Prefeito defende mudança no modelo de gestão do Hospital Divina Providência e garante manutenção dos atendimentos

Em meio à intervenção administrativa no Hospital Divina Providência (HDP), a Prefeitura de Frederico Westphalen intensifica esforços para reestruturar a instituição sem comprometer o atendimento à população. Em entrevista concedida à RBS na última segunda-feira (20), o prefeito Orlando Girardi detalhou as ações em andamento e defendeu a necessidade de mudanças profundas no modelo de gestão hospitalar.
A intervenção conta com o acompanhamento do Ministério Público do Rio Grande do Sul e do Mediar MPRS, além do apoio de voluntários da área jurídica. Segundo o prefeito, o objetivo central é garantir a continuidade dos serviços enquanto se busca sustentabilidade financeira para a instituição.
Girardi afirmou que o atual modelo de gestão “não se sustenta” e precisa ser reformulado para atender às demandas do Sistema Único de Saúde, ampliando também a oferta de especialidades e semi-especialidades. Ele destacou que a crise financeira do hospital se agravou nos últimos anos e relatou dificuldades de acesso a dados administrativos no início de sua gestão.
“Hoje não cabe mais esse modelo de gestão hospitalar. Precisamos trabalhar com o SUS, mas também ampliar especialidades. O hospital deve salvar vidas, garantir o pagamento dos profissionais e manter suas contas em dia”, afirmou.
Atualmente, o HDP possui mais de 300 funcionários. De acordo com o prefeito, a administração municipal com apoio da Câmara de Vereadores já destinou recursos para regularizar pagamentos, incluindo salários e o 13º, além de contribuir para a quitação de impostos federais. A dívida tributária da instituição ultrapassa R$ 13 milhões.
Entre as estratégias adotadas está a negociação para o parcelamento dos débitos com o governo federal, medida considerada essencial para a obtenção de certidões negativas e acesso a crédito. A gestão também busca empréstimos para reorganizar passivos bancários.
Girardi ressaltou que, apesar das dificuldades financeiras, o hospital dispõe de boa estrutura física e pode alcançar autonomia. “O hospital pode ter vida própria e deve ter, porque a comunidade quer e o poder público também”, disse.
Outro ponto abordado foi o pedido de desligamento de alguns médicos. O prefeito reconheceu a liberdade dos profissionais, mas minimizou os impactos. Segundo ele, há outros médicos locais e da região disponíveis para garantir a continuidade dos serviços.
A necessidade de reestruturação também está ligada ao alto custo da saúde municipal. Em 2025, cerca de 30% do orçamento de Frederico Westphalen foi destinado à área, grande parte para o transporte de pacientes a outros centros.
“Precisamos fazer saúde aqui. Reformular a gestão e trazer novas especialidades. Não se trata de conflito com médicos, mas de garantir a sobrevivência do hospital e um atendimento digno à população”, concluiu o prefeito.

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