancia excessiva. Do total, apenas 8% dos casos tiveram suspeitos identificados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bruna Benevides, secret\u00e1ria de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Antra e autora do dossi\u00ea, ressalta a import\u00e2ncia do levantamento, que est\u00e1 em sua terceira edi\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA LGBTfobia, especialmente a transfobia, \u00e9 estrutural e estruturante de nossa sociedade. Por conta disso, esse trabalho vem dizer \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral que a popula\u00e7\u00e3o trans \u00e9 extremamente vulnerabilizada e marginalizada. E que s\u00e3o necess\u00e1rias&nbsp;a\u00e7\u00f5es focais e emergenciais para frear essa viol\u00eancia e garantir que possamos nos desenvolver. [Que possamos] ser inseridas na sociedade de forma plena, com respeito \u00e0 nossa autonomia e \u00e0 nossa identidade de g\u00eanero em sua integralidade\u201d, afirma Benevides.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O n\u00famero de assassinatos em 2019 foi menor em rela\u00e7\u00e3o aos \u00faltimos dois anos. Em 2017, foram 179 assassinatos e, em 2018, 163. Entretanto, Bruna pondera&nbsp;que, apesar da queda dos n\u00fameros, n\u00e3o h\u00e1 diminui\u00e7\u00e3o efetiva da viol\u00eancia.&nbsp;<a href=\"https:\/\/antrabrasil.org\/mapadosassassinatos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Apenas de 1\u00ba a 24 de janeiro de 2020, por exemplo, houve um aumento de 180% no n\u00famero de homic\u00eddios em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior<\/a>.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQual pessoa trans se sente segura no Brasil? Sa\u00edmos de casa e n\u00e3o sabemos se iremos voltar. Se iremos ser proibidas de acessar servi\u00e7os p\u00fablicos ou espa\u00e7os comuns,&nbsp;especialmente neste momento em que tem piorado&nbsp;a forma com que a sociedade tem reagido ao avan\u00e7o de nossas conquistas, muito motivado por um discurso e agenda \u2018antitrans\u2019 e \u2018antig\u00eanero\u2019 que se instalou na esfera governamental\u201d, denuncia, acrescentando que o Brasil passou do 55\u00ba lugar para o 68\u00ba no ranking de pa\u00edses seguros para a popula\u00e7\u00e3o LGBT. &nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme dados divulgados pela organiza\u00e7\u00e3o G\u00eanero e N\u00famero, no ano passado tamb\u00e9m foi registrado um aumento de 800% das notifica\u00e7\u00f5es de agress\u00f5es contra a popula\u00e7\u00e3o trans, chegando ao n\u00famero de 11 pessoas agredidas diariamente no Brasil.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Perfil<br><\/strong>O dossi\u00ea tamb\u00e9m apresenta as principais caracter\u00edsticas das v\u00edtimas da transfobia em 2019. Segundo a Antra, entre o total de v\u00edtimas, 80% eram negras e 97,7% do g\u00eanero feminino.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A associa\u00e7\u00e3o assinala que uma pessoa trans tem mais chance de ser assassinada entre 15 e 45 anos. Mas, a cada ano, a idade das v\u00edtimas \u00e9 ainda menor. Ano passado, por exemplo, tr\u00eas&nbsp;adolescentes trans de 15 anos foram mortas. Duas delas apedrejadas at\u00e9 a morte e a terceira espancada e enforcada, com sinais de viol\u00eancia sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na avalia\u00e7\u00e3o da porta-voz da Antra, a compila\u00e7\u00e3o dos dados revela a omiss\u00e3o do Estado brasileiro frente a essa viol\u00eancia. \u201cO pa\u00eds segue no topo de assassinatos contra pessoas trans e nada tem sido feito. Nada. Nem mesmo o levantamento destes dados que, at\u00e9 ent\u00e3o, s\u00e3o feitos exclusivamente pela sociedade civil. A viol\u00eancia enfrentada pela popula\u00e7\u00e3o trans \u00e9 espec\u00edfica, devido \u00e0&nbsp;discrimina\u00e7\u00e3o pelo g\u00eanero e a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o trans, e precisa de formas espec\u00edficas de combate da mesma\u201d, aponta Bruna Benevides.