Médico de FW é inocentado após 76 anos

O servidor aposentado da Receita Federal Jorge Kertesz, iniciou a cerca de seis anos uma batalha para provar a inocência do pai, Francisco Kertesz, condenador por erro médico em 1940, em Frederico Westphalen, na época vila Barril.

O médico de nacionalidade húngara havia sido condenado por imperícia no caso de uma garota diagnosticada com apendicite aguda. De acordo com os laudos da época uma lesão na bexiga levou a menina à morte. Nesta semana, após um longo processo, a Justiça decidiu reverter a decisão de 1940 que apontava Frederico Kertesz como culpado pela morte da menina. A revisão criminal, algo raro após tanto tempo no meio jurídico, emocionou o homem que, então com sete anos, viu seu pai preferir morrer a perder a honra.

Ele foi absolvido por falta de provas. Para Jorge, o caso encerra-se aí. O aposentado não pensa em pedir indenização em nome do pai.

A história

Publicada em abril de 2015 no Zero Hora a história conta que no dia 27 de agosto de 1940, às 7h30min, Francisco Kertesz atende a porta, era um policial que veio da vizinha cidade de Palmeira das Missões para leva-lo preso. Foi então que após pedir algumas horas ao policial pra organizar documentos e roupas Francisco pede aos filhos para que deem uma volta.

Jorge então, apanhou a caçula, Izabella, de cinco anos, e começou a vagar. Seguiu primeiro até a parte alta, onde ficava o escritório da comissão de terras do governo gaúcho. Depois voltou à planície. Havia passado meia hora, talvez. Perto do hospital, um ferreiro, amigo da família, contou ao menino que o pai havia falecido.

Depois de se livrar do delegado e de afastar os filhos da residência, o médico tirou a própria vida com um tiro. Tinha 36 anos.
O cortejo fúnebre de Francisco Kertesz reuniu uma multidão na principal rua de Frederico Westphalen. Uma semana depois, Hedwig, sua mulher, foi embora. Resolveu afastar os filhos do ambiente da tragédia e recomeçar a vida em Porto Alegre, na casa de uma irmã. Jorge conta que o dinheiro ganho pelo pai escoara nas despesas com o processo judicial. Vieram anos difíceis, de aperto financeiro.

Folha do Noroeste

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