Caso de ritual macabro sofre reviravolta, delegado diz que depoimentos eram mentirosos

“Era tudo uma grande mentira”. Assim, de maneira direta e enfática, o delegado Rogério Baggio, titular da Delegacia de Homicídios de Novo Hamburgo, disse nesta quarta-feira, em entrevista coletiva, que a investigação acerca da morte de duas crianças, supostamente esquartejadas em ritual satânico voltou à estaca zero.

O delegado contou que os depoimentos das testemunhas que acusavam os sete homens eram mentirosos. Ele disse que as testemunhas foram induzidas e instruídas sobre o quê e como falar no depoimento. Uma das testemunhas, inclusive, era considerada peça-chave no processo e estava no programa de proteção à testemunha. Baggio afirmou que a mulher que relatou o descarte de caixas e sacos com partes dos corpos das crianças teve a vida investigada e através disso a polícia chegou á conclusão de que ela mentiu.

“Após eu retornar de férias, me debrucei sobre o inquérito e passei a analisar os depoimentos”. Ele contou que um homem foi preso nesta manhã em São Leopoldo supostamente envolvido na farsa para acusar os homens. “Ele confessou que mentiu.” Teria ocorrido, então, uma acareação entre as testemunhas e a partir daí, a farsa começou a ser desmontada.

Liberdade provisória

A Justiça do Rio Grande do Sul concedeu liberdade provisória, nesta quarta-feira, a sete homens supostamente envolvidos na morte e esquartejamento de duas crianças em suposto ritual de magia negra, com propósito patrimonial. Todos eram suspeitos de esquartejarem duas crianças em possível ritual satânico em setembro de 2017, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos.

A decisão da juíza de Direito Angela Roberta Paps Dumerque, da Vara do Júri da Comarca de NH, é desta tarde e se refere aos cinco homens que estavam presos e aos outros dois foragidos.“Considerando que as decisões que anteriormente decretaram prisões temporárias e preventivas se basearam na investigação policial apresentada e postulação do Delegado de Polícia responsável pela investigação à época e neste momento, com o aprofundamento das investigações, se observa que as novas informações angariadas ao feito possuem o condão de derruir o conjunto probatório até então existente, revogo a prisão preventiva e concedo a liberdade provisória”, considerou a magistrada.

A prisão temporária dos suspeitos foi decretada em 21/12/17 e a conversão para prisão preventiva, em 5/1/18.

Confira a coletiva de imprensa na qual são esclarecidos diversos pontos sobre o caso: 


“Revelação divina”

A prisão de três suspeitos – o “bruxo”, um empresário e o filho dele – foi comandada pelo delegado Moacir Fermino, que na época estava à frente da investigação. Em entrevista coletiva à imprensa, ele disse que chegou as conclusões do caso, através de uma “revelação divina”.

“Foi uma revelação de dois profetas de Deus. Quando eu cheguei na delegacia, um deles me ligou, dizendo que tinha informações e que era para eu pegar um caderno para anotar. Foi uma revelação divina”, destacou o delegado.

Sobre o caso

Em 4 de setembro de 2017, duas crianças foram encontradas esquartejadas no bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. As partes dos corpos estavam embaladas em sacolas plásticas e em caixas de papelão em um mato às margens da rua Porto das Tranqueiras.

Segundo a perícia, os corpos são de um menino, entre 8 e 9 anos, e de uma menina, entre 10 e 12. As crianças são irmãs apenas por parte de mãe. Há a suspeita de que elas sejam argentinas, provavelmente da região de Corrientes, e tenham sido trocadas por uma caminhonete roubada.

Na versão desmentida agora pela polícia, teria ocorrido um ritual encomendado por dois empresários do ramo imobiliário para atrair prosperidade aos negócios. Os homens, de Novo Hamburgo, teriam pago R$ 25 mil à vista para o bruxo realizar o sacrifício.

O homem que se autodenomina bruxo mantinha um templo em Gravataí. Durante escavações no terreno onde fica a casa, foi localizado um fêmur de um animal.

Uma das testemunhas colocadas em xeque diz que viu parte do ritual. Segundo depoimento, ao passar pelo local, ela teria avistado as duas crianças usando capuz. Essa pessoa teria informado ainda à polícia o nome dos sete investigados – seis estavam em um círculo durante o ritual. 

 C.P.

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