Manifestações pelo “Fora Bolsonaro” tomam conta do Rio Grande do Sul

Em um dia histórico de mobilizações, manifestantes retomaram os protestos massivos de rua contra o governo Bolsonaro em todo o Brasil neste sábado (27). No Rio Grande do Sul, cidades como Santa Maria, Rio Grande, Viamão, Santa Vitória do Palmares, Pelotas, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Porto Alegre e várias outras gritaram “Fora Bolsonaro”, “vacina no braço” e “comida no prato”. Em todos os locais, os manifestantes respeitaram o pedido da organização, usando máscara e tomando os cuidados para evitar o contágio do novo coronavírus.

Os atos, organizados em todo o Brasil pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, além de organizações de trabalhadores, estudantis, religiosas e torcidas organizadas, lembraram as quase 460 mil mortes por covid-19. Vidas perdidas pela incompetência do governo federal, destacam os manifestantes. Além de cobrar vacinação em massa, auxílio emergencial justo, também esteve em pauta a luta contra as privatizações e a reforma administrativa. 

Durante o dia, os protestos contra o governo Bolsonaro alcançaram os trending topics, sendo #29MForaBolsonaro o assunto mais comentado no Twitter em todo o mundo. Os atos realizados no estado tiveram cobertura colaborativa com entradas de correspondentes direto das manifestações. Uma parceria do Brasil de Fato RS, Rede Soberania, Jornal O Coletivo, Coletivo Pão com Ovo e Central Única dos Trabalhadores do RS (CUT-RS).

Antes mesmo de amanhecer, no município de Candiota (RS), próximo à fronteira do Brasil com Uruguai, movimentos sociais da Via Campesina e o Partido dos Trabalhadores se mobilizam para denunciar o genocídio causado pelo governo Bolsonaro. Em São Leopoldo, Região Metropolitana de Porto Alegre, manifestantes por alguns instantes paralisaram a BR 116. Outras diversas cidades registraram caminhadas e gritos de ordem durante o dia.

Capital gaúcha reúne milhares de manifestantes

Em Porto Alegre, o ato começou no início da tarde. Manifestantes se concentraram no campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e foram até a prefeitura municipal. Durante o trajeto, acompanhado de faixas e tambores, entre as palavras de ordem, gritaram Fora Bolsonaro, e se uniram a milhares de pessoas que ocupavam uma grande área, desde a prefeitura, passando pela Esquina Democrática, até a Avenida Borges de Medeiros, esquina com a Salgado Filho.

Por volta das 15h, a multidão saiu pelas ruas da cidade, em direção à Usina do Gasômetro. A caminhada encerrou no pôr do sol, na Orla do Guaíba. A estimativa é que cerca de 30 mil pessoas estiveram no protesto, com participação em peso da juventude.

A presidenta do Sindicato dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul (Sindisepe/RS), Diva Costa, ressaltou o momento “gravíssimo e trágico” pelo qual passa o país. “Já são quase 460 mil mortes em decorrência da covid-19 e o presidente Bolsonaro propaga uma política negacionista e genocida”, afirma, destacando que essa política também é seguida pelo governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB) e por muitos prefeitos.

“Por isso, mesmo com a dificuldade que o vírus nos impõe de manter o distanciamento físico, é urgente a necessidade de sairmos às ruas, atentando para todos os protocolos de segurança, como máscaras, álcool e distanciamento, exigindo a saída imediata de Bolsonaro do poder. Só com organização e mobilização poderemos derrubar este governo genocida. Não há outro jeito e não há mais tempo a perder”, complementa Diva.

Conforme destacou Amarildo Cenci, presidente da CUT-RS, o ato foi convocado na expectativa de um grande público como um caminho para a retirada de Bolsonaro do governo. “O povo não tem mais como suportar tamanha omissão desse governo, em relação à covid, mas também com a economia. Por isso as palavras de ordem junto ao ‘Fora Bolsonaro’ é ‘vacina no braço e comida no prato’, mas também sim aos serviços públicos de qualidade e pelo auxílio emergencial de R$ 600”, frisou.

Ao descrever o momento complicado pelo qual o país vem passando, o presidente do Sindicaixa, Érico Côrrea, destacou a destruição absoluta do serviço público, o caos no sistema de saúde e a miséria e a fome que assola muitos brasileiros. Diante disso, o dirigente afirma que os movimentos organizados, sindicatos e movimentos sociais cumprem seu papel, não só de defender as suas entidades, mas de lutar pela democracia, pela saúde pública, pelos direitos do povo, por emprego, comida e dignidade.

“É importante denunciar Bolsonaro e seu governo genocida, negacionista e que tem causado a morte de milhares de brasileiros e brasileiras devido a sua falta de empenho e irresponsabilidade, por não ter comprado a vacina e não ter instituído políticas públicas de distanciamento”, ressaltou Érico. 

Dary Beck Filho, da direção do Sindicato dos Petroleiros do RS (Sindipetro-RS), disse que a pauta da mobilização do 29M tem tudo a ver com a luta contra a privatização da Petrobras, pelo preço justo dos combustíveis e em defesa da soberania. “Infelizmente hoje temos um governo que é antinacional, que não gosta sequer do nosso povo, ao contrário, o incentiva a morrer, por isso nossa categoria entendeu que deveria participar e está aqui hoje”, afirmou.

O petroleiro chamou atenção para o que a CPI da Covid tem mostrado, ressaltando que o governo não é só negligente, mas fez tudo o que fez até agora, como retardar a compra de vacinas, por opção. “Só o fez quando teve muita pressão política. Acontece que a cada dia de atraso são muitas vidas que se perdem. Temos toda a clareza da necessidade dessa luta pelo Fora Bolsonaro.”

Para a militante do Levante Popular da Juventude, Eduarda Carneiro, a importância de estar nas ruas hoje se deve ao fato de que, desde o início da pandemia, os trabalhadores não tiveram seu direito ao distanciamento social garantido. “Pelo contrário, o governo de forma genocida promoveu uma falsa oposição entre a defesa da economia e a defesa da vida. Aproveitando o caos social que ele mesmo promoveu para passar a boiada sobre os nossos direitos e sobre o patrimônio brasileiro. Hoje, apesar do aprofundamento da crise sanitária, nosso povo está se vendo obrigado a escolher entre o vírus e a fome, por esta razão hoje a juventude organizada vai às ruas ecoar o grito de Fora Bolsonaro, porque ele consegue ser mais perigoso que o vírus”, afirma.

“Dia histórico da retomada das mobilizações para a derrubada de Bolsonaro”, afirma o deputado federal Elvino Bohn Gass, líder da bancada do PT. Ele citou uma frase ouvida nos atos pela manhã, “temos medo de morrer, mas temos coragem de lutar”, incentivando quem não pode ir às ruas para fazer a manifestação do seu jeito. “Nós respeitamos muito, agora quem a gente não pode mais respeitar é o Bolsonaro”, critica. Para o deputado, as manifestações de hoje são um reforço para os 130 pedidos de impeachment do Bolsonaro.

O deputado estadual Edegar Pretto (PT), destacou que os manifestantes estão seguindo todos os protocolos e se protegendo, defendendo a vida e dizendo um basta aos crimes do governo Bolsonaro. “Nós aqui no RS, da mesma forma, mandamos um recado para o governador Eduardo Leite que se ele impedir a participação popular para definir se as empresas vão ou não continuar sendo públicas, nós vamos organizar um grande plebiscito popular”, complementou.

 

*Brasil de Fato RS

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