Lançado manual de práticas sobre o uso de telas por crianças e adolescentes

As orientações são feitas pela Sociedade Brasileira de Pediatria

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou o Manual de Orientação #MenosTelas #MaisSaúde nesta terça-feira, 11. O documento oferece aos pais e responsáveis orientações sobre o uso de telas e internet por crianças e adolescentes, além de atualizar as recomendações lançadas pela entidade em 2016 sobre a utilização de tecnologias. Confira aqui o manual.

Entre as orientações, estão evitar a exposição de crianças com menos de dois anos às telas, mesmo que passivamente; limitar em até uma hora por dia o consumo de telas por crianças de dois a cinco anos; em até duas horas por dia por crianças entre seis e 10 anos; e em até três horas por o uso de telas e jogos de videogames por crianças e adolescentes entre 11 e 18 anos.

Em abril de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também publicou um guia sobre o assunto. Em dezembro do mesmo ano, a Assembleia Legislativa gaúcha aprovou projeto de lei que estabelece a obrigatoriedade de etiqueta de advertência para o uso moderado de telas eletrônicas por crianças de até 10 anos de idade.

De acordo com a publicação, a multiplicação do acesso a aplicativos, redes sociais e jogos online direcionados à população entre zero e 19 anos requer cada vez mais atenção. Dados da pesquisa TIC Kids Online – Brasil (2018), realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), revelam que 86% das crianças e adolescentes brasileiros entre nove e 17 anos estão conectados, o que corresponde a 24,3 milhões de usuários da internet.

Principais orientações do manual

    • Evitar a exposição de crianças menores de dois anos às telas, mesmo que passivamente;
    • Limitar o tempo de telas ao máximo de uma hora por dia, sempre com supervisão, para crianças com idades entre dois e cinco anos;
    • Limitar o tempo de telas ao máximo de uma ou duas horas por dia, sempre com supervisão, para crianças com idades entre seis e 10 anos;
    • Limitar o tempo de telas e jogos de videogames a duas ou três horas por dia, sempre com supervisão e nunca “virando a noite” jogando, para adolescentes com idades entre 11 e 18 anos;
    • Para todas as idades: nada de telas durante as refeições e desconectar uma a duas horas antes de dormir;
    • Oferecer como alternativas: atividades esportivas, exercícios ao ar livre ou em contato direto com a natureza, sempre com supervisão responsável;
    • Criar regras saudáveis para o uso de equipamentos e aplicativos digitais, além das regras de segurança, senhas e filtros apropriados para toda família, incluindo momentos de desconexão e mais convivência familiar;
    • Encontros com desconhecidos online ou offline devem ser evitados; saber com quem e onde seu filho está, e o que está jogando ou sobre conteúdos de risco transmitidos (mensagens, vídeos ou webcam) é responsabilidade legal dos pais/cuidadores;
    • Conteúdos ou vídeos com teor de violência, abusos, exploração sexual, nudez, pornografia ou produções inadequadas e danosas ao desenvolvimento cerebral e mental de crianças e adolescentes, postados por cyber criminosos, devem ser denunciados e retirados pelas empresas de entretenimento ou publicidade responsáveis.

Problemas para a saúde
Para a SBP, as experiências adquiridas por crianças e adolescentes por meio das telas – como a aprendizagem da agressividade e intolerância manifesta nos jogos e redes –, se não forem melhor reguladas, terão impacto no comportamento e estilo de vida até a fase adulta.

“Cada vez mais, são importantes as ações de alfabetização midiática e mediação parental para ensinar às famílias, escolas, empresas de comunicação e tecnologia e também pediatras a respeito do uso ético, seguro, saudável e educativo da internet”, propõe o texto.

Riscos à saúde de crianças e adolescentes que usam telas em excesso

    • Dependência digital e uso problemático das mídias interativas;
    • Problemas de saúde mental: irritabilidade, ansiedade e depressão;
    • Transtornos do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH);
    • Transtornos do sono;
    • Transtornos de alimentação: sobrepeso/obesidade e anorexia/bulimia;
    • Sedentarismo e falta da prática de exercícios;
    • Bullying e cyberbullying;
    • Transtornos da imagem corporal e da autoestima;
    • Riscos da sexualidade, nudez, sexting, sextorsão, abuso sexual, estupro virtual;
    • Comportamentos autolesivos, indução e riscos de suicídio;
    • Aumento da violência, abusos e fatalidades;
    • Problemas visuais, miopia e síndrome visual do computador;
    • Problemas auditivos e perda auditiva induzida pelo ruído;
    • Transtornos posturais e músculo-esqueléticos;
    • Uso de nicotina, vaping, bebidas alcoólicas, maconha, anabolizantes e outras drogas.

Crianças pequenas
O Manual de Orientação da SBP traz também ressalvas sobre o hábito cada vez mais frequente de oferecer o smartphone ou o celular utilizado pelos pais, como forma de distrair a atenção do bebê. Denominada de distração passiva, a prática é resultado da pressão pelo consumismo dos “joguinhos” e vídeos nas telas, algo prejudicial e frontalmente diferente de brincar ativamente, um direito universal e temporal de todas as crianças em fase do desenvolvimento cerebral e mental.

 

*Gaúcha ZH/

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