Doação de órgãos é tema em audiência pública

Em audiência pública da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa realizada nesta quarta-feira, 22, a conscientização sobre a importância da doação de órgãos e os tabus que cercam o tema foram alguns dos aspectos em pauta. O debate foi proposto pela deputada Franciane Bayer (PSB), que preside a Frente Parlamentar de Estímulo à Doação de Órgãos.

De acordo com a presidente da Comissão, deputada Zilá Breitenbach (PSDB), é importante o papel dos parlamentares na divulgação do tema. “Sugiro a elaboração, por parte do órgão técnico, de um material gráfico para ser distribuído à população, avaliando que os demais membros da comissão não se oporiam à iniciativa”, frisa Zilá.

Segundo a presidente da ONG Via Vida, Maria Lúcia Elbern, a lista de espera por transplantes praticamente dobrou do ano passado para cá. “Lembro que, em 2019, ao final do ano, tínhamos 1.400 pessoas na lista de espera e hoje temos 2.500 pessoas”, disse. “No Brasil, passamos de 30 mil para 40 mil”, continuou, observando que a queda no número de transplantes havia sido em torno de 50%. “Teremos que trabalhar muito para mudar essa situação atual”.

Segundo o chefe do Serviço de Transplantes e Órgãos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Roberto Ceratti Manfro, o contexto da pandemia levou a uma redução das doações e dos transplantes no mundo todo. Em algumas estruturas, segundo ele, a recuperação se deu de forma rápida, o que não foi o caso do Brasil e do Rio Grande do Sul. “Não estamos ainda numa fase pós-Covid, mas numa fase em que todos os programas de transplantes já estão operacionais dentro de hospitais que estão com possibilidade de realizá-los”, esclareceu, lembrando que houve um período em que todos os procedimentos foram de fato interrompidos.

MITOS E TABUS
O médico André Gorgen, da equipe de transplantes hepáticos da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, disse que alguma redução nas doações e transplantes foi de fato necessária durante o manejo da pandemia, até em razão de os transplantados serem pacientes imunossuprimidos, mais sujeitos à infecção pelo coronavírus, e reiterou a necessidade de se “bater na tecla da divulgação” do tema da doação de órgãos. Disse que, além de mitos como “vão matar meu familiar e roubar os órgãos”, a pandemia trouxe o temor pela entubação como se esta fosse uma sentença de morte. “Não é. É um tratamento que salva vidas”, assegurou.

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