UFSM participa de pesquisa inédita sobre avanço do coronavírus no RS

Sob coordenação do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Universidade de Pelotas (UFPel), a UFSM outras instituições federais do Rio Grande do Sul (UFRGS, UFCSPA e Unipampa), realizarão uma pesquisa para investigar o percentual da população gaúcha infectada pela Covid-19 e o ritmo do avanço da pandemia no estado. A partir de amostragens epidemiológicas sequenciais, o estudo inédito pretende identificar a prevalência da doença por regiões, o contingente de pessoas atingidas, a incidência de casos mais graves e até o grau de letalidade da doença.

A iniciativa surgiu em discussões do Comitê de Análise de Dados sobre a pandemia, instituído pelo governo do estado. Além das universidades, o Comitê reúne pesquisadores do Departamento de Economia e Estatística (DEE/Seplag), colaboradores externos e hospitais. “O Estado chamou as universidades gaúchas,
buscando alternativas que apoiem cientificamente a tomada de decisões. É importante e necessário que se tenha dados de toda a população”, explica a coordenadora do Laboratório de Epidemiologia do Departamento de Saúde Coletiva da UFSM e médica epidemiologista, Marinel Dall’agnol.

A médica é uma das responsáveis pela pesquisa sobre o Covid-19 em Santa Maria com mais três docentes da UFSM: Rosângela da Costa Lima, professora do Departamento de Saúde Coletiva, Thiago Machado Ardenghi, Pró- Reitor Adjunto de Pós-Graduação e Pesquisa, e Alexandre Vargas Schwarzbold,
professor do Departamento Clínica Médica. O trabalho tem o objetivo é auxiliar o Estado e demais organismos na definição das estratégias no enfrentamento da pandemia e, portanto, está sendo conduzido com velocidade: “Autoridades executivas e de saúde devem, rapidamente, implantar ações que reduzam a velocidade de transmissão do vírus e preparar o sistema de saúde para amenizar o impacto sobre os casos graves e mortes”, comenta Marinel.

Testes chegarão a 2 mil domicílios em Santa Maria

A pesquisa é composta por quatro etapas que acontecem a cada 15 dias a partir do primeiro. Serão sorteados aleatoriamente 500 domicílios de várias regiões de Santa Maria para realização de entrevistas. Em cada domicílio, um morador será sorteado para responder um questionário e fazer um teste rápido com o objetivo de verificar a possibilidade de contato com o coronavírus. Em 2 meses, serão realizadas 2 mil entrevistas na cidade. Ao todo, os pesquisadores terão 18 mil amostragens no estado.

O perfil do trabalho permitirá conhecer os primeiros resultados sobre a prevalência da Covid-19 na população dois dias após a aplicação dos testes. Para obter uma amostra representativa do RS, 10 cidades serão analisadas: Santa Maria, Pelotas,Porto Alegre, Canoas, Gravataí, Uruguaiana, Ijuí, Passo Fundo, Caxias do Sul e Santa Cruz do Sul. Com o sucesso da pesquisa, o Ministério da Saúde pretende levar a experiência para outros Estados.

A pessoa entrevistada terá garantido o sigilo e o direito de não querer participar da pesquisa. Serão 35 entrevistadores devidamente paramentados com equipamentos de proteção individual responsáveis pelas coletas em cada casa. São profissionais da saúde já graduados que cursam pós-graduação na UFSM (doutorado, mestrado ou especialização) e alunos de graduação em fases avançadas, que passam por uma etapa de avaliação com critérios exigentes.

Primeira aplicação dos testes deve ocorrer nos próximos dias

A primeira rodada de aplicação dos testes por amostragem deve ocorrer assim que chegarem os equipamentos de proteção individual e os testes que serão aplicados. O estudo inicia em Porto Alegre e a seguir em Santa Maria e outras cidades. Segundo a epidemiologista Marinel Dall’agnol, o material chegou em Pelotas no sábado (04) e deve estar em Santa Maria nos próximos dias.

A UFSM irá colaborar com todo o apoio logístico para o trabalho de campo e para a coleta de dados e amostras. A atuação vai desde o recrutamento e seleção de entrevistadores até o descarte de material. “Tarefas que pesquisadores estão acostumados a fazer em meses, estamos fazendo em dias”, destaca Marinel. A profissional ainda ressalta o apoio da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa da UFSM (PRPGP), do HUSM, do Curso de Enfermagem, do Departamento de Saúde Coletiva, do CCS, do Centro de Vigilância da Covid-19 do município e outros institutos.

*Eloíze Moraes/Agência de Notícias da UFSM
(Foto: divulgação)

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