Desaprovação recorde de Lula na Quaest mostra que 3º mandato é museu de velhas novidades que tropeça nos próprios erros

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (26) joga luz e é um retrato do que aliados têm apontado como flancos abertos do governo Lula: o governo Lula 3 é um museu de grandes novidades, não consegue se conectar com o novo Brasil e tampouco entender e responder a demandas da sociedade em temas cruciais como segurança pública e inflação de alimentos.

O levantamento da Quaest divulgado nesta quarta-feira (26) mostra que o terceiro mandato de Lula é reprovado por 50% ou mais dos eleitores em oito estados pesquisados. A desaprovação ultrapassa os 60% em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Minas Gerais (MG), e a aprovação cai mais de 15 pontos na Bahia (BA) e em Pernambuco (PE), estados onde Lula venceu as eleições em 2022.

Essa é a primeira vez que a desaprovação de Lula superou numericamente a aprovação nesses dois estados do Nordeste, reduto do petista.

O atual governo se diferencia dos mandatos de Lula 1 e Lula 2 por ter um presidente mais isolado em um núcleo restrito, sem ampla circulação de opiniões, como era comum nas duas gestões anteriores.

Lula se elegeu com a promessa de um governo de frente ampla, mas, na prática, privilegiou o PT em posições-chave e concentrou mais esforços em sua própria base.

Não para por aí. A comunicação do governo Lula não é eficaz e deixa a desejar no trato das redes sociais, um espaço em que a oposição navega bem.

Na oposição, a mudança de foco das pautas de costumes para a economia tem se mostrado uma estratégia eficaz, especialmente no ambiente digital. A exploração da imagem do casal presidencial em conteúdos que sugerem ostentação, como vídeos divulgados por parlamentares da oposição, tem ganhado tração nas redes.

A crítica é de que o governo não consegue se comunicar com a população porque não entendeu as prioridades do eleitorado. A falta de atenção às pautas importantes para os cidadãos, como a inflação dos alimentos e a segurança pública, pode ser um dos fatores que levaram à queda de popularidade de Lula.

Aliados sugerem também que a centralização do poder nas mãos do ministro Rui Costa e da primeira-dama Janja tem ampliado desgastes internos e externos no governo e dificultado mudanças ao centro, por exemplo.

As declarações de Lula estão muitas vezes desconectadas do cotidiano da população, fazendo com que o governo tropece nos próprios erros.

Fonte: Blog Andréia Sadi, g1 

Foto: Reuters/Adriano Machado