Com recolhimento suspenso pela greve dos caminhoneiros produtores jogam leite fora

 A greve dos caminhoneiros que paralisa mais de 30 rodovias no estado já afeta o recolhimento de leite em diversos municípios gaúchos. Conforme relatos de agricultores da região noroeste, nesta terça-feira (24) as empresas  Italac, DPA/Nestlé, CCGL, Santa Mônica, Tirol, Confepar, CoperA1 e Perdigão não carregaram o produto em virtude dos bloqueios.  Com isso, os produtores estão descartando o produto.

Esta é a situação do produtor José Alceu Chiógna do município de Sede Nova-RS, que vende cerca de 380 litros ao dia para a Italac.  Há 3 dias sem recolhimento, ele está jogando fora parte da bebida e outra, usando como alimento para os porcos. “Não temos o que fazer, nem onde colocar tanto leite. A situação é muito ruim, pois mesmo sem venda temos que tirar o leite das vacas e tratá-las com ração, que á cara” desabafa o agricultor que investe no setor por 33 anos.

A paralisação que impede que os freteiros cheguem até as propriedades é mais um agravante para o setor que vive uma das priores crises da história. Muitos produtores têm um longo histórico de outros prejuízos. Seu José, por exemplo, tem 14 mil a receber da Promilk e Latvida. Ele se queixa da sucessão de problemas que atinge a cadeia leiteira. “Sofremos pela falta de pagamento, pela baixa nos preços, pelos altos investimentos feitos na propriedade e agora, nos deparamos com mais essa situação. É desestimulante”, relata Chiógna.

Em Santa Catarina o problema é o mesmo. O agricultor Nelci Piva, da Linha Dianista, município de Cordilheira Alta – SC optou por fabricar queijo com o leite que não foi coletado pela empresa. “Resolvemos produzir queijo com 250 litros de leite para não perder tudo. Já estamos com a renda familiar prejudicada porque o preço que recebemos pelo leite baixou muito. Não somos contra o manifesto, mas estamos sofrendo as consequências”, disse Piva.

A situação preocupa a Federação. Para a coordenadora da Fetraf-RS, Cleonice Back, este é mais um agravante que se soma à crise do leite. “Mais uma vez os produtores estão sendo prejudicados. Além da falta de pagamento, da falência de empresas, do não recolhimento em virtude da quantidade, agora os produtores que ainda conseguiam vender, sofrerão prejuízo em virtude da greve”, lamenta. “Entendemos a luta e reivindicação dos caminhoneiros, mas, ao mesmo tempo, ficamos aflitos por uma nova situação de perda para os produtores”.

A Fetraf-RS e Fetraf-Sul  estão acompanhando as mobilizações e aguardam posição do governo Federal sobre o assunto. “Compreendemos a legitimidade do movimento dos caminhoneiros e estamos em conversação com parlamentares e outras organizações da agricultura familiar, como a Unicafes, para conseguir uma audiência com o governo Federal. Vamos cobrar uma solução para o problema imediatamente”, afirmou o coordenador geral da Federação, Rui Valença.

Fetraf-RS

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