por: Lavinia Machado
Projetos no Rio Grande do Sul mostram que a inclusão de Pessoas com Deficiência (PCDs) no mercado de trabalho vai muito além da Lei de Cotas, transformando vidas e realidades através de empatia e oportunidades.
Você já parou para pensar na força que existe na união e no poder de um grupo que decide caminhar junto para superar desafios? O cooperativismo carrega todas essas características em seu DNA e tem se tornado uma importante porta de entrada para milhares de talentos historicamente invisibilizados.
Atualmente, o cooperativismo no estado do Rio Grande do Sul tem promovido ativamente a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui cerca de 18 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, mas apenas uma pequena parcela consegue colocação formal. Embora a Lei de Cotas de 1991 tenha sido um avanço, a verdadeira inclusão exige mais do que o cumprimento de obrigações legais: ela demanda cultura, empatia e oportunidade. É exatamente nesse ponto que o modelo cooperativista se destaca.
Na cidade de Passo Fundo, a cooperativa Cotrijal, em parceria com a Apae e a Coeducars, desenvolve o projeto Viveiros de Cidadania. A iniciativa foca na inclusão de pessoas com deficiência intelectual e múltipla através da produção de mudas de árvores nativas.
De acordo com Maria Carolina Rovani, coordenadora do projeto, a evolução tem sido notável: “O projeto começou em 2019 com 20 colaboradores e hoje já conta com 54 profissionais atuando de forma ativa. A equipe inclui pessoas com deficiência cognitiva, baixa mobilidade, deficiência visual e auditiva, além de profissionais com autismo, síndrome de Down e paralisia cerebral” explica. As mudas produzidas auxiliam no aspecto ambiental da cooperativa e são disponibilizadas gratuitamente para que os cooperados façam reflorestamento e compensação ambiental em suas propriedades. Todos os integrantes do Viveiros de Cidadania são contratados pela Cotrijal, com carteira assinada, direitos trabalhistas, participação nos lucros, uniforme e crachá.
Para além das cotas, a iniciativa transforma vidas ao dar lugar na sociedade e poder de escolha aos participantes. Lisiane, uma das participantes que atua na feira ExpoDireto Cotrijal distribuindo mudas, resume o sentimento de superação ao afirmar que, apesar de já ter ouvido que não conseguiria trabalhar, tem muita vontade e capacidade para realizar suas funções e ser cada vez mais independente.
A jornada de inclusão segue para a cidade de Espumoso, onde a Cotriel forma anualmente turmas de jovens aprendizes com deficiência. A assessora administrativa Ana Beatriz Gava explica que o projeto atua em conjunto com as APAEs locais e com hortas comunitárias da região.
Dentro dessa iniciativa, os alunos com condições adequadas são integrados de forma gradual ao trabalho diário nos mercados da cooperativa. Há profissionais com síndrome de Down, deficiência cognitiva e deficiências físicas atuando na Sede e também nas unidades de Salto do Jacuí, Arroio do Tigre e Sobradinho. A presença desses jovens transformou por completo o ambiente de trabalho, despertando nos demais colaboradores um forte sentimento de contribuição, comunicação, atenção e dedicação mútua.






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