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vulnerabilidade socioecon\u00f4mica e de trabalho, a&nbsp;qual&nbsp;as pessoas trans est\u00e3o submetidas tamb\u00e9m s\u00e3o destacadas pela Antra. De acordo com o dossi\u00ea, estima-se que 90% das mulheres trans estejam na prostitui\u00e7\u00e3o, sujeitas a&nbsp;diversas formas de viol\u00eancia. Prova disso \u00e9 que mais da metade dos homic\u00eddios de 2019 aconteceram nas ruas.&nbsp;<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Subnotifica\u00e7\u00e3o<br><\/strong>A Antra argumenta ainda que a falta de informa\u00e7\u00f5es sistematizadas pelo Estado dificultam o monitoramento do \u00edndice de assassinatos e leva a a uma subnotifica\u00e7\u00e3o dos casos. Para a produ\u00e7\u00e3o do dossi\u00ea, por exemplo, foram utilizadas not\u00edcias veiculadas em m\u00eddias de todo o&nbsp;pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO n\u00e3o registro n\u00e3o gera dados e mascara os n\u00fameros reais. A subnotifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema t\u00e3o grave quanto a viol\u00eancia em si. Pois ela \u00e9 uma viol\u00eancia institucional que n\u00e3o reconhece a LGBTIfobia por suas causas, e ignora tamb\u00e9m suas consequ\u00eancias\u201d, critica Bruna Benevides.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela exemplifica que s\u00f3 foi poss\u00edvel a sistematiza\u00e7\u00e3o de dados completos sobre o feminic\u00eddio quando a Lei do Feminic\u00eddio foi aprovada, mas, no&nbsp;caso da viol\u00eancia contra LGBTs,&nbsp;isso n\u00e3o acontece.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cApesar de termos a decis\u00e3o do STF [que reconheceu a discrimina\u00e7\u00e3o contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTI como uma forma de racismo], ela n\u00e3o foi incorporada no dia a dia e nos transcursos das a\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a. Existe todo um lobby fundamentalista que quer derrubar a pr\u00f3pria decis\u00e3o do STF\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A autora do dossi\u00ea lamenta que, sob o governo atual, o transfeminic\u00eddio \u2013 classificado como o assassinato sistem\u00e1tico de travestis e mulheres transexuais \u2013&nbsp;pode recrudescer.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo \u00e9 descrito pela associa\u00e7\u00e3o como uma \u201cpol\u00edtica disseminada, intencional e sistem\u00e1tica de elimina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o trans, motivada pelo \u00f3dio, abje\u00e7\u00e3o e nojo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA fala de Bolsonaro que diz que a minoria deve se&nbsp;curvar \u00e0&nbsp;maioria se reflete em rea\u00e7\u00f5es odiosas contras n\u00f3s. \u00c9 um incentivo direto \u00e0 viol\u00eancia\u201d, critica em refer\u00eancia \u00e0 frase dita pelo presidente brasileiro durante as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>*Texto: Brasil de Fato\/Lu Sudr\u00e9<\/em><\/p>\n<p><em>(Foto: Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil)<\/em><\/p>\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil continua a ser o pa\u00eds que mais mata travestis e transexuais em todo o mundo. Esse \u00e9&nbsp;o alerta do&nbsp;novo dossi\u00ea da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), publicado nesta quarta-feira, 29, em raz\u00e3o do Dia Nacional da Visibilidade Trans. De acordo com o documento, 124 pessoas trans foram assassinadas em 2019. O<\/p>\n<div class=\"read-more-wrapper\"><a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/em-2019-124-pessoas-trans-foram-assassinadas-no-brasil\/\" title=\"Read More\"> <span class=\"button\">Read More<\/span><\/a><\/div>","protected":false},"author":2,"featured_media":38641,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-38638","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38638","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38638"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38638\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38641"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.comunitaria.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}