Segue circulando o boato de que a vacina tríplice viral aumenta a probabilidade de desenvolvimento de transtornos do espectro do autismo. Tome cuidado, essa notícia é falsa!
O mais famoso discurso dos grupos contrários à vacinação surgiu após a revista Lancet publicar, ainda em 1998, um artigo associando a tríplice viral ao autismo. Desde então, diversos trabalhos científicos foram realizados para averiguar a validade dos resultados, mas todos concluíram que não havia relação.
Finalmente, em 2010, descobriu-se que Andrew Wakefield, autor da pesquisa, tinha solicitado registro de patente de uma nova vacina contra o sarampo e recebido patrocínio de escritórios de advocacia envolvidos em ações de famílias de crianças autistas contra a indústria farmacêutica
O artigo foi, então, banido dos anais da medicina, Wakefield perdeu a licença médica e está sendo responsabilizado por crime contra a saúde pública. Ainda assim, o boato continua a ser reproduzido.
Entretanto, um estudo de escala inédita realizado pelo Instituto Serum Statens e publicado na edição de março de 2019 da revista Annals of Internal Medicine reforçou que a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) não aumenta a probabilidade de desenvolvimento de transtornos do espectro do autismo (TEA). Colaboraram com o trabalho as universidades de Copenhagen, na Dinamarca, e Stanford, nos Estados Unidos.
Para chegar à conclusão, foram analisados os registros de saúde de mais de 650 mil crianças dinamarquesas, nascidas de 1999 a 2010, a partir do primeiro ano de vida até 31 de agosto de 2013. Ao todo, 6.517 indivíduos haviam sido diagnosticados com TEA, e a razão de risco entre os vacinados e não vacinados foi semelhante.
Os autores também verificaram que a tríplice viral não aumentou a incidência quando consideradas as variáveis sexo, período de nascimento, administração das demais vacinas oferecidas gratuitamente, histórico de irmão(s) com TEA e presença de alguns fatores de risco, a exemplo da prematuridade, baixo escore de Apgar, fumo durante a gestação, entre outros.
Em entrevista à agência de notícias Reuters, o epidemiologista Anders Hviid, líder do estudo, destacou que os pais não devem deixar de vacinar os filhos por medo do autismo. Ele diz que os perigos da prática de não vacinação incluem o reaparecimento do sarampo, que já começamos a testemunhar na forma de surtos.
A vacina é geralmente aplicada em duas doses: a primeira, tomada com um ano de idade, e a segunda, com 15 meses. Também indica-se que ela seja administrada em mulheres de 12 a 49 anos que não tiverem comprovação de vacinação anterior e em homens até 39 anos.
Embora o impacto de boatos ainda pareça pouco significativo no Brasil, o país voltou a enfrentar uma forte onda de sarampo, pouco menos de dois anos depois de receber da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) o certificado de eliminação da doença. De 6 de fevereiro de 2018 a 21 de janeiro de 2019, houve mais de 10 mil registros, em especial no Amazonas. É importante frisar que os primeiros casos foram importados de outros países.
*Com informações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